Uma de diabinhos negros


Rui Rocha,

O bispo das Forças Armadas tem um problema de continência.

24 comentários em “Uma de diabinhos negros”

  1. Um bispo que é militar no activo não pode dizer coisas daquelas. E o governo não pode ter Relvas.
    Dito isto, e não concordando com muio do que disse, não deixei de apreciar o tom.

    1. Não concordo com essa de por ser bispo “militar no activo” se deva calar. Não concordo, porque isso seria incentivar o silêncio militante. Por outro lado, da mesma forma que não gostei muito dos ataques a Sócrates sobre a licenciatura (não vi que tivessem dito que ele tinha frequentado três anos no instituto superior de Coimbra, o que é suficiente para licenciar qualquer a um a aprender. Sim, as pessoas licenciam-se para aprender ao longo da vida. É necessário ter bases para a aprendizagem.) também compreendo que Relvas, fruto dos constragimentos sociais que se criam com doutorices, tivesse aproveitado a oportunidade para licenciar os conhecimentos adquiridos na sua trajectória de vida e de vida profissional.

      Agora sobre as afirmações de D. Januário. Ao ouvir as intervenções do ministro Aguiar Branco sobre esta ocorrência, fiquei com aquela sensação que ele estava a apelar à intervenção do núncio. Ainda no seguimento desta intervenção, também vi, e ouvi, Aguiar Branco a apelar a D. Januário que fizesse uma queixa na PGR.

      Ora bem, se foi excessivo o uso da palavra corruptos não menos excessivo é o facto de sabermos que em Portugal não existe corrupção.
      Todos sabemos que nos EUA, na Alemanha etc. existe corrupção, porque temos conhecimento de condenações. Em Portugal, talvez pela difículdade de provar, e talvez pela via sacra que se poderá padecer para aí chegar, sabemos que não há corrupção.

      Todavia, fico com a intíma sensação que em Portugal não existe corrupção pelo facto de existir esta palavra (corrupção) na nossa jurisprudência. Se assim acontecer, sugiro que se mude a semântica e que se introduzam outras palavras (com alíneas apontando para estes sentidos), tais como: adultério e sedução. Adultério não é algo que ocorra no âmbito da conjugalidade, porque significa adulterar, falsificar…; sedução, é um termo que me parece assemelhar-se à anterior semântica e ser muito mais abrangente e mais fácil de concretizar no plano jurídico.

      Tudo isto para dizer que, de forma diferente, existem excessos de um e de outro lado (dos que defendem acérrimamente a existência de corrupção, sem se darem conta do significado da palavra nos termos legais, e dos que a não aceitam por questões meramente legais e farisaicas). Neste sentido, creio que D. Januário e Aguiar Branco, com a melhor das intenções, empataram. Refiro o empate, porque acredito na honestidade do ministro e de todos os ministros (ainda que não concorde com suas políticas, que, por sedução ideológica a meu ver errada, corrompem e adulteram as relações de equílibrio social); e também acredito que D. Januário é uma voz neste deserto, que pretende apelar à conversão, não dos pagãos mas dos que se dizem crentes. O uso da palavra corruptos, a meu ver, é fruto do calor do momento e da paixão que ele tem em voltar a equilibrar as relações sociais. É necesssário dar alguma atenção a outras afirmações feitas, que considero substantivas. Não concordo com D. Januário na comparação que fez sobre uns serem anjos (os anteriores) e estes serem diabinhos. Não, não concordo, porque eles têm a mesma imagem (não todos, de um e de outro lado) e semelhança, mas estes querem ir mais longe. Espero que o PS se saiba erguer para restabelecerem-se os tão necessários equílibrios sociais. E também espero que o discurso, e prática, de alguns membros do governo (em particular na área social) amadureça no sentido de se evitar o incremento de tensões que não produzirão bons frutos. Uma coisa é a austeridade, outra é a acusação e a imputação da culpa. Uma coisa é a autoridade e outra é o autoritarismo. Agir com autoridade é agir com conhecimento e sensibilidade; o autoritarismo é a ausência de autoridade.

      Perdoai-me estas reflexões existênciais.

      1. Gostaria de acrescentar que este comentário é fruto não do conhecimento técnico sobre jurisprudência, mas sobre as informações que se vão colhendo no dia-a-dia, nos órgãos de comunicação e no contacto com as pessoas, que levam a formar uma opinião (certa ou errada) sobre a nossa realidade (daí o suo da palavra “talvez”). Pretendi transmitir uma sensibilidade laica. Onde referi “que são semelhantes” , pretendia referir as políticas implementadas, sua dureza e por vezes “cegueira”, e não qualquer relação ou atitude que coloque em causa a legalidade dos actos e a honestidade das pessoas. Por último, o uso das palavras (adultério e sedução) estão aí por uma questão estética e para demostrar atitudes GERAIS, ou genéricas, no âmbito das relações sociais.
        Obrigado.

      1. Mas este Deus, Rui, é polivalente, porque nos tem a “nós” (refiro-me a todos, todos nós e todos os outros).

  2. Os comentarios do bispo Torgal ontem na TVI mostra-nos, se duvidas houvesse, que a critica e o debate politico em Portugal anda ao nivel da latrina. E os jornais que fazem jornalismo de latrina, hoje trazem na 1ª pagina mais umas atoardas de um fulano que me parece estar intelectualmente diminuido. O que é que ele quererá dizer com a frase “alguns têm medo que a Igreja entre em certos sectores”? :1ª pagina do “i”.

  3. A frase que citei no meu comentario vem na 1ª pagina do Publico, embora o “i” tambem traga um foto do bispo Torgal. As minhas desculpas pelo lapso!

  4. O Bispo não foi muito “católico” no que disse nem do modo como o disse?
    Pois!
    Poderia ter-se mantido num registo cristão e, embora dizendo o que disse mas em tom mais suave, ter terminado com um: que Deus vos abençoe!
    … mas não era a mesma coisa!!!

    Cumprimentos!

    1. É o tom ssssstress, é o tom…

      Tudo mudaria de figura se ele usasse um tom mais meiguinho e querido, assim sem o Deus vos abençoe e com cara de mau, não ajuda nada…

  5. 1º O bispo pode e deve omitir as suas opiniões responsabilizando-se por elas.
    2º O ministro Branco se não gosta despromova-o a soldado raso, se a hierarquia da ICAR não gosta despromova-o a sacristão.
    3º Certamente que nem todos os membros do governo serão corruptos no verdadeiro sentido da palavra, mas as negociatas com as privatizações da EDP e REN estão a ser investigadas porquê? E porque é que os cortes nos subsídios não foram estensivos a toda a gente sem excepção? O Relvas até pode não ser corrupto, mas baixeza moral não lhe falta.
    4º Aguardo cenas dos próximos capítulos. Este bispo consegue ser mais acutilante e certeiro que as catilinárias do Soares.

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