Uma coisa completamente tonta


Pedro Correia,

«Temos de voltar a ter o feriado do 1º de Dezembro. A abolição dos feriados foi uma das coisas mais demagogicamente estúpidas deste governo, que para acabar com as “pontes” acabou com os feriados. Uma coisa completamente tonta.»

Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, no Jornal das 8 da TVI

12 comentários em “Uma coisa completamente tonta”

  1. É a famosa mania de ser mais papista que o Papa. Por estas terras germânicas (e neerlandesas) a ponte é vista como normal e até óptima para a produtividade. Quando o feriado é a uma 3ª ou 5ª feira, sabe-se de antemão que ninguém (ou quase) trabalhará no dia de ponte. Toda a gente tira esse dia como sendo de férias e não há uma interrupção na sequência normal de trabalho. Só vejo vantagens.

    Quanto aos feriados, não só é um disparate remover dias que têm enorme simbolismo para Portugal como o argumento dos dias de trabalho que se ganham não faz sentido quando outros países têm à partida mais dias de férias que Portugal (22 a 25 é absolutamente normal por lei e em termos práticos é normal ter 30). Como MRdS e outros dizem, é uma demagogia pura. Sem sentido e, pior, sem cabeça, porque nem sequer satisfaz as massas (que é o objectivo habitual das demagogias).

    1. Exactamente. Não conheço nenhum outro país europeu que tenha abdicado da celebração de datas que formam parte do respectivo património nacional e constituem portanto factores identitários e de mobilização colectiva, ainda que no plano simbólico. Todos os povos precisam destas datas como precisam de certos rituais a elas associados. Reduzir tudo à fita métrica do economicismo – ainda por cima, neste caso, sem sustentação económica demonstrada – é um desrespeito por valores nacionais que transcendem qualquer governo. Eu sei que esta linguagem soa a “fora de moda” nestes tempos de jargão tecnocrático, mas até por vivermos em tempos de crise profunda se torna ainda mais indispensável a celebração de datas que já eram comemoradas em Portugal antes de qualquer de nós ter nascido.

  2. Desta vez estou absolutamente de acordo com MRS. A abolição dos feriados não aumenta a produtividade, não salva a economia e só serve (sobretudo neste caso do 1º de Dezembro) para continuarmos a apagar a nossa História como país. Mais do que uma coisa tonta é uma coisa grave, além de completamente inútil.

    1. Pois, Ana. Nenhum outro país europeu revoga datas que constituem património nacional, e como tal são erigidas em feriados, em nome de vagos conceitos de “produtividade” aliás não sustentados em estudo algum. Para cúmulo, isto concretizou-se através de uma alteração ao Código Laboral, no âmbito do Ministério da Economia, o que acentua a indignidade de todo o processo.

  3. E porque não voltar á ponte Salazar, ao estádio 28 de Maio ou á União Nacional? Queremos tudo a mudar e em simultâneo deixem mas é lá ficar.

    1. Não percebi onde quer chegar. Nunca o 28 de Maio foi feriado, nem no auge da ditadura. Certamente por defeito meu, percebo ainda menos a alusão à ponte e ao estádio.

      1. Reconheço que frequentemente sou um bocado confuso. Mas prometo que vou a partir de agora poupar os outros ás minhas confusões.

  4. Tem toda a razão!… É uma coisa completamente tonta, sem nexo, de pessoas que revelam grande ignorância e um desapego total à história e ao país.

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