Uma malfadada intoxicação alimentar – gosto de comer e julgo, sempre, que nada me faz mal – atirou-me para chá e torradas em frente a um telejornal que eu já deveria saber, por experiência, que só agrava ou mesmo provoca qualquer mal incipiente que possamos ter. Foi o caso.
Durante dois terços do jornal de um dos canais noticiosos, assisti a todo o tipo de desgraças: um jornalista americano degolado, um homem que queimara com água fervente a filha bébé porque ela não parava de chorar, um incêndio que matara pai e filho, que já se encontravam litigados em tribunal, a guerra na Crimeia e na Síria, os bombardeamentos na faixa de Gaza, a eventualidade do Papa Francisco abdicar, enfim, até a venda do Hospital da Luz a um grupo mexicano.
Pergunto: teremos todos de saber, ao pormenor – com fotos dramáticas -, estas notícias? Não chegará, já, a carga dos problemas nacionais para acinzentarem a nossa vida? Não haverá um editor que saiba distinguir o trigo do joio, o essencial do acessório?
Todo este apelo à violência não gerará mais violência?! Não haverá estatutos editoriais que ponham um limite a esta exploração do miserabilismo?
Só posso dizer que estamos a caminhar para uma sociedade cada vez mais alucinada e mais mórbida e que uma certa comunicação social tem grande responsabilidade nisso!
Só posso dizer que estamos a caminhar para uma sociedade cada vez mais alucinada e mais mórbida e que uma certa comunicação social tem grande responsabilidade nisso!


Com sua licença, não vejo relação entre a guerra na Crimeia e na Síria, os bombardeamentos na faixa de Gaza, a eventualidade do Papa Francisco abdicar, enfim, até a venda do Hospital da Luz a um grupo mexicano, com os pormenores escabrosos de casos de violência doméstica.
IMHO
Com toda a minha licença, a ligação está no título: são todos eles casos mórbidos, incluindo a guerra. Sobretudo, pelos motivos que estão por detrás de cada uma.
Quanto ao Hospital da Luz, a eventual venda a estrangeiros, de 51% do maior hospital privado português é, para mim, uma má notícia. Não o será, possivelmente, para os gestores do GES.
Eu, cá por mim, simplesmente proibia todas as notícias sobre o Papa Francisco. São deprimentes.
Calculo que, como o seu nick name indica, tenha apanado demasiado sol na cabeça. Aconselha-se o uso de chapéu!
Concordo inteiramente. Há muito tempo, e salvo raras excepções, que o telejornal deixou de fazer parte do meu dia a dia. Assim, aproveito para a realização de algumas tarefas domésticas na companhia da Antena 2 e do seu “Jazz a 2”. Um programa bem feito, tranquilo e que sabe muito bem no final da tarde. O desconforto e a agonia que me provocam determinadas notícias, exaustivamente tratadas e muito insipientes, acaba por me afastar de outras que certamente me interessavam.
A violência é a mãe de todas as audiências.
Se não houver qualquer notícia terrível o suficiente para prender o espectador à pantalha, já a emissora perdeu a guerra das notícias desse dia em favor duma concorrente que tinha na abertura uns tiros e meia dúzia de facadas.
Pode nada estar ligado entre si, mas está tudo relacionado com a guerra dos targets ( a publicidade encapotada ou não) e dos shares.
O povo já anda dormente de tanta desgraça, por isso a escalada na calamidade , na brutalidade e nas imagens chocantes será cada vez maior.
O truque é do mágico de meia tigela, mas funciona : abre com estrondo, enche com palha e acaba num número com cenário meio zen, que arranque meia dúzia de sorrisos de satisfação e um ou outro suspiro.