Cadernos de um enviado especial ao purgatório (26)


Luís Naves,

Este comentário de Helena Matos mostra como se discute nas trincheiras. A notícia está errada, é verdade, mas não é esse o ponto. Acima de tudo, o facto de haver notícias erradas sobre um problema não nos diz que o problema seja inexistente. As informações incorrectas podem ser corrigidas. No domingo, Morel Malka, judia, convertida ao Islão, casou-se com o árabe israelita Mahmoud Mansour, na localidade de Rishon Letzion, em Israel. Este casamento tornou-se notícia por ter surgido uma organização de extrema-direita, Lehava, a protestar contra a realização do inofensivo matrimónio.

Este Lehava organizou uma manifestação e tentou perturbar o casamento, insultando os convidados, acusando a noiva de “traição”. Para os extremistas, que diziam falar em “nome de Deus”, o casamento destas duas pessoas era uma “abominação”. A tentativa de perturbar a cerimónia provocou forte polémica, levando parte da opinião pública israelita a classificar de “vergonhosa” a actuação dos racistas.

Os casamentos entre pessoas de religiões diferentes representam em Israel um pesadelo para os noivos e isto aplica-se a todas as comunidades, incluindo a casamentos entre judeus e cristãos. A situação é mais grave se envolver um muçulmano, sobretudo do sexo masculino, mas os jornais israelitas dizem que o clima de intolerância piorou. Helena Matos tem o direito de não escrever sobre isso e preferir a notícia defeituosa, mas o problema não vai desaparecer apenas pelo facto de haver um texto mal escrito: o radicalismo não existe só num dos lados do conflito, existe em ambos. E o mundo muda e mudará de muitas maneiras, não necessariamente como os radicais desejam.    

 

12 comentários em “Cadernos de um enviado especial ao purgatório (26)”

  1. não há comentários grátis, e gratificantes muito menos, se partem da helena matos (que vive de quê? pergunto-me,comentando).

    1. E vxa vive de quê? É a isto que se resume?
      Enfim, tugalidades.

      Parece-me que o que a HM tentou fazer passar foi menos o que o Luis Naves extrapolou e mais “como é que a Visão comeu esta noticia”, que de tão ridícula parece tirada do The Onion. Só isso, mas cada um vê o que quer.

  2. Sabiam que esta senhora, Helena Matos, conseguiu encontrar diferenças entre a «licenciatura» ao Domingo do Sócrates e a «licenciatura» a todos os dias do ex-«licenciado» Relvas?
    Extraordinário, não é?
    Pior, escreveu-o no Basfémias.
    Se há diferença entre os dois oportunistas é que o Sócrates ainda fez 3 anos de engenharia no Politécnico de Coimbra e «completou» o curso na «mui nobre» e defunta Independente.
    Enquanto o Relvas fez 2 cadeiras na igualmente «mui nobre» e defunta Livre e «completou» o curso, que o Crato «descompletou», na igualmente «mui nobre» Lusófona.
    Mas isto são pormenores, a essência moral da questão é rigorosamente semelhante, pelo menos para mim: consiste na banalidade com que se pratica a vigarice académica baseada o compadrio.
    Última nota, somos um país falido mas muito rico em «mui nobres» universidades privadas, também conhecidas por «universidades de vão de escada».

    1. Não me parece um exercício difícil, o primeiro mentiu abertamente, escondeu, pressionou e processou quem o tentou expor – curiosamente o estabelecimento fechou – desde cadeiras feitas ao domingo às diferentes versões da sua biografia, etc , etc . Nota, ver o blog Portugal profundo. O segundo, usou de um mecanismo legal que este e outras centenas aproveitaram para obter um grau que a maioria usa as pestanas para lá chegar. Na primeira situação, como já é apanágio nas tropelias Sócrates, ficou tudo em suspenso, na segunda situação o Ministério da Educação retirou (ou pelo menos fez intenção de abrir o processo, não sei como isso está) o grau académico e rectificou a situação (idem) que permitiu o atalho desta gente.

      Quanto às universidade privadas, existem tantas de vão de escada como nas publicas, ou quer mesmo destapar as vergonhas dos júris de doutoramento? Da balda que são muitos dos professores “de renome” que vão apenas dar estatuto aos cursos na publica, mas que raramente aparecem? Quer falar dos milhares de licenciados dos pós 25 de Abril e toda aquela rebaldaria nos exames – e que ainda hoje acontecem?

      O estigma das universidades privadas é apenas mais um sintoma desta sociedade socialista que convive mal com a concorrência. Não querendo particularizar pois vale o que vale, tenho muitos amigos que formados nas mais diversas áreas nas universidades publicas que ficaram pelo caminho em carreiras onde outros de privadas se safaram sem problemas (até em concursos do Estado). Lá está, não gosto de particularizar, mas não me parece que o empregador seja assim tão ignorante para preferir de ambas as origens e não apenas de um lado. Tem algum numero para confirmar o maior grau de empregabilidade?
      Macaquinhos a mais, parece-me.

      1. FD:
        Vejo que, tal como a Helena Matos, também consegue distinguir a vigarice boa da vigarice má.
        A boa é a praticada pelos que lhe estão próximos, afectiva ou ideologicamente, a má é a dos que lhe estão distantes.
        É a avaliação segundo critérios de geometria variável.
        Parabéns.

        1. Não leu da minha parte qualquer tentativa em caracterizar tanto uma como outra de vigarice boa ou vigarice má, isso são invenções do seu lado para me tentar imputar qualquer coisa, lamento mas isso é discurso de falhado.
          Contudo, como sou um ser provido de razão e inteligência, vocabulário e alguma noção entre preto e branco, consigo facilmente distinguir uma coisa da outra, não necessitando de me pôr ao lado de nenhuma, percebe? Sei distinguir um homicídio de um assalto à mão armada, não estou a defender nenhum nem a dizer que um é melhor que o outro, mas uma coisa não estou a fazer de certeza, é a meter tudo no mesmo saco, percebe? Não lhe posso dar os parabéns, como vê, fica para a próxima.

          1. FD:
            O problema é que um e outro são farinha do mesmo saco, igualzinhos, gente sem categoria para ocupar cargos públicos e sem um pingo de ética. O senhor disse: «o primeiro mentiu abertamente, escondeu, pressionou e processou quem o tentou expor»; «O segundo, usou de um mecanismo legal que este e outras centenas aproveitaram para obter um grau que a maioria usa as pestanas para lá chegar».
            Se isto não é diferenciar, culpando um – o mau – e desculpando outro – o bom -, é o quê?
            O senhor caracteriza sem ambiguidades o Sócrates como mau: foi mentiroso, escondeu, pressionou, processou; já o Relvas foi um cidadão normal (bem-intencionado) que se serviu (ingenuamente) de um mecanismo legal.
            Ora o senhor sabe que isso não é verdade, nenhum cidadão normal, sem o seu peso político e o compadrio e a corrupção de costumes (e não só) que o desempenho de cargos políticos permite aos salafrários que os desempenham, usufruiu de equivalências daquele jaez, muito menos com aquelas notas, 18 valores, apenas por currículo político ou por artigos de meia-tigela publicados em jornais regionais.
            Depois eu é que não sei ler.
            Eu não obtive os meus diplomas por equivalência nem sequer em nenhuma universidade privada de «vão de escada»: que para mim são todas excepto a Católica e o ISPA, embora variando um pouco de grau de qualidade entre elas.

          2. Vxa insiste.

            “já o Relvas foi um cidadão normal (bem-intencionado) que se serviu (ingenuamente) de um mecanismo legal.”

            Onde é que leu isso da minha parte? Lá está, não leu mas assumiu. Continua a tentar-me colar ao Relvas, é incrível a sua visão monocromática. Quando eu precisar, por falta de memória, de quem me ajude nestas coisas, terei-o em conta, até lá não faça do seu argumento ou assuma que sabe o que penso sobre este ou aquele. Quando o fizer será explicito.

            “Ora o senhor sabe que isso não é verdade, nenhum cidadão normal, sem o seu peso político e o compadrio e a corrupção de costumes (e não só) “

            Como lhe disse antes, isso é consigo – se vxa sabe, parabéns (desta vez merecidos). Se quer acreditar nisso, força. O que eu lhe informei foi que este “esquema”, estava aberto a todos (ponto). Se tiver o cuidado de procurar nas faculdades (sejam privadas ou publicas) verá que não é preciso ser nenhum “poderoso” para usar e abusar destes, desde que esteja com vontade de fazer umas ultrapassagens pela direita o que não faltam são esquemas em Portugal – há uns tempo o Maltez dizia exactamente o mesmo na SIC – sobre este e outros casos (ver o video em baixo).

            Mais, de Relvas e outros chicos-espertos está Portugal cheio, e engane-se se pensa que só políticos ou algum tipo de todo-poderoso-mafioso é que enganam este e aquele para obter seja o que for – até graus académicos. Não sei em que Portugal vive, mas o que conheço não é assim tão ingénuo.

            Não vou sacar dos galões para me caracterizar acima desta ou daquela opinião, mas como não tenho vistas curtas e não tomo um exemplo por todos, digo-lhe apenas que relativamente às Universidades Privadas, devia informar-se melhor do que diz. Mas no entanto, e como bem conheço do português típico, fique lá com a sua pequenina opinião retorcida.

            https://www.youtube.com/watch?v=uLiHo3da7qk

  3. «O radicalismo não existe só num dos lados do conflito, existe em ambos.»

    Nem todos os «radicais» são iguais, nem todos têm como objectivo último o genocídio, como actividade quotidiana o terror mais brutal… Não consta (mas posso estar enganado) que quem contestou aquele casamento tivesse também decapitado um jornalista ocidental e gravado em vídeo o «feito». Ou lançado mísseis contra áreas civis. Ou raptado mulheres para violá-las e vendê-las como escravas. Ou obrigado crentes de uma religião a converterem-se a outra. Ou…

  4. Helena Matos.
    Felizmente/inequivocamente a encontro em permanente/pessoal blasfémia.

    No temática(?)/história deste conflito o seu sentir é, desde que me lembro, somente, apenas, tão só, certamente, afecto a um lado; em blasfémia a Justiça não tem dois pratos equitativos.

    É um Mundo do avesso; onde o radicalismo/extremismo floresce, em ambos os lados.

    Fique bem.

  5. “o radicalismo não existe só num dos lados do conflito, existe em ambos.”
    O problema é que muitas vezes um lado é ação e o outro simplesmente reage!

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