Uma carnificina é um «incidente»


Pedro Correia,

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«Eu não tenho elementos suficientes para corroborar [acusações de crimes de guerra praticados por militares russos contra civis ucranianos]. Poderão (sic) haver, mas de ambas as partes. Temos que analisar estas questões com muita cautela, com extremo cuidado, porque podemos cair nalguns engodos. Existem coisas que se chamam operações psicológicas, informações de operações… há que ter sempre muita cautela.»

 

«Reparei que algumas pessoas que estavam no chão tinham uma faixa branca no braço. Essa faixa branca era utilizada pelos civis de Butcha que eram pró-russos ou coniventes com os russos e são esses indivíduos que estão no chão. Eu tenho algumas dúvidas sobre a razoabilidade dos russos matarem os indivíduos que estavam com eles.»

 

«A situação é extremamente sensível e precisa de ser analisada de forma extremamente profissional, neutral e com moderação. E fora de grandes ansiedades e de grandes excitações, de paixões. Tem de ser analisado por profissionais tecnicamente habilitados para o fazer.»

 

«Temos de ver a credibilidade dessas testemunhas. Isto é uma coisa extremamente sensível, extremamente complicada. Estamos a jogar não só no domínio das emoções como no domínio das percepções, no domínio comunicacional. Por isso aconselho muita ponderação, muita moderação, quando somos confrontados com este tipo de incidentes.»

 

Declarações do major-general Carlos Branco, apresentado como «especialista em temas militares da CNNP», neste canal televisivo (3 de Abril de 2022)

 

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Leitura complementar:

El País — La matanza de Bucha muestra la barbarie de la guerra de Putin

The Guardian — The bodies of Bucha have set a difficult test for the west

Libération — Guerre en Ukraine: Boutcha, ville meurtrie et jonchée de cadavres après le retrait russe

52 comentários em “Uma carnificina é um «incidente»”

  1. «Une analyse d’images satellite réalisée par le «New York Times» démontre que des corps de civils gisaient depuis près deux semaines dans la ville de Boutcha. Moscou affirmait qu’il s’agissait dune mise en scène réalisée après son départ de cette banlieue de Kyiv.»

    1. Moscovo mente. Há dias, há semanas, há meses, há anos.
      Na antevéspera da invasão, jurava ao mundo que não iria invadir. Eram só «manobras militares» na Bielorrússia.
      E os papagaios do ditador Putin repetiam essa mentira aqui
      https://www.jornaldenegocios.pt/weekend/detalhe/carlos-branco-os-russos-nao-estao-interessados-em-invadir-a-ucrania-so-o-farao-in-extremis

  2. “Poderão (sic) haver, mas de ambas as partes” – não tem elementos que corroborem uma das partes, mas das duas partes parece ter! Curiosamente tem mais reservas em aceitar a culpa dos invasores e ocupantes da região por várias semanas, do que da parte à qual pertenciam as vítimas. Para quem fala em neutralidade é, no mínimo, insólito. De acordo com o “raciocínio” do major-general Carlos Branco, foram os próprios prisioneiros dos campos de concentração que cometeram os horrores para culpar os nazis.
    “Incidentes”! Incidente foi a bofetada que Will Smith deu ao colega de profissão!
    As palavras faltam-me para descrever a minha indignação – pelo horror e pela recusa de uns em o reconhecer.
    O major-general Carlos Branco lava mais branco. Que falta de honra!

    Catarina Silva

      1. A criatura diz a mesma coisa sobre Srebrenica. Para ele também os 8 mil muçulmanos se suicidaram. Genocídio, foi só na Krajina. E no Kosovo, foram os albaneses a expulsar os albaneses. Incrível é como esta criatura continua a bolsar alarvidades na tv.

        1. A CNN Portugal devia envergonhar-se de ter como comentador encartado e residente uma figura deste calibre.
          Alguém que se estivéssemos em 1937 seria capaz de insinuar que o bombardeamento de Guernica tinha sido obra dos próprios bascos.

      2. O que o senhor major-general perora (e infelizmente não é só ele, outros tenho ouvido igualmente … inspiradores), tem um nome e estamos todos carecas de saber qual é: teorias da conspiração.
        É chocante, é revoltante, assistirmos diariamente ao desenrolar de uma tragédia friamente anunciada, o cardápio completo das mais arrepiantes crueldades, enquanto nos tentam convencer de que aquilo que se vê não é o que parece e que a mão que comanda a guerra tem como única e piedosa intenção contribuir para a felicidade dos ucranianos em particular e, porque não, do mundo em geral.
        Nojo, senhores!

        1. Alguns destes oficiais-generais, espantosamente, prestaram serviço na NATO. Devem ter sentido pesadelos. O lugar adequado para eles era no defunto Pacto de Varsóvia

  3. Repudio total pela brutalidade da carnificina que tem sido vastamente divulgada.
    Sendo absolutamente necessário um apuramento fiel dos factos relatados, seria um atropelo inqualificável ao direito e à decência, que esse inquérito fosse conduzido por uma das partes interessada nos resultados.
    Só a uma entidade limpidamente competente e imparcial poderá ser atribuída essa indispensável e nobre missão.

      1. Costumo chamar pela minha consciência acomodada num pobre casebre, até ao ponto de ficar bem assente que estava redondamente enganado.
        O que nunca verei com bons olhos são juízes em causa própria, por mais que os pintem e levem ao colo até às nuvens.

        1. Eu também sou fiel às minhas convicções. Gosto de chamar as coisas pelos seus nomes em vez de enrolar palavras em busca do eufemismo mais à mão.
          Chamo massacre a um massacre, não lhe chamo «incidente».
          Faço mal. Se chamasse «incidente» a um massacre, já seria comentador residente da CNN Portugal.

          1. Eu falei em “brutalidade da carnificina”, o que não me parece enrolamento nem eufemismo.

          2. Como é óbvio, eu não estava a referir-me a si. Mencionava – aliás vem logo no título – o major-general que tem estado de plantão na CNN(P).

  4. “E a verdade é só uma rádio moscovo não fala verdade”
    Sempre foi assim, mas a gente naquele tempo pensavamos que era o Salazar a enganar a gente.
    Agora aparecem os negacionistas!

  5. DÉBATS
    VLADIMIR POUTINE
    « Les Russes vivent pétrifiés par la violence de la propagande. Les élites politiques et économiques sont atterrées »
    TRIBUNE Marie Mendras
    Politiste au CNRS et au CERI (Sciences Po)
    La politiste, spécialiste de la Russie contemporaine, décrit, dans une tribune au « Monde », un pouvoir politique russe à la dérive, avec la montée d’importantes dissensions au sommet du pouvoir, un numéro un isolé, un clan divisé et une classe moyenne en état de sidération.

    1. Foi um crime ucraniano, como insinuou este “especialista em temas militares” num dos momentos mais vergonhosos que tenho visto na televisão.

      Guernica foi bombardeada pelos bascos.
      E os milhares de oficiais polacos, na floresta de Katyn, morreram dando tiros na própria nuca.

      1. O homem também evocou o testemunho do autarca de Bucha que, segundo ele, teria dito que após a saída dos russos tudo estava bem e que só depois é que apareceram os corpos das vítimas espakhados pelas ruas. Este argumento foi igualmente apresentado pelo ministro de negócios estrangeiros russo, se não erro na ONU, ou seja, o major-general estava bem sintonizado.

        1. As atrocidades contra ucranianos, cometidas na Ucrânia ocupada por russos, foram cometidas pelos próprios ucranianos.
          Aliás tudo começou no dia 24 de Fevereiro quando o judeu neonazi que é Presidente da Ucrânia deu ordem ao seu exército para invadir o próprio país.

          1. Pensando bem, os russos invadiram a Ucrânia, expondo a própria vida, com a piedosa intenção de evitar que os ucranianos se matassem todos uns aos outros.

          2. Os russos eram mesmo, e continuam a ser, uns totós. Assassinaram as pessoas e nem sequer aproveitaram as batatas de um dos assassinados.

          3. Alguém que bolça um escarro destes, num dia como o de hoje, só pode ser um canalha.
            Última canalhice que rabiscou aqui.
            Não volta a acontecer.

    1. Aguardar qualquer intervenção da ONU é fazer o jogo russo, pois Moscovo paralisa toda esta organização, onde tem direito de veto.
      A ONU tem sido, aliás, uma nulidade em toda a escalada de trágicos acontecimentos iniciados com a agressão russa à Ucrânia.
      Tornou-se uma múmia paralítica.

      Muito mais activas estão organizações como a Amnistia Internacional:
      https://www.amnesty.org/en/latest/news/2022/04/ukraine-apparent-war-crimes-by-russian-forces-in-bucha-must-be-investigated/
      Ou o Observatório de Direitos Humanos:
      https://www.reuters.com/world/europe/human-rights-watch-accuses-russian-forces-apparent-war-crimes-ukraine-2022-04-03/

      1. Além disso, Guterres foi posto lá pelo Lavrov. Por isso é que está calado que nem um rato. Ou pensam que ele não diz nada só porque é um idiota? Não é só por isso. É porque é um idiota com medo.

  6. Si buscas la verdad, prepárate para lo inesperado, pues es difícil de encontrar y sorprendente cuando la encuentras.
    HERÁCLITO de ÉFESO

  7. Estes “comentadeiros” das nossas tvs, principalmente os militares e outros também são uns vendidos. Fazem parte, como muitos dos outros signatários da Carta da Vergonha Nacional de think tanks internacionais , cuja doutrina é o Anti-Americanismo puro e mais nada. “A quem é que a guerra interessa, quem lucra com a guerra ? – Os Americanos!” Sim senhores, então o Putin coitado é um estúpido de um ingénuo, porque, em sabendo isso, mergulhou numa situação que só beneficia o inimigo… Estou tão farta desta gente…

  8. Diziam os meus avós da Beira que “viveram” a 2ª Guerra Mundial :”em tempo de guerra, mentira cono terra”.

  9. E as mulheres violadas pelos soldados russos que ninguém quer falar será que também é um incidente ou puseram-se a jeito?

    Rita Ferro

  10. Uma vergonha. Não sei o que é pior: se a lealdade a um déspota, se a falta de entendimento básico das situações. Se alguma vez estiverem à frente de tropas a comandá-las é de temer pelos coitados que tiverem de seguir as suas ordens.

  11. Não querendo ferir suscetibilidades de maldispostos reacionários, tomei o cuidado deliberado de comentar com prudência este assunto para dizer apenas só isto:

    Tenho vergonha desta gente que nega uma constatação de facto sem um pingo de humanidade pelo sofrimento do povo Ucraniano que é vítima em própria casa e não agressor de si próprio.

    Luís Santos

    1. Começam agora a revelar-se os brutais crimes cometidos nas cidades e vilas que estiveram sob domínio das hordas russas e bielorrussas.
      Torturas, execuções sumárias, assassínios indiscriminados.
      As atrocidades são de uma escala de horror que nem alguns dos mais pessimistas imaginavam.
      Crimes de agressão, crimes de guerra, crimes contra a Humanidade.

  12. Já o outro comparsa, Raul Cunha, nem sequer deu o benefício da dúvida com os habituais “há que analisar”: disse logo que era obra de ucranianos. Convidar esta gente para “análise” começa a ser masoquismo.

    1. Começa a ser vergonhoso para os canais que lhes dão guarida.
      A solução está literalmente nas mãos de cada telespectador: mudar de canal. Assim também se pratica cidadania.

  13. Existem, sim, operações de falsa bandeira. Negar isto é extremamente suspeito. E ofensivo da inteligência dos outros. Sabemos quem se está aproveitar disto. E também para quê. E o aproveitamento da coisa é motivo para se ter feito a coisa. Não se pode dizer que as torres gémeas foram implodidas? É uma “teoria da conspiração”, né?!

    1. Dois anos a levar com os negacionistas da pandemia e das vacinas, agora aparecem os negacionistas da agressão russa à Ucrânia.
      Muitos deles são os mesmos. Negacionistas sempre. Como a realidade atrapalha as teorias da conspiração, fingem que ela nem existe.

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