
Ana Vidal: «A aclamadíssima Annie Leibowitz fotografou, em 1999, o elenco dos Sopranos em pose de Última Ceia, com Tony ocupando o lugar central e Livia, a pérfida matriarca, o de Judas. Os outros serão meros peões, ou mais do que isso? Observem-nos bem.»
João Carvalho: «Eles chamam-se Sean Lennon, James McCartney, Dhani Harrison e Zac Starkey. Por vontade do James, que tem tentado manter os restantes em contacto, já teriam feito o mesmo que os pais e, provavelmente, já estaríamos todos aqui neste momento a ouvir o primeiro álbum dos New Beatles.»
José António Abreu: «Foi o habitual em qualquer jantar de grupo: havia, à escolha, arroz de pato e bacalhau com natas. Jesus optou pelo bacalhau, Pedro, que ficara farto de peixe durante os anos em que fora pescador, pelo pato. Tomé resmungou que só vendo acreditaria que o bacalhau incluía mesmo bacalhau e o arroz de pato incluída mesmo pato e acabou, com um encolher de ombros, por decidir-se pelo arroz de pato. Alguns apóstolos estranharam que Judas não protestasse pelo facto de nas opções não estar lombo de porco assado, uma vez que, indiferente às tradições judaicas, era o que comia quase sempre naqueles jantares mas hoje sabemos que nessa noite ele tinha outras preocupações.»
José Navarro de Andrade: «Dizem as notas que Vivek Vilasini, indiano de nascimento e vivência, aborda a identidade cultural. Seja por aí. Ao deslocar a última ceia uns kms mais a sul ou a leste, trocando os homens pelas mulheres, prefiro ver nesta versão a capacidade de tudo ser revelado através dos olhos e das mãos. Isso, e a pose ser perfeitamente codificada pelo que já sabemos da cena, permite-nos identificar os sentimentos de traição e ansiedade. Se a última ceia, no seu significado clássico, é o prólogo do grande momento, aqui parece-nos ser o epílogo de qualquer coisa que já aconteceu e foi lá fora. Tudo do avesso, portanto.»
Leonor Barros: «Num dia afirma-se de forma peremptória ao vivo e a cores que o corte nos subsídios vigoraria em 2012 e 2013, à tarde era afinal até 2014 e hoje diz-se que afinal não houve contradição nenhuma. Nós merecíamos mais respeito, senhores governantes. Deve ter sido por isso que, cansados das trapaças anteriores, os elegeram. Merecíamos mais.»
Luís Menezes Leitão: «Um Estado que prefere proteger os credores estrangeiros em lugar dos seus funcionários e pensionistas é um Estado que não se respeita a si próprio. Para defender o Estado português, exige-se aos governantes algo mais do que pôr a bandeira de Portugal na lapela do casaco: exige-se que protejam os cidadãos portugueses.»
Eu: «O João Gobern tem todo o direito de se assumir como adepto benfiquista. E, sendo convidado para fazer comentário futebolístico na RTP precisamente como analista de cachecol, tem naturalmente também o direito – e neste caso quase o dever – de assumir a sua condição de benfiquista. Nada a objectar quanto a isto. Sendo assim, quem poderá espantar-se que vibre em directo com a marcação de um golo da sua agremiação ao minuto 92 de um jogo contra um clube que ameaça disputar-lhe o título? Fará sentido compará-lo ao ex-ministro Manuel Pinho que foi afastado do Governo socialista por ter feito um feio gesto a um deputado da oposição na respeitável sede da democracia que é a Assembleia da República?»

🙂 Revisor em acção: Pedro, os textos aqui citados são os mesmos de ontem.
São? Como é que isto falhou? Terá sido sabotagem russa?
Já rectificado. Obrigado pelo alerta, João.