Com o distanciamento que a ausência permite, a paciência que me vai faltando, e mais por uma questão de cidadania do que por genuíno interesse nos fulanos, lá vou acompanhando os “debates” (vamos admitir que sim, que são) entre os candidatos presidenciais que saíram em sorte aos portugueses.
Certamente que irei votar, se a tal me permitirem, embora não saiba muito bem em quem.
Em todo o caso, se há uma coisa para que os tais debates podem servir é para nos mostrar, a todos os níveis, o grau de indigência, despudor e impreparação de alguns feirantes.
O apelo serôdio, populista e demagógico é uma constante. Um tipo vê-os para ali a arengar, com som ou sem som, ora de braços no ar ou de dedo em riste, com ar irado ou pose de cura, e não se nota qualquer diferença.
É claro que estou a exagerar. E a ser injusto para com o candidato Marcelo, que com todos os seus defeitos, apesar de tudo, merecia ter outro leque de convivas.
Admiro-lhe o poder de encaixe, naquela sua postura evangelizante, e até um certo estoicismo na forma como recebe as críticas que lhe são dirigidas. E como ouve alguns dislates que não seriam tolerados nas mesas de matraquilhos de algumas tabernas que outrora existiam em Lisboa.
Há, todavia, um candidato que mesmo por qualquer razão inexplicável não consiga ir à segunda volta já mostrou todas as virtudes de se ter uma democracia consolidada. Refiro-me ao candidato Ventura.
Pode-se não gostar do estilo, ou da voz, naquela postura de contentinho aos pulinhos, endiabrado, cheio de certezas coladas a cuspo, entre a estatura tridimensional de um Marques Mendes e a pose de um forcado gingão do “tipo Chicão”, mas o homem é um poço de qualidades. No debate com o candidato Marcelo isso pareceu-me evidente. De tal modo que me fez lembrar o engenheiro Sócrates na fase pré-empréstimos a fundo perdido.
É um gosto vê-lo e ouvi-lo naquele fervor nacionalista e patriótico que faria as delícias do Presidente Xi ou de Ali Khamenei. A forma como exibiu e agitou as fotografias que levou, e que confundiram tanto o candidato Marcelo como deverão ter divertido o tal de Mamadou, apresentando a França como um exemplo de presidencialismo (daria chumbo numa oral da FDL), fizeram-me lembrar um quinquilheiro simpático, de bigodes, usando umas gravatas verdes ou lilases berrantes, que combinava a preceito com uns sapatos de cor creme e um fato cinzento, que quando eu era miúdo vendia tapetes na Feira de Carcavelos.
O tipo, enquanto agitava o tapete colorido que queria impingir a quem passava, gesticulando e impedindo sempre um exame mais atento, não fosse dar-se o caso da peça ter um salpico do molho da bifana, avançava, qual Jerónimo, “com todo o respeito” para exaltar as qualidades do poliéster, que era “quase lã do Cáucaso”, e a excelência do “ponto industrial”, informando desde logo os potenciais interessados da falta de qualidade dos tapetes dos concorrentes e do modo como baixavam os preços e atacavam os seus produtos para o impedirem de vender a tralha que promovia.
Não desfazendo, se aquele senhor que o candidato Ventura admira conseguiu convencer um bando de montanheses, peludas e barbudos saídos das profundezas do Alasca, das cavernas do Colorado e dos bordéis do Nevada, a entrarem pelo Capitólio com bandeiras da Confederação, em “chewbacca bikini”, e desafiando a autoridade da polícia e as regras do jogo democrático, tão queridas ao deputado candidato, também será de admitir a hipótese deste se apurar para uma segunda volta.
E até para uma terceira. Basta que haja mais uma ronda de debates e a vacina não lhe chegue a tempo.

NOTA CRITICA
Porque não vi todo o debate nem parte do rescaldo de opiniões e comentários deixo na interrogativa.
Será que ninguém atirou ao moralista de pecados alheios, a sua própria postura em todo o mandato, chorando baba e ranho, carregado de sofreguidão pelo palco que ele próprio pratica acusando outros?
Moderadora, jornalistas e comentadores de torneira aberta dirigida, passaram ao lado de tal aberração?
E perante a acusação de que o seu adversário sendo dirigente de um novo partido, estava ali na mira de mais altos cargos a nível politico fez-se ruidoso silêncio?
Além do mais, parece que toda a gente se esqueceu de lhe lembrar que o seu miserável objetivo se foca essencialmente em bater o recorde de Mário Soares.
Pobreza Franciscana.
O dito Moralista está protegido por uma aura dogmática muito forte!
Tenho de ver… isto de estar longe tem destas coisas.
Pelo que vou lendo, os debates têm sido como aqueles jogos em que ambos jogam para o empate. Trocam a bola atrás, volta e meia fingem que fazem um lance de ataque.
No fim todos percebem que o Presidente Marcelo já venceu, portanto estão lá para tratar das suas vidinhas, pessoais e partidárias, e como tal não podem antagonizar demasiado o Presidente, de quem apesar de tudo a malta ainda gosta, e o Candidato calceteiro. O Ventura serve como saco de boxe de todos, candidatos, moderadores e analistas.
«O Ventura serve como saco de boxe de todos, candidatos, moderadores e analistas.»
Engano de percepção seu: o Ventura exige ser o saco de boxe de todos, candidatos, moderadores e analistas!
André Ventura ganhou o debate. Foi muito mais assertivo e concreto nas suas ideias e até foi meiguinho com o Marcelo, pois podia ter mencionado o Caso BES, o desvio de fundos em Pedrogão, o caso SEF …
Marcelo esteve nervoso, com tiques e só mencionava o Sá Carneiro e o Papa !
Ridículo e triste figura medíocre !
Claro que o penteadinho (postiço?) não atirou com o bes para não levar com os offshores de fuga aos impostos e dos vistos gold aos chineses comunistas.
Percebe?
No momento em que o candidato/presidente atira para a mesa (o que julga ser um seu trunfo) “o tom das conversas em Belém”, percebe-se que ali apenas se luta pelo poder. Poder pelo poder.
Confundir o tom de um encontro protocolar Presidente/Deputado em Belém, com um debate candidato/candidato não foi nada presidencial.
Os fins justificam os meios?.
Marcelo da triste figura simplesmente não é de confiança. O homem pode escorregar e cair todo esfarrapado, mas tem sempre carregadores de serviço para o içarem para o pedestal das tão solenes como inquinadas aparições.
Ele não confunde o lado institucional de presidente com a figura comum de candidato, simplesmente usa qualquer das fatiotas ao sabor da sua conveniência umbigada.
Como ainda vou tendo alguma paciência gostaria de introduzir a debate algo que a sociedade não debate; daí, consequentemente, a pobreza dos candidatos e das palestras.
Gostaria porém de dizer que, face à referida realidade, só encontro 3 candidatos à altura da situação, são eles:
Tino “das rãs”;
João Ferreira;
Marcelo de Sousa.
Vamos agora ao que presumo também ser importante:
O mundo atravessa uma pandemia de medo histérico e generalizado que tem proporcionado acções contraproducentes e até mesmo velhacas por parte dos mais diversos governos mundiais, sem esquecer as dificuldades que o PC Chinês tem colocado à entrada dos representantes da OMS para averiguarem a origem do surto.
Por outro lado, felizmente, a Alemanha empobreceu; e na sua pobreza lá vai abaixando-se aos capitais chineses e fomenta a alienação de acordos com a UE fazendo crer que a China é um parceiro seguro e ético para lidar com o mundo em pé de igualdade.
Eu acredito que em matéria de ética o PC Chinês esteja em igualdade com os ditos líderes e até mesmo com uma massa acomodada por estes conduzida.
Vai daí não foram introduzidas a debate as questões relacionadas com a vacina e com o que não foi feito em matéria de funcionamento de estruturas sanitárias para acudir as populações.
Sabe-se que a vacina possui uma nova tecnologia baseada no mRNA, isto é, mensageiro e RNA com uma codificação genética do vírus Sars-Cov2 que em princípio permitirá estimular o reconhecimento do sistema imunitário a esta variante e fabricar proteína que permita envolver o vírus inutilizando sua acção no organismo hospedeiro. Estando em objecto a produção de anticorpos e das diferentes células T, ou células assassinas.
Pois bem, isso é um resumo. Porém neste resumo existe uma medida emergencial, eu disse EMERGENCIAL, isto é, administrativa e não científica, para que as populações recebam a inoculação. Portanto, transferiu-se uma observação que devia levar anos a consolidar-se em segurança em testes para uma observação em tempo real . Sabendo-se de alguns efeitos de curto prazo, incluindo possíveis choques anafilácticos – mesmo sabendo-se que muitos desconhecem suas prováveis patologias que a isto poderão conduzir -, mas desconhecendo-se efeitos de médio e longo prazo.
A anterior introdução leva-me a desafiar os eventuais leitores a compararem, por exemplo, nos dados estatísticos oficiais o número de mortes registadas no ano de 2019 em comparação com as registadas em 2020, incluindo-se as mortes por covid, nos seguintes países:
Brasil, EUA, Alemanha, Suécia, França e Portugal.
Estou certo que se surpreenderão com a constatação que os números de mortes ocorridas na população pouco se alterará em termos de cenário pré-pandemia (2019) e durante a pandemia (2020).
Assim, deixo as questões para que um qualquer cientista pelas redondezas me responda:
Porque não manter-se as normas de segurança vigentes (distanciamento, máscara, desinfecção das mãos e dos locais, teletrabalho para os que podem, e telescola) e procurar-se com mais segurança – evidências científicas laboratoriais e tempo – buscar-se uma eventual solução também através da vacina?
Porque motivo não se aplicaram medidas atempadas e melhorias nos diferentes Serviços Nacionais de Saúde para acolhimento de doentes covid e não covid?
Porque motivo não se tornam públicas em sites oficiais as reacções eventualmente causadas pela vacinação e os benefícios resultantes da inoculação nas populações?
O que se tem feito em termos de melhorias da mobilidade psicossocial e cognitiva dos idosos, em particular dos idosos que se encontram em lares ou residências para eles?
Qual a população afectada mortalmente pelo vírus (condição social, doenças existentes, alimentação habitual, cuidados de saúde que usufruíam e como viviam)?
O que está a ser delineado para futuro em termos de legislação, cuidados e assistência a idosos e pessoas com co-morbildades?
A pandemia veio demonstrar que a principal mudança a operar reside na transformação da pessoa: combatendo seus próprios egoísmos, maledicências e comodismos. Esta transformação começa com a interrogação de si mesmo, do próprio, enquanto pessoa e pessoa em sociedade.
Vencer um debate é algo engraçado, uma vez que o vencedor não é objectivo e só depende dos olhos de quem o vê. É um jogo de soma nula, em que ganham todos e perdem todos.
Entretanto convido-o a passar pelo meu recém-criado blog, que penso que possa ser do seu agrado. O link está no meu perfil, se quiser dar uma olhadela.