Uma arrancada fulgurante.


Luís Menezes Leitão,

Vá lá saber-se porquê, o Expresso decidiu arrancar como órgão oficioso de apoio à candidatura de Sampaio da Nóvoa. É assim que interpreta as suas próprias notícias, absolutamente desastrosas para o candidato, em sentido favorável ao mesmo. Ontem os resultados da sondagem que publicou indicam que 48% dos portugueses ignora totalmente quem é Sampaio da Nóvoa e só 44% ouviu alguma vez falar dele. Precisamente por isso só 16,5% acham que ele tem alguma hipótese de ganhar as presidenciais. O que é que conclui o Expresso disto? Numa “análise benigna, constata-se que o caminho de Sampaio da Nóvoa até poder chegar a Belém é longo mas não impossível“. Eu diria antes que, face a estes resultados, Sampaio da Nóvoa tem tantas hipóteses de chegar a Belém como a Torre Eiffel de dançar o samba.

 

Hoje a notícia do Expresso é que o PCP não afasta apoio a Nóvoa. Só que o texto da notícia diz precisamente o contrário. O PCP vai como sempre apresentar um candidato próprio, e só admite retirá-lo à boca das urnas se uma outra candidatura tiver hipóteses de vencer. O que está muito longe de ser o caso da de Nóvoa.

 

Entretanto, como não poderia deixar de ser, quem anda entusiasmadíssimo com o avanço de Nóvoa é Marcelo Rebelo de Sousa, que nem acredita na prenda da Páscoa que recebeu. É assim que faz apelos fulgurantes a que não lhe retirem o prometido despique com o candidato Nóvoa: “Apoiado por três ex-presidentes é um candidato fraco? Vou ali e já venho“. Só que o apoio dos três ex-presidentes só significa três votos, permitindo por isso esse fortíssimo candidato a Marcelo ir-se embora e só regressar na véspera das presidenciais.

 

A esquerda está a cometer com o apoio a Nóvoa o mesmo erro que a direita cometeu em 1980 quando Sá Carneiro impôs um candidato absolutamente desconhecido, Soares Carneiro, para Belém. Qualquer analista político sabe que o primeiro teste a fazer a um candidato é o teste do reconhecimento: saber se os eleitores fazem a mínima ideia de quem o candidato seja. Nesse primeiro teste Nóvoa não passou. Mas provavelmente isso não interessa nada aos estrategas do PS, que já que devem estar a preparar os slogans da campanha: “Na presidência um desconhecido“. Ou: “Vote em Nóvoa mesmo sem saber quem ele seja“.

 

O problema desta candidatura é, no entanto, outro. É que vai multiplicar os candidatos presidenciais da direita, que já se imaginarão em Belém, sabendo que o adversário da esquerda é Sampaio da Nóvoa. Assim sendo, a prenda que Marcelo Rebelo de Sousa julga ter recebido pode revelar-se um presente envenenado. Passos Coelho não quer Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, pelo que só constrangido o PSD lhe daria apoio para evitar a vitória de um candidato de esquerda. Se o candidato for Nóvoa, o PSD pode muito bem optar antes por Santana Lopes, uma vez que até ele daria um banho eleitoral a Nóvoa. O resultado desta estratégia desastrada de António Costa pode ser assim a ida de Santana Lopes para Belém, algo que nem nos meus maiores pesadelos eu julgaria que fosse possível.

0 comentários em “Uma arrancada fulgurante.”

  1. Entristece-me que Eanes, que me habituei a considerar como uma referência, aparentemente vá apoiar essa figura que quando fala nada diz de concreto sobre o que entende poder ou pretende fazer enquanto PR e se limita a tiradas vagas e a citações de poetas.

    A vida é feita de mudança e o mandato tem desiludido, mas parece-me demasiada a mudança por parte do presidente da comissão de honra de Cavaco nas ÚLTIMAS ELEIÇÕES.

  2. Em época de promoções não compro. Ainda por cima com névoas pulverizadas que tapam tudo á sua volta. Henrique Neto levou sumiço?

  3. “Vá lá saber-se porquê”. Porque o director é irmão do outro gajo, por que outro motivo havia de ser. Estes tipos não dormem em serviço ou acham que conseguem as coisas por serem extraordinários? Já agora digam lá ao Ricardo Costa no Expresso da Meia Noite e nas outras cadeiras que ocupa na TV que páre de olhar para a câmara com aqueles olhinhos de chefe de secção porque é extremamente irritante ter o fulano sempre a olhar para a câmara.

  4. Sampaio da Nóvoa pode perfeitamente fazer o pleno da esquerda e ganhar a qualquer candidato da direita, mesmo a Marcelo Rebelo da Sousa que goza de uma popularidade muito grande, mas isso não significa que os que o conhecem votem nele. É o meu caso e de muita gente que vota à direita, mas não vota nele.
    À partida o PSD não apoiará o Marcelo, mas se ele passar à 2ª volta contra Sampaio da Nóvoa não terá outro remédio se não apoiá-lo embora isso não chegue para ele ganhar. O Portas que também tem velhas contas a acertar com Marcelo dificilmente lhe dará o seu apoio.
    Convém não esquecer que o markting faz milagres, e se as tvs vendem colchões, sabonetes, detergentes, pastas de dentes e outras coisas mais, podem perfeitamente “vender” Sampaio da Nóvoa aos portugueses que pensam que são de esquerda. Oito ou nove meses são mais do que suficientes para o efeito.
    No tempo do General Soares Carneiro, que teria sido um excelente presidente da República, não existiam as redes sociais que também vão dar uma grande ajuda na divulgação da figura do ex Reitor da Universidade de Lisboa.
    Ao Pedro Santana Lopes, que tem um dos dois ou três melhores empregos públicos do país e só se estiver doido é que se mete nisto, até o Rato Mickey ganha.
    Há quem defenda que o resultado das legislativas vai influenciar as presidenciais. Eu discordo: em Outubro de 1980 a Aliança Democrática ganhou as legislativas com maioria absoluta e em Dezembro perdeu as presidenciais. Como sabemos a morte Sá Carneiro não teve influência no resultado; no dia em que ele morreu já sabia que Soares Carneiro não ganharia .

  5. E a ultima nova em nada beneficia o Nódoa:

    O PS está falido…

    Morto o BES, está na calha uma nova troika: BCP / BPI/ CGD …

    Lá terá a coligação de os salvar da falência!

    1. Uma verdadeira NÓDOA continuam a ser os seus comentários.
      A para da NÓDOA da substância dos mesmos está a sua (in)capacidade de acrescentar algo com o mínimo interesse à discussão dos temas.

  6. Boa tarde
    Se o prognóstico do excelso blogger se cumprir, mais os lúcidos comentários em anexo só uma resposta se pode encontrar – a fábula de Salazar estava certa. Os portugueses são incapazes de viver em democracia. A pérola em que se compara Soares Carneiro a António Nóvoa só do reino aparente, em que jornalistas e comentadores se “vendem” como grandes opinion makers, mas na verdade são só e apenas as trombetas da pobreza cultural em que o país está mergulhado, pela desistência cívica em que se vive. E porque não o Tio patinhas ou o Donald, são conhecidos. Fazer do que é conhecido o critério essencial numa instituição diz tudo sobre os grandes valores da cidadania em que vivemos alegremente. Obrigado.

    Luís Campos.
    Porto – 18.04.2015

    1. Isso da participação cívica e da cidadania é uma falácia intelectual. Esta destestável república é um Estado de Direito. Não aprecio particularmente a modalidade mas é assim que esta chafarica está organizada.

  7. O apoio generoso de tres ex presidentes se continuarem a falar mais do que o bom senso aconselha serve de menos e não mais votos. Continuo a achar no mínimo curioso que quase todos os analistas excluam o Rui Rio que se ele quiser será o próximo presidente.

  8. Parece não ser assim tão mau, é que se fosse, já teria caído no esquecimento e pelos vistos ele mexe e aborrece os que o querem ver pelas costas.

  9. “Não perca a serenidade” porque o momento não está para candidatos conhecidos.
    Deixe a poeira assentar.

    1. Concordo com a primeira.
      A poeira não vai acentar nunca. Isto é o novo normal. E ainda vai ter saudades destes tempos.

      1. Quando a poeira tiver acento ( O substantivo acento refere um sinal gráfico e diacrítico que assinala a tonicidade de uma sílaba, bem como ao timbre, tom de voz e sotaque típico de uma região. Pode significar ainda um destaque dado a alguma coisa. O substantivo assento refere, principalmente, a um local onde podemos sentar, como um banco ou cadeira, bem como a uma base segura para alguma coisa. Refere-se ainda às nádegas ou à parte da roupa que fica no local das nádegas. Também pode significar um registro ou uma declaração de natureza oficial, bem como juízo e prudência ou paz de espírito. Assento pode ser ainda a forma do verbo assentar conjugado na 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo.) a saudade bater-me-á à porta, certamente.

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