Que os bancos aceitassem avaliações optimistas para poderem conceder montantes superiores de crédito à habitação deveria ser problema deles. Que PSD e CDS tenham recuado na legislação que permitiria saldar a dívida com a entrega do imóvel é uma injustiça e um erro político – os tempos não estão para favores aos banqueiros.
Um ponto em que concordo com BE e PC
escafandro,

Não concordo.
Se uma pessoa entrega a casa ao banco para pagar a hipoteca, é evidente que tem que se avaliar a casa para saber se ela vale, hoje, o valor dessa hipoteca. Isso é para mim evidente.
As pessoas têm pelo menos tanta culpa quanto os bancos na inflação que os preços das casas tiveram. Se uma pessoa aceitou pagar um valor disparatadamente alto por uma casa, deve-se responsabilizar pelas consequências.
As casas devem, em cada momento, ser avaliadas pelo valor que hoje têm, não pelo valor que tiveram no passado ou que poderiam eventualmente ter. É inaceitável que uma pessoa entregue uma casa ao banco como valendo 50.000 quando ela hoje só vale 40.000.
Ok, vamos ter que concordar em discordar. Quando um banco exige uma avaliação, devia estar a assumir o risco de ela ser mal feita ou não levar em conta alterações das condições económicas. Até porque é ele que tem (ou devia ter) know how para avaliar as perspectivas da economia e também porque tem várias formas de se proteger: em vez de financiar a 100%, financie a 80% ou a 60%.
O banco, ao emprestar dinheiro a um indivíduo, está sempre a assumir um risco – o risco de não receber esse dinheiro de volta. Risco esse que, aliás, atualmente se está a concretizar para muitos bancos. E risco esse que, evidentemente, é tanto mais elevado quanto maior fôr a quantia emprestada.
Portanto, não há dúvida de que os bancos no passado assumiram, por sua culpa, riscos elevados. E muitos deles estão agora a pagar bem caro esses riscos – estão com montes de crédito malparado. É bem feita, não tivessem emprestado estouvadamente.
Agora, daí não decorre que os bancos agora devam ser penalizados sendo obrigados por lei a receber como paga pelas suas hipotecas bens que não valem o valor delas.
Provado que a casa foi avaliada por preço superior, ou que no empréstimo foi metido o necessário para os electrodomésticos, ou até o carro, como dizem que aconteceu, a entrega ao Banco da casa deveria saldar a dívida.