Soube hoje pelo Contra-Corrente de José Manuel Fernandes na Rádio Observador, que a EU estima que dentro de vinte anos – que será aproximadamente quando a geração que nasceu com o actual regime político se começar a reformar – o valor das pensões será de cerca de 54,5% do último salário. Poucos anos depois este valor será reduzido para 48,2%, sendo actualmente de 74%. Se nos lembrarmos que estes valores são calculados sobre uma base salarial que já é baixa, será fácil antecipar uma subida significativa da pobreza no país.
Este é um assunto que é abordado com alguma frequência, mas não mobiliza vontade política suficiente para que sejam feitas reformas efectivas. O envelhecimento da população, que resulta de uma natalidade insuficiente, assim como de um aumento da longevidade, leva que este assunto se compare a uma bomba relógio, pois sabemos que irá explodir, só ainda não sabemos é quando.
A insuficiência da natalidade leva também a que os jovens tenham cada vez menor peso eleitoral, e isso acentua a dificuldade em tomar medidas para resolver este problema. Já aqui escrevi sobre isto, e de facto o futuro está demasiado ausente das escolhas política.
Soube, através do blog Tempo Contado de José Rentes de Carvalho que, na polémica Hungria e perante problemas da mesma natureza, os casais com quarto filhos ou mais estão total e vitaliciamente isentos de IRS. Esta é uma medida do género das que trocam impacto financeiro imediato nas contas públicas, por longevidade ao sistema. Abdica-se da disponibilidade no curto prazo em troca de um benefício futuro. É claramente um investimento. Dirão que cá não existe disponibilidade orçamental para uma coisa destas, mas bem sabemos que esse não é o ponto, pois dinheiro na mão da imensidão dos organismos do estado é o que não falta.
Os municípios nunca tiveram tanto dinheiro. Têm sido construídas vastidões de tretas sem jeito. São pontes pedonais, miradouros, ciclovias, baloiços ‘instagramáveis’, passadiços, rotundas, pavilhões multiusos, obeliscos, entre muitas outros devaneios com a desculpa de que é necessário desterroar os fundos europeus. Aqui em Porto de Mós, o anterior executivo municipal apostou o Joker dos fundos UE num arquivo municipal. Ao arquivo acrescentou um museu não comparticipado. Contas feitas o que afinal deixou foi apenas uma obra entregue a uma empresa falida e que cinco anos após o lançamento da primeira pedra ainda continua em bolandas.
Por motivo de rotina familiar, frequento a piscina municipal da Batalha. É óptimo que este tipo de infraestrutura exista também fora dos grandes centros, mas a realidade é que não é invulgar estarem no edifício mais funcionários do que utilizadores. Cada vez que não consigo deixar de ignorar o que está à frente dos olhos, lembro-me que existem no país quase trezentos municípios, que a pobreza aflige um quinto dos portugueses e que um terço dos pobres têm emprego.
E estamos assim.

Não se preocupe, os migrantes vão resolver o problema da demografia. Já perdi a conta ao número de vezes que ouvi esta profissão de fé por parte das almas que nos pastoreiam.
Um grande aumento de migrantes pode ter outras consequências políticas, além de que se trata de uma população que num período de crise mais facilmente pode abandonar o país. É uma tentativa de responder a um problema que se reconhece mas que por calculismo político se finge ignorar.
principalmente porque em Portugal o grosso da imigração é de gente altamente qualificada, e que vem auferir salários altos, logo pode proporcionar às suas extensas famílias grande qualidade de vida. O futuro é risonho.
em Portugal o grosso da imigração é de gente altamente qualificada, e que vem auferir salários altos
Há de facto muita gente altamente qualificada a imigrar vinda do Brasil.
E muita mais poderia haver, se em Portugal não houvesse políticas protecionistas da parte, nomeadamente, de algumas corporações como a Ordem dos Médicos, que dificultam a imigração.
Há alguma gente, incluindo na minha área, mas não muita gente. Fugidos ao crime e violência.
O mais importante é confiarmos no Preguiça.
Está a falar no bazuco?
Veja-se as licenças para tudo e mais alguma coisa como forma de sacar.
Há 40 ano um aspirador custava um ordenado minímo ou mais, hoje custa 1/10.
Jornalistas demonstrando mais uma vez a sua falta de curiosidade não notam como quase tudo relacionado com o estado ficou mais caro e como quase tudo na economia livre ficou mais barato – apesar dos custos que esse estado gargantual lhe impõe.
É só uma das histórias mais importantes deste tempo que não é contada.
Por outro lado um aspirador durava 30 anos, agora desmancha-se ao fim do tempo de garantia. O ciclo de vida dos produtos baixou.
Mas sim, o (real) custo de vida aumentou. O peso de electricidade, comida, transportes é maior, subiu proporcionalmente mais que os salários.
Tenho aqui aspiradores que custaram 50-60 euros e já estão com quase 10 anos. O peso da comida e compra de carro – apesar dos impostos baixou. Mas se está a incluir gasolina do qual mais de metade são impostos dee ter razão.
Um contentor de entulho dentro de Lisboa, com entrega, recolha e tratamento, por cinco dias úteis aluga-se por 120€+iva. Marcar de véspera é suficiente. A câmara municipal cobra de taxa de ocupação de via pública 102€ e está a demorar duas semanas a emitir as guias.
A Economia Política cobra cada mais. O xerife de Nottingham é um manual para boa parte das Camaras Municipais do pais
não é invulgar estarem no edifício mais funcionários do que utilizadores
É, a natação não é nada popular cá em Portugal. Conheço o mesmo panorama da piscina municipal de Oliveira do Bairro. Por sinal uma piscina excelentíssima, do melhor que já vi, mas que é bem pouco utilizada.
Mas em Lisboa o panorama não é muito diferente: as piscinas são cada vez menos, mas mesmo as que há tendem a estar às moscas.
O “investimento” em piscinas públicas será ainda mais popular do que a sua utilização, por diversos motivos, em primeiro lugar porque não é pago por nós, e em segundo porque serve para criar uns empregos.
Ao lado contam-se tostões para ir às compras mas o povo é sereno.
Não esquecer que é mais caro mantê-las que propriamente construí-las.
Essa é outra, arranja-se fundos para construir estruturas, ninguém conta com quanto é preciso para manutenção
Para quê discutir um problema que não tem solução? A natalidade é um problema insolúvel. Em todas as sociedades modernas, sem exceção, a natalidade é insuficiente, nalguns casos muito insuficiente, para manter a população. Medidas como a do governo húngaro (que em minha opinião são completamente irresponsáveis e erradas) conseguem, na melhor das hipóteses, aumentar a natalidade de forma muito temporária, durante uns poucos anos; a longo prazo, não fazem diferença.
Temos que manter a população estável por via da imigração. É a única forma eficaz de o fazer.
Essa opinião tem uma excelente vantagem para os nossos governantes, que é não ter de fazer nada e assim empurrar o problema para o futuro.
A Suécia tem conseguido recuperar a taxa de natalidade que tinha nos anos 60. As políticas de natalidade funcionam. Têm é de ser as políticas certas.
Muitos casais querem viajar e divertir-se e preferem ter cães a ter filhos. Estão no direito deles. Nada a fazer.
Muitos casais têm um filho e querem dedicar-lhe a atenção total. Nada a fazer.
Muitos casais querem ter mais filhos do que os que têm mas não arriscam por constrangimentos financeiros ou de trabalho. Aqui podem e devem intervir as políticas de apoio à natalidade. Porque como frisou o Paulo Sousa, haver dinheiro há, não está é onde é preciso.
Há uma outra questão que se prende com as expectativas dos casais. Os filhos dão muito trabalho e não são compatíveis com idas ao ginásio, saídas à noite nem com férias do outro lado do mundo. E isso tem também peso no resultado final.
Portugal tem uns fenómenos merecedores de estudo.
Rotundas, não só a disseminação (ainda estarei para perceber o porquê de uma rotunda ser assim tão melhor que um cruzamento com sinalização luminosa), mas as eternas remodelações, que passam pelo arrelvamento, ajardinamento, estátua, cimento, novo relvado, etc… também nunca percebi bem porque um objecto cuja função é ordenar trânsito tem de “estar bonita”, não é que o pessoal pare o carro a meio para apreciar a obra.
Ciclovias… a nova moda. Normalmente são vias que vão de lugar algum a sítio nenhum. O objectivo seria fazer um trajecto de bicicleta ao invés de carro (é assim na Holanda, por exemplo), em Portugal são trajectos de lazer. Ou laser.
A requalificação. Entregues à empresa que faz mais barato, muitas vezes esta vai à falência sequer antes de colocar o primeiro andaime. A maquete é invariavelmente maravilhosa, e os objectivos ambiciosos, o resultado final nunca bate certo com a mesma. Muito cimento, poucas estruturas que sirvam as pessoas, boas para a foto, combinam bem com o sol. As que almejam o topo do mundo não dispensam o bistrô ou o quiosque.
o porquê de uma rotunda ser assim tão melhor que um cruzamento com sinalização luminosa
É muito simples: não obriga os automobilistas a esperar inutilmente quando não vem ninguém do outro lado.
O balio sabe que é possível programar semáforos para abrir quando não há trânsito nas outras vias, certo?
Pois. Mas esses semáforos demoram tempo a mudar de vermelho para verde e vice-versa. Uma rotunda é muito mais prática, pois permite que o tráfego flua por ela ininterruptamente. Poupa aos automobilistas imenso tempo de espera.
em Portugal [as ciclovias] são trajectos de lazer
Eram. Atualmente, em especial com a distribuição ao domicílio (Uber Eats, etc), são cada vez mais utilizadas para trabalho.
São?
Raios, nunca vi uma mota da Uber ou Glovo numa ciclovia, apenas na estrada. Nem sequer vi alguma vez andarem de bicicleta. Mas também, moro na província.
Isso é uma verdade absoluta para quem toma o país pelo que vê em Lisboa, o que é redutor.
É verdade, eu nada sei sobre a existência de ciclovias noutras partes do país.
Perto da minha casa na aldeia, na Bairrada, não há ciclovias – mas ainda há bastante gente que anda de bicicleta.
Penso que, fora das cidades, não haverá muitas ciclovias. Mas posso estar enganado.
Há muitas e algumas são bastantes extensas.
https://www.ciclovias.pt/
Postante, com boa pre/visão.
Não há manás.
Não cai do céu.
É a vida.
Talvez, por isso, tanto políticos, sem outro modo de vida, buscam, arriscam, acautelar reforma antecipada.
Não sei se me faço…resignadamante.
Não há nada de novo debaixo do Sol.
Salvo ilusão e vento que passa.
Haja saudinha….
Melhor que isto é possível.