Portugal vive de ciclos mediáticos. País tacanho e medíocre, mobiliza-se com as vagas de fundo promovidas pela comunicação social e rapidamente perde o interesse assim que os focos de luz se apagam. Discute durante meses a fio o aborto e logo o esquece para sempre. Debate a Europa, mas cedo deixa cair o tema na obscuridade. Emociona-se com crianças “que passam fome” até mergulhar numa árida discussão sobre bancos ou violência suburbana, a qual tem também curta duração. Vive por blocos. Desperta, vocifera, entusiasma-se, e em seguida é vencido por uma súbita inércia. Até que novo tema mediático o arranque da sua letargia. Portugal existe algures no seio desta bipolaridade que o alimenta e simultaneamente o turva.
Um país esquizofrénico
josegomesandre,

“Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção.”
Miguel Torga, Fonte – Diário (1946)
“Portugal vive entre o optimismo desmiolado e o pessimismo apocalíptico”
Autor desconhecido
(pelo menos para mim)
Disseram na televisão ou apareceu nos jornais , então é porque é verdade !
Pensar pela própria cabeça dá uma grande trabalheira , até obriga a estudar minímamente as situações …
Um país bipolar. Ora nos píncaros, ora a chafurdar na lama.
Viver assim é uma lástima.
Os ciclos mediáticos demonstram o poder dos media mais nada. A maioria deles não tem nada que ver com o País.
O País quer futebol, um emprego garantido e uns petiscos.
Veja-se este ultimo da tentativa de linchamento de José Seguro…
Esses fenómenos não têm nada a ver com Portugal em exclusivo. Pessoas que eu conheço noutros países (Inglaterra, Alemanha, EUA) queixam-se do mesmo. Portanto a nossa boçalidade e tacanhez deve estar mais bem expressa noutros fenómenos. Eu apontaria para o mau urbanismo, o mau gosto e o Benfica (passo a redundância).
De acordo com o que diz. São os fogachos a que somos tão dados.
A única discordância é quando diz que há “discussão”. Não há. Há barulho e argumentos de mesa de café. Livros Brancos, Livros Verdes isto é, (como lembrava no outro dia Nuno Garoupa) uma discussão séria em termos de 1º mundo, quantas tivemos?
Não me lembro de nenhuma e o país continua dominado pelo autoritarismo. Do “acordo ortográfico” – por um criminoso muro de silêncio, ao TGV, ou ainda as privatização, os estudos dos problema e a sua posterior discussão são um processo inexistente.
Pessoas que conheço lá fora (EUA, Inglaterra, Alemanha, etc) queixam-se do mesmo. Não vejo em que medida uma sociedade dominada pelos media (média, em bom latim) é uma especificidade portuguesa. A falta de rigor, ao contrário, parece bastante típica, mas na verdade é um problema que deriva do primeiro.