Um país de tanga


josegomesandre,

O que está a dar são debates sobre o casamento homossexual, ameaças veladas pelos abrantes do costume e sentidos apelos a mais uma vigília por um activista qualquer. Entretanto, Daniel Bessa publicou esta breve peça. 

 

"Dez mil milhões de euros/ano. É quanto, entre aumento de receitas e diminuição de despesas, o Estado Português tem de reduzir o seu défice anual. Não para o anular mas para o trazer para os 3% do PIB. […] Pode fazê-lo de vários modos: subir a taxa máxima do IVA para 35% (e as outras proporcionalmente); subir a taxa máxima de IRS para 87% (e as outras proporcionalmente); reduzir em 47% os salários da função pública; privatizar 35% dos serviços públicos. Pode também proceder a qualquer combinação destas e de outras medidas, em doses variáveis: por exemplo, reduzir para metade o investimento público, fixar a taxa máxima de IVA em 23%, fixar a taxa máxima de IRS em 52%, privatizar ou encerrar 7,5% dos serviços, reduzir em 10% os salários dos restantes funcionários públicos."

 

Num país que não tivesse as suas prioridades completamente baralhadas, este texto assustador justificaria um alarme generalizado. Por cá, no pasa nada.

11 comentários em “Um país de tanga”

  1. Tem toda a razão…se alguém ainda desse crédito a Daniel Bessa. O problema é mesmo esse: não existem, em Portugal, economistas independentes, todos estão, mais ou menos, “ligados” a um partido político e “servem” os interesses desse partido. Assim ninguém acredita…

      1. Objectivamente, está absolutamente correcto.
        Mas há uma frase chave no texto: «Pode também proceder a qualquer combinação destas e de outras medidas, em doses variáveis»

        A chave é “combinação” e “outras medidas”.

        O défice de 2009 explodiu porque, por um lado o PIB se contraiu e, por outro lado, a despesa do Estado aumentou como parte da resposta do Estado à crise internacional.

        Uma vez que a economia mundial retome, retomar o objectivo de ter um défice inferior a 3% vai requerer uma combinação de todas as medidas que o Daniel Bessa refere e mais algumas em doses dolorosas mas dificilmente tão bombásticas como as que ele refere.

        Repare que antes da crise internacional, mesmo com crescimento anémico que a nossa economia tem desde 2005, o objectivo dos 3% estava à vista.

    1. Daniel Bessa tb teria mais credibilidade se os seus “exercicios” fossem honestos. Este não é.

      Ele saberá bem que que existem, pelo menos, 4 factores para reduzir o défice:
      1 – Aumento das taxas de imposto
      2 – Aumento da eficiência na colecta fiscal
      3 – Redução da despesa
      4 – Aumento da actividade económica

      Para ser citado e “ficar bem”… Daniel Bessa prefere embarcar na escola Medina Carreira. Já percebeu que se for de outra maneira é ignorado.

      Para os seguidores desta teoria e que fazem este posts a pergunta que se impunha era a seguinte…se as soluções indicadas são as únicas possiveis para reduzir o d+efice para 3%…então temos de assumir que tb foram os mesmos factores que levaram o défice de 3% até 8% . Correcto?
      Não me recordo de o Iva ter descido para metade, ou o IRS, ou serviçso terem aumentado para o dobro, terem existido nacionalizações ou aumento de 40% nos funcionários públicos.

      Mas isto…não interessa nada. Não se lê neste blogue nem na capa dos jornais.

      miguel

      1. 1 – Ele refere-o;
        2 – Os ganhos serão cada vez mais pequenos (a menos, claro, que o Estado opte cada vez mais por democráticos métodos presuntivos);
        3 – Ele refere-o;
        4 – Nulo ou pouco acima disso em 2010, talvez na ordem de um e qualquer coisa por cento nos anos seguintes.

        Aproveitando #2 e #4, talvez baste então aumentar o IVA para 23% e diminuir os salários dos funcionários públicos em 8% (nota: ironia; não fiz quaisquer contas).

    2. Pois, pois, D. Clara.
      Continuem – V. e os confrades “socialistas” – a desdenhar de Daniel Bessa, Medina Carreira e todos os demais que não alinham pela irresponsável cartilha socretina e vão ver o enterro que o futuro próximo nos reserva.
      A inconsciência tem limites, caramba!

    3. E neste caso, Bessa está “ligado” a quem? Que me recorde, foi ministro socialista. E depois? A mim interessam-me debater ideias, não pessoas, e acho bem pertinente este apontamento. Venha ele de uma pessoa alinhada ou não…

  2. … de forma sensata analisado

    A riqueza desbaratada
    sem qualquer critério,
    a economia enquistada
    com tanto despautério!

    Nestes anos desperdiçados
    entre mentiras e ilusões,
    tantos ensejos passados
    baseados em falsas razões.

    Caminhos tão diferentes
    para o défice reduzir,
    nestes anos incoerentes
    com a dívida a reluzir.

    São dez mil milhões
    para a coisa acalmar
    exigidos aos mexilhões
    sem poderem reclamar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *