Um mês depois


Pedro Correia,

Um mês após a realização das eleições legislativas, as “forças maioritárias” que prometem constituir um “governo de esquerda” ainda não conseguiram sequer entender-se sobre a apresentação de uma moção de rejeição conjunta ao executivo PSD-CDS. “Ponderamos e, ao mesmo tempo, não ponderamos”, diz com involuntário humor alguém do inenarrável partido ‘Os Verdes’, que teima em permanecer na bolsa marsupial do PCP. Uma frase que serve de legenda perfeita ao actual momento político.

Andamos nisto. A coisa promete.

0 comentários em “Um mês depois”

  1. Ou, o que é quase o mesmo:

    Um mês após a realização das eleições legislativas, as “forças maioritárias” convidadas a constituir “governo” ainda não conseguiram sequer fazer a apresentação do programa conjunto do executivo PSD-CDS.

    1. Conseguiram formar coligação e formar governo. O programa será apresentado no prazo definido pela Constituição. Já há data marcada.
      Do lado oposto, até agora, só palavras – aliás contraditórias. Nem acordo sequer para a apresentação de uma moção de rejeição conjunta ao Governo. Ou seja, nem o mínimo dos mínimos.

      1. O Pedro não acha extraordinário não se conhecer ainda o programa deste governo?
        – Eu acho.

        Quanto ao resto, eu ainda não sei se o Costa vai aproveitar para fazer nova cambalhota, por isso é muito cedo para falar noutro governo.
        Este governo nasceu morto, mas pode interessar a Costa mantê-lo morto-vivo mais uns tempos.
        Costa já secou a ala esquerda do PS, aparecendo como o mais esquerdista desde sempre, e facilmente secará a ala direita, fazendo o pino, argumentando incompatibilidades insanáveis com o PCP e BE.

        O “derrotado” está numa posição tão favorável que só se queima se não souber jogar com os humores.

        1. Com tanto contorcionismo o visado ainda se arrisca a um torcicolo. Mas folgo em saber que há quem aplauda contorcionistas. Mesmo após perderem por muito quando tinham afastado “camaradas” por vencerem por pouco.

          1. Ora, Pedro, por ventura não está a insinuar que eu aplaudo, ou aplaudi, a actuação do Costa?

            Apenas gosto de ver as coisas com a distância de quem não está comprometido com nenhuma “facção”.

            Também por isso, não tenho problemas em ver a “alternativa à esquerda” como interessante, especialmente quando o chamado “arco de governação” deixou o país de rastos nas últimas décadas.

            Mas é claro que ainda me lembro das “mocas de Rio Maior”, e por isso todo o medicamento deve ser tomado com a devida atenção.

  2. Olá, Pedro!

    Para além da realidade, nua e crua, dos factos, a sua maneira de escrever, de apresentar as “coisas” merece nota 21.
    Aguardemos, mas vamos mesmo aguardar! Parece-me que os cordões das bolsas das maiorias minoritárias estão-se a passar e não a apertarem-se, a juntarem-se.
    Tenhamos calma e mantenhamos a determinação e a elegância.

    Abraços.

  3. E alguém conhece o programa PAf ?

    Nem antes das eleições se sabia qual era e muito menos agora, até se ouve em surdina que podem apresentar o programa do PS.

    O bloco Paf tem uma atitude tão calculista e dolosa que nem sequer conseguiu enviar um esboço do OE para Bruxelas por mera táctica eleitoral.

    O Pedro Correia e os outros Pafs andam completamente á nora por não poderem fazer o circo que pretendiam com as medidas que eventualmente serão apresentadas pela ” frente de esquerda ” e agora invocam a Constituição, o ” espirito da lei “, a ” tradição democrática ” , o exemplo Grego para tentaram escorar a sua legitimidade quase divina de se manterem á frente dos destinos da Nação.

    P.S. – Que posição lhe merecem estas noticias Pedro Correia ?

    http://economico.sapo.pt/noticias/cimpor-avanca-com-despedimento-colectivo_231907.html

    http://observador.pt/2015/11/03/fabrica-bolachas-triunfo-vai-encerrar-cerca-centena-vao-despedidos/

    http://www.dinheirovivo.pt/empresas/unicer-fecha-fabrica-em-santarem-e-despede-140/

    http://economico.sapo.pt/noticias/somague-anuncia-despedimento-de-300-trabalhadores_230810.html

    Se isto está tão bom o porquê destes FACTOS e por coincidência (ou não) todos a seguir ás eleições, já em contrapartida no ultimo mês de Setembro foi um rol de nomeações para o Estado por parte de quem disse que não ia dar emprego á boyada.

    http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/nomeacoes-a-jacto-7845203

    1. Mais um chuto para canto. Aliás este nem foi para canto: foi uma charutada p’rà bancada.
      Já lhe disse que você devia trocar de guru. Evitava escrever tantos disparates. Como esse de a coligação não ter programa eleitoral. Os factos desmentem o guru e os pequenos papagueadores como você que lhe servem de câmara de eco:
      http://www.portugalafrente.pt/assets/programa-paf-2015_email.pdf

      Deixe lá o guru das barbas e comece a reflectir sobre isto:
      http://economico.sapo.pt/noticias/investidores-dao-sinais-de-desconforto-com-incerteza-politica_233619.html
      Não basta papaguear o que escuta em programas televisivos e vir repetir aqui nas caixas de comentários. Convém raciocinar um pouco, para variar.

      P. S. – O que ocorre nas bolachas Triunfo e noutras empresas privadas terá alguma coisa a ver com o facto de a coligação social-comunista persistir em não dar sinais de vida?
      Enfim, outra charutada…
      Mas se gosta tanto de acompanhar o que se passa nas empresas privadas aqui lhe deixo algumas hiperligações para a troca, todas das últimas 24 horas:
      http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/proceramica_cria_62_postos_de_trabalho_em_proenca_a_nova.html
      http://economico.sapo.pt/noticias/start-up-portuguesa-uniplaces-bate-recorde-de-financiamento_233607.html
      http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/telecomunicacoes/detalhe/meo_regressa_ao_topo_do_investimento_publicitario.html
      http://www.dinheirovivo.pt/empresas/ctt-devera-ter-lucros-de-583-milhoes-ate-setembro/
      http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/telecomunicacoes/detalhe/lucros_da_nos_terao_aumentado_29_no_terceiro_trimestre.html
      http://economico.sapo.pt/noticias/autoeuropa-vai-produzir-novo-modelo-vw-em-2017_233587.html
      http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/turismo___lazer/detalhe/conde_nast_portugal_tem_dois_hoteis_entre_os_melhores_do_mundo.html

      1. ” O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar “

  4. As conversações para a formação de governo são um rito da democracia. Mesmo que, eventualmente, demorem muito tempo (e não faltam exemplos, noutros países, de conversações que duraram muito mais do que um mês). O Pedro Correia, que gosta tanto dos ritos da democracia, deve respeitar também este.

    1. Respeito tudo. Mas não deixa de ser irónico que a porta-voz da coligação das esquerdas, Catarina Martins, se tenha apressado há duas semanas a declarar, impaciente, que o “acordo à esquerda” estava pronto e era portanto “perder tempo” indigitar um governo liderado pela força política vencedora das eleições. Foi a 20 de Outubro.

        1. Temos assim um dos arautos progressistas mais assíduos e como agora se diz mais assertivos, por aqui, a matar um assunto com um lapidar argumento do mais puro marialvismo. Estamos conversados em matéria de seriedade argumentativa.

          Ou então o Lavoura sabe de algo muito sério sobre a pessoa em causa e a solidez dos seus créditos enquanto líder partidária e potencial governante, ou decisiva influente, pelo menos, sobre um potencial governo. E a ser assim, salva-se talvez a justeza opinativa do Lavoura, ainda que apenas quanto à pessoa em questão, mas bem se podem com isso confirmar os piores receios quanto à sorte próxima de todos nós. Muito reconfortante.

          O que pensará disto, além de todas as senhoras, a D. Fátima que recentemente nos deu a graça da sua frequente presença por aqui?

          Costa

  5. Será que não ou interessará parecer o que parece? O segredo é a alma do negócio. Também a coligação não diz nada do Orçamento de Estado. Que se estará a passar com esse Orçamento? Estarão a mudar o seu conteúdo e a pô-lo mais moderado? Deixe os Verdes que parecem incomodá-lo muito, tal como incomodava o Sócrates. Se não o incomoda a impressão que deixa, a quem está de fora, é essa.

      1. Não meu caro, não sou militante desse partido, o que não me impede de dizer que esse partido-canguru o incomoda que se farta. Não se aflija porque são tão benignos que não fazem mal a ninguém, só defendem a natureza e essa agradece.

  6. O Cenáculo… Para descontrair:

    ” … De outra vez discutia-se sociologia. Tinha-se falado das fontes do direito, das origens da propriedade, do socialismo, da revolução. Tinha-se feito a análise de todos os programas, a crítica de todos os sistemas. Tinham-se arrancado ao assunto quanto ele podia dar: factos, ideias, ditos, gargalhadas, versos alexandrinos, caricaturas, entrechos de dramas, planos de conferências, projectos de livros didáticos, de panfletos revolucionários e de libretos de ópera cómica…. Por fim houve uma resolução prática: Pedir ao Estado a ilha das Galinhas e ir para lá o Cenáculo ensaiar formas de governo. O programa era principiar pelo regime despótico, com quatro ministros e uma forca. A forca havia de ir feita do continente e seria experimentada no reino, na véspera da partida, e na pessoa de um facínora, que também se teria de pedir ao governo. Queirós, que havia de ser o ministro da Polícia, achava pouco um forca e não respondia pelo sossego público da ilha se não o deixassem levar igualmente um grelha, em ponto grande, para frigir os filósofos, se lá os houvesse. Além de que iriam também os petrechos das velhas tiranias, sem as quais seria impossível estabelecer um domínio forte e perdurável.
    “… Como o pessoal do Cenáculo era pequeno foi indispensável a acumulação de algumas nomeações, Assim, por exemplo, Salomão Sáragga seria o ministro dos Cultos e ao mesmo tempo o carrasco. Batalha Reis havia de sujeitar-se ao ser o ministro do Fomento e ao mesmo tempo a fazer de povo sempre que as necessidades do fomento levassem o Governo a consultar a vontade popular. A força armada, e bem assim o alto clero, havia de ser um sujeito que por esse tempo chegara de Coimbra e sobre cuja longa estatura o Cenáculo procedera a repetidas investigações, sem nunca lhe ser possível descobrir qual destas duas coisas era — se o Eixo da Terra se o Dedo do Infinito.

    –Mas — perguntou-se — e o tirano quem há-de ser?
    Então Quental …” O tirano bem vêem vocês que não posso deixar de ser eu!
    O ministério, que estava já então todo organizado, e que se achava sentado à roda, em cadeiras, tremeu diante da responsabilidade terrível de lhe dar a coroa. Se ele, depois de se apanhar com as rédeas do Governo, roesse a corda aos seus antigos companheiros! Ninguém por certo desconfiava dele no momento a; mas que sabe o que ele seria no momento b? Quem poderia responder por aquilo em que se tornaria o tigre depois de coroado, sagrado e ungido?! Não poderia a fera começar por devorar o seu pr´prio ministério? Não poderia muito bem Queirós ir malhar com os ossos acima da mesma grelha que ele tão patrioticamente destinara ao espetáculo augusto da filosofia torrada? Não começaria o Eixo da Terra, na sua qualidade de força pública, a exercer as suas funções na ilha, obedecendo servilmente a um real gesto do príncipe e crescendo para a Batalha com a alabarda das solenidades régias?!

    Estas e outras considerações obrigaram o Cenáculo a não dispor nessa noite do trono da ilha das Galinhas. E Eis aqui está por que motivo o País se viu privado de saber talvez a estas horas, por meio de sucessivas experiências feitas por pessoas idóneas, qual a a definitiva forma de governo que mais conviria às necessidades públicas…

    Em ” Farpas “

  7. É a prova de que a uma maioria aritmética não corresponde uma maioria política e um conjunto operativo de programas – e de como 3 partidos derrotados não têm de facto grande legitimidade e correspondência com a “vontade inequívoca dos Portugueses” que o monhé anunciou ao mundo. Cada vez mais temos a democracia (o voto) afastada da política. Tenho até quase a certeza de que se houvesse eleições agora mesmo os dois partidos que nunca perdem (surpresa, agora são 3) não tinham mais de 10% juntos.

    Mas enfim é assim que se faz na escandinávia portanto como eles são melhores e mais louros é melhor fazer como eles fazem porque isso de ter identidade própria e maneiras próprias de fazer as coisas é para os velhos do restelo que não querem evoluir, como os Ingleses.

  8. Esta forma morna de fazer politica em Portugal, encerra a essencia de precisarmos duma varridela do regime. Esta gente (arco governação) acha que tem todos os direitos per si e que não precisa , mesmo que para o retrato, de mostrar mais empenho. Os ingleses apresentam o governo na noite em que ganharam as eleições; claro foi para isso que as pessoas votaram , não foi para irem estudar o sexo dos anjos.

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