Um herói chamado Sócrates


Pedro Correia,

 

Tiveste jeito, como qualquer de nós,
e foste campeão, como qualquer de nós
(…)
Belarmino:
Quando ao tapete nos levar
a mofina;
tu ficarás sem murro,
eu ficarei sem rima,
pugilista e poeta, campeões com jeito
e amadores da má vida

Belarmino, poema de Alexandre O’ Neill

 

Houve uma época em que se tornou politicamente correcto proclamar que ninguém tinha heróis. Destacar uma individualidade no meio da massa informe era um luxo burguês, um pecado burguês: o que interessava então era “o colectivo”. Felizmente esses tempos foram passando com o virar das modas e o indivíduo dotado de talento singular, irrepetível, insubstituível, recuperou o lugar que lhe é devido nas páginas da História.

Por mim, nunca tive qualquer problema em prestar o meu tributo a figuras que nos mais diversos domínios considerei exemplares. No futebol praticamente ninguém justificou tanto a minha admiração como aquele talentoso médico brasileiro que jogava com uma classe insuperável e deslumbrou o planeta no Mundial de 1982. Dotado de excelente técnica, o capitão dessa equipa fazia passes perfeitos, colocados milimetricamente nos pés dos companheiros. Vários deles surgiam da forma mais inesperada: de calcanhar. E era também um exímio marcador de golos — sem nunca perder a pose de cavalheiro.

Correram mundo as imagens dos passes de calcanhar de Sócrates na última selecção romântica do desporto-rei, que teve o seu momento mais alto naquele campeonato, disputado em Espanha. Era uma selecção de sonho. Com Falcão, Zico, Eder, Careca, Edinho, Júnior, Serginho, Toninho Cerezo.

Uma selecção derrotada na meia final pela Itália de Paolo Rossi, fria e calculista, que viria a conquistar a taça.

Mas o Brasil caiu de pé, ovacionado por adeptos do futebol de todos os continentes. Fazendo lembrar aqueles versos magníficos que Alexandre O’ Neill dedicou a Belarmino Fragoso, efémero campeão nacional de boxe: “Esperam de 1 a 10 que a gente, oxalá, não se levante / — e a gente levanta-se, pois pudera, sempre.”
Um dos jogadores mais influentes dessa selecção declarou, em jeito de remate: “A coisa mais gostosa era jogar ali, era uma delícia.”

Palavras de um homem que encarava o futebol como arte e não como indústria. Era um verdadeiro desportista: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, agora falecido aos 57 anos. Um dos meus heróis não volta a jogar.

Imagem: a selecção brasileira de 1982. Sócrates, com a braçadeira de capitão, é o segundo à esquerda, em baixo.

47 comentários em “Um herói chamado Sócrates”

  1. Fria? A Italia jogou muito bem os 3-2. Foi um jogo aberto e quente. E ainda com um golo anulado legal à Itália.
    Como já era do contra dei pulos de contente contra o unanimismo.

    Mas também é essa a imagem que fiquei de Sócrates um cavalheiro a jogar.

    1. Não me referi ao jogo concretamente. Referi-me ao conjunto da prestação da ‘squadra zurra’. Como deve lembrar-se, os italianos chegaram à meia final vencendo apenas um jogo, enquanto os brasileiros chegaram a este desafio 100% vitoriosos. A meia-final foi, de facto, emocionante. Os brasileiros, derrotados pela margem mínima, ainda hoje são recordados como uma das melhores selecções de sempre. Dos italianos, embora vitoriosos, não podemos dizer o mesmo. Ironias do futebol…

      1. Concordo com a homenagem a Sócrates, a este, só é pena mais uma vez meter os pés pelas mãos, o Brasil não chegou às meias finais, este jogo fez parte de um grupo numa 2ª fase, equivalente aos quartos de final, com Brasil, Itália e Argentina. Calhou ser o decisivo do grupo, em que o empate até servia para o Brasil se qualificar. Nunca torci pelo Brasil nos mundiais, mas esta equipa foi mesmo a melhor que me lembro de ver jogar.

      2. Não foi na meia-final. Foi na segunda fase. O Brasil só precisava de um empate para chegar à meia-final (o formato era diferente e não existiam quartos de final) por ter ganho à Argentina por 3-1 enquanto que a Itália tinha-lhes ganho por 2-1. Como a Itália ganhou à Argentina (de Maradona marcado implacavel mas lealmente por Gentile) e ao Brasil, a verdade é que chegou à meia-final com duas vitórias. Com a vitória nas meias-finais (Polónia de Lato e Boniek) e final (RFA de Rumenigge) acabou com 4 vitórias e 3 empates. Números muito respeitáveis, mesmo para uma equipa que saiu aos trambolhões e com alguma sorte (por golos marcados) da 1ª fase de grupos. Especialmente considerando que acabaram por vencer nas meias-finais uma das equipas dessa fase de grupos.

        Dos vencedores em campeonatos do mundo subsequentes, só o Brasil de 2002 foi campeão só com vitórias e não o foi a praticar um futebol particularmente interessante. A Espanha foi uma vencedora completamente justa do último mundial, mas com um futebol frequentemente chato em termos de emoção (há um limite para a quantidade de vezes que consigo emocionar-me com passes curtos: a partir do 145º começo a aborrecer-me, mesmo que seja uma táctica fabulosa) e o único com uma derrota. A Alemanha foi chata até basta no mundial de 1990, mas teve dois empates e cinco vitórias, uma mais que a Itália em 1982. O mesmo para o Brasil de 94, A França de 98 (se vitórias em prolongamento forem consideradas como empates) e melhor que a Itália de 2006 (quatro vitórias nos 90 minutos).

        O número de vitórias não é significado de bom futebol. A Itália demorou a carburar, mas quando assentou em 82, acabou por ser uma vencedora merecida. Talvez não tão brilhante como o Brazil o seria, mas uma defesa de papel e um ponta de lança de terceira categoria não chegam, nem quando se tem aqueles génios todos.

      3. Olá. Deixe-me relembrar só, alguns detalhes.
        Naquela altura, os grupos eram de 4 equipas, após a qual se organizavam novamente 4 grupos mas de 3 equipas. As 4 que passavam jogavam as meias-finais. Nesse ano a Itália jogou as meias contra a Polónia (2-0) que já fizera parte do seu grupo de apuramento. Por isso, o grupo de Itália e Brasil tinha mais a Argentina doe Maradona que a Itália derrotou por 2-1. A Final foi contra a Alemanha (3-1). Em final, só para dizer que o Brasil tinha o samba futebol, a Argentina as pampas futebol, a Alemanha a força futebol, e a Itália teve a organização global futebol. Na 1º fase só deu empates, mas a partir de aí, arrasou por completo toda a concorrência. Limpinho. Mas registe-se a arte dos artistas. E disso, ninguém retira o valor. Mas a Itália não era só Rossi . Tinha Tardelli , Antognioni , Zoff , etc. una squadra completíssima. Cumprimentos.

      4. Plenamente de acordo, aliás não voltei a ver futebol igual de tão mágico e empolgante que era. Penso que era um futebol que quase raiava a ofensa ás outras selecções pois em consequência da sua perfeição mais parecia que estavam a brincar com o adversário. Havia de facto unanimismo em volta desta selecção, mas como não poderia haver essa unanimidade se era um futebol maravilha?

    2. Concordo plenamente. Aliás, tirou-me as palavras da boca que tinha quando li o post sobre o Sócrates . E A Itália, jogou mesmo muito bem e com um golo limpinho anulado. Depois de um jogo feroz contra a Argentina de Diego Maradona em que a táctica foi afinada, aquele jogo contra o Brasil fica-me na retina como um dos melhores a que até hoje assisti. E nesse ano, pulava pela Itália. E nem larguei a tv a preto e branco pela de a cores, porque foi dando sempre sorte. Coisas, daqueles momentos. Abraço.

  2. O Mundial 1982, que decorreu em Espanha, foi o primeiro campeonato do mundo de futebol que acompanhei, quer pelos jogos transmitidos na RTP, quer pelos jogos transmitidos na TVE. Na altura, como vivia em Évora, era bastante frequente ver televisão espanhola sobretudo em transmissões desportivas, com o futebol e o basquetebol “à cabeça”, claro. Nesse mundial, na selecção “canarinha” brilhavam Sócrates, Zico, Falcão, entre outros. Sócrates, agora falecido, era um centro-campista de grande classe técnica e foi um dos meus ídolos dessa altura.

  3. Fabuloso jogador,pena que na vida pessoal optou por excessos que acabaram por interromper uma vida que deveria ser mais longa.

    1. Na vida, como em tudo o resto, não há “excessos”.
      Há, isso sim, “opções”, “escolhas”.
      E, quem sou eu para as julgar?
      O que sei, e isso é o que importa reter, sublinhar, destacar, guardar: este Sócrates foi um atleta ímpar, um cidadão exemplar (no sentido que se insurgiu contra a Ditadura militar, com riscos óbvios) e, ao que parece, um ser que gostava de sexo, samba e cachaça…muito!
      Saravá, doutor Sócrates!

  4. Pedro,
    já escrevi no meu blog que considero a selecção brasileira de 1982 como a melhor de todas (das que me lembro, obviamente!). Recordo com saudade aquela tarde de Verão, na tasca do Manolo – um galego mais português que muitos que nasceram em Portugal – à rua do Salitre, com a casa a pinha, a televisão por cima da porta de entrada e eu, num desenfianço” ao escritório, fui espreitar os artistas da bola, naquela final antecipada contra a Itália da má memória para o Brasil. Sócrates era um dos melhores jogadores do mundo.
    Ai como me lembro daquele “calcanhar de oiro”. Que descanse em Paz.

    1. Nós, que tivemos o privilégio de acompanhar esse Mundial passado em Espanha, jamais esqueceremos a prestação do ‘escrete canarinho’ em 1982. O que contraria esta tese sacrossanta dos catedráticos da bola: em futebol, só as vitórias contam.
      Enganam-se, esses catedráticos.

  5. Falar do Mundial de 1982. é recordar um trauma que persegue o futebol desde essa data, muito virado para a espectacularidade. Quem não acompanhou em directo esse Mundial, normalmente parte para comparações e procura muitas vezes demonstrar que o futebol brasileiro da altura tinha falhas. Como tudo na vida tinha falhas, mas tinha uma espectacularidade e talento uma que irá permanecer para todo o sempre. Poderá haver melhor, diferentes ou mais objectivos, mas já não há jogadores , como Sócrates, Falcão Zidane ( eu sei que é francês e surgiu 24 anos depois de 82) e Chalana . Com a morte de Sócrates, morre um um pouco do futebol arte.
    Até sempre Sócrates!

    1. Basta ver a ligação que deixo no meu texto a alguns momentos-chave dessa espectacular selecção de 1982 para se confirmar o que você diz, meu caro: com a morte de Sócrates morre também um pouco do que restava do futebol enquanto arte.

  6. Lamento, mas o Careca não jogou pela selecção do Brasil em 1982. Estava lesionado. No Mundial de 1986, no México, seria o melhor marcador do Brasil.

      1. Sem dúvida, mas longe de Socrates e parceiros. Sócrates, Toninho Cerezzo, Falcão e Zico, o melhor meio campo que algum dia se juntou para jogar futebol. A 5 de Julho de 1982, o Brasil foi derrotado pela Itália no Estádio de Sarriá em Barcelona num desafio a contar para o Mundial 82 com estes mágicos em campo. Depois desse dia nunca mais o jogo foi o mesmo. Em Sarriá, estádio que hoje já não existe, morreu uma certa maneira de encarar o futebol. Hoje, no dia em que nos deixa, prestamos homenagem a um dos maiores magos deste desporto que fez sonhar muita gente em todo o mundo.

        1. Penso o mesmo: esses cinco formavam a melhor linha de médio-ataque de que me lembro. Dava prazer vê-los jogar entre outros motivos porque se percebia que eles sentiam imenso prazer também: a arte superava a indústria, a estética suplantava o negócio. Daí a justa designação de futebol romântico para definir essa selecção. Mas era sobretudo futebol espectáculo – e que espectáculo!
          Lamentei tanto o afastamento do Brasil nessa meia-final como lamentei dois anos depois o afastamento da selecção portuguesa, também numa meia-final, no Europeu de França.

  7. em: http://oreporter.com/detalhes.php?id=65952

    “Adeus Magrão! Parte da história e do futebol vão com o Sócrates”

    “Habilidoso, talentoso, jogador de passos longos e passes precisos, de jogar de cabeça erguida, e de andar pela vida do mesmo jeito, Sócrates foi um ícone de uma época gloriosa do futebol brasileiro e de um momento histórico do país…
    Vá com Deus, com o punho fechado, a cabeça erguida e a elegância de sempre. Tenho certeza que será muito bem recebido por tudo o que fez, por tudo o bom que deixou em cada lugar por onde transitou.”

    esta música do jorge ben não foi composta para o magrão (é anterior à sua época), mas podia ter sido.

    http://www.youtube.com/watch?v=9nHbbWT1Jy4

  8. O Brasil apenas precisava de empatar para passar, mas tinha um “camelo” na defesa, chamado Júnior que após a marcação de um canto saiu da área a passo, deixando em jogo o Rossi em jogo para fazer o terceiro golo. Mas ninguém deu por nada e gabaram a Itália que não jogava nada e que só passou oa Camarões por ter marcado mais um golo….
    O Sócrates realmente era um senhor.

  9. Uma sentida palavra de homenagem a um grande jogador.

    Obrigado pelo sonho delicioso de ver jogar futebol quando eu ainda era menino.

    Lembro essa grande equipa do Mundial de 82, da qual o seu capitão ainda mais engrandecia.

    Até sempre Sócrates, onde quer que estejas podes saber que driblastes a própria morte pois o teu nome será lembrado.

    Descansa em Paz irmão.

  10. Um grande jogador, um grande homem.
    Ao chegar aqui em São Paulo ainda miudo não tive como não ser contagiado pelo Corinthians.
    E ainda miudo tive a oportunidade de ver este elegante senhor jogar e marcar grandes golos.

    Obrigado Doutor Socrates.

  11. Curiosamente todos se lembram do futebol que a selecção do Brasil desse exibia e da Itália a memória apenas se remete ao jogo da final. Será dos poucos mundiais em que não ganhou a melhor equipa! E a dupla Sócrates-Zico fazia maravilhas! Era uma equipa que punha perfume no futebol!

  12. SOCRATES foi um dos meus idollos de criança,foi com aprenção que soube da noticia da morte deste maravilhoso futebolista

  13. Vi todos os mundiais desde 1966 a 2010. A melhor selecção foi, de longe, a do Brasil de 1970: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino.
    Praticava um futebol de sonho, rápido, eficaz e artístico. Nunca mais vi nada igual.
    O Brasil de 1982 era uma boa equipa mas inferior à de 1970 e à Holanda de 1974 (que também não ganhou o mundial).

  14. Um jogador inesquecível, numa equipa (a desse mundial) igualmente inesquecível. Mas não estava lá o Careca (já estaria quatro anos depois no mundial do México). Se estivesse um jogador como o Careca no ataque do Brasil em 1982, e um guarda-redes de jeito, teriam sido campeões nas calmas. O avançado era o Serginho, que se atrapalhava com a bola a toda a hora (aos 40 anos ainda apareceria em Portugal para jogar no Marítimo); o guarda-redes era o Waldir Peres, que tinha uma característica única: em boa parte das bolas atirava-se para trás, caindo dentro da baliza. Na altura o seleccionador brasileiro, Telé Santana, era duramente criticado por ter uma equipa com nove jogadores de sonho e mais o Waldir Peres e o Serginho, mas também havia o argumento de que no campeonato brasileiro o Serginho tinha sido o melhor marcador e o Waldir Peres o guarda-redes menos batido. E o Brasil ficou pela segunda fase de grupos, não chegando às meias-finais, onde estariam a Itália, a RFA, a Polónia e a França. Lembro-me de cada jogo, mas o que está mais presente na minha memória é o da vitória da Argélia frente aos alemães. Eu era uma criança, aquele era o primeiro mundial que via, aquele para o qual fazia a primeira colecção de selecções, e além disso era o mundial dos primeiros jogos que via numa televisão a cores.

  15. Nao foi nas meias finais, mas sim na 2ª fase de grupos o que equivale agora aos quartos de final, nas meias finais a Italia ganhou á Polonia axo que 2-0 salvo erro.

  16. Independenetemente do que escrevi acima (numa resposta a outro comentário), Sócrates era um jogador único. Referir a sua faceta de intelectual de esquerda só é relevante pela palavra “intelectual”. Muitos outros jogadores flirtam com a esquerda ou a direita, mas não conheço um único caso de um jogador com a sua profundidade de pensamento (bom, talvez Thuram) em assuntos extra-futebolísticos. Concorde-se ou não com ele.

    No campo Sócrates era uma antítese daquilo que um jogador de futebol aparentemente deveria ser na sua posição. Embora tivesse começado como avançado e jogasse a médio atacante, a sua função era a de médio centro à semelhança do que vemos hoje em Xavi ou Iniesta. Não será um exagero dizer que tudo o que vemos em Xavi ou Iniesta já lá estava em Sócrates (e Falcão). No fim não chegou para compensar o futebol desequilibrado da sua selecção, mas deu ao mundo momentos que brilham.

    E a figura, senhores a figura…

  17. Foi sem duvida um dos melhores jogadores que eu vi jogar, assim como a seleção do Brazil de 82, apesar de eu ser um miudo aquando deste mundial, dava para ver como “eles se divertiam a jogar futebol”.

  18. Lembro-me de ver este senhor do futebol a jogar o qual me deslumbrou como para aqueles que gostam de futebol, como alguém aqui já referiu a Itália ganhou o mundial de 1982 mas o que perdura no tempo independentemente da vitória é a selecção do Brasil de 1982, ainda hoje quando falo com amigos ou colegas da minha geração que começou a ver os mundiais desde a Argentina (1978) somos unânimes em que a selecção do Brasil de 1982 foi a que melhor futebol jogava.
    Para mim Brasil de 1982 foi a que melhor futebol jogou existia romantismo na arte de tratar a bola o Dr Sócrates aquém hoje prestamos esta homenagem foi um desses ícones o qual fez que para mim o futebol nunca mais fosse o mesmo, chamamos os Brasileiros de brinca na areia mas gostava de ver mais desses magos de brinca na areia a jogar pois o samba que jogam realmente é fora de série.

  19. Para mim foi a Selecção que mais gostei de ver jogar Futebol.
    Por vezes não é necessário ganharmos para ficar na memoria de todos os amantes de Futebol.

  20. Sócrates foi o capitão da ultima grande selecção de futebol a disputar um mundial… Foi a melhor selecção de sempre que vi jogar. E foi a ultima porque nesse fatidico dia do encontro com a Italia, o Brasil abandonou para sempre o futebol espectáculo… Foi uma selecção a quem bastava um empate, esteve empatada 2 vezes e continuou a jogar para a frente, preveligiando o espectaculo, procurando a vitoria, sempre comandada por um grande senhor dentro de campo: capitão Socrates! Que grande jogador…
    E depois, tantas asneiras feitas na vida por quem tinha a obrigação de as evitar. Socrates não foi só jogador de futebol, era formado, tinha um nivel de cultura superior à maioria dos jogadores da época, e deixou-se cair sem honra nem glória no vicio da bebida!

    Mas sempre o lembrarei como o elegante jogador que galgava metros de cabeça levantada, olhava para um lado e colocava a bola redondinha no outro lado… além de ter um excelente pontapé de meia distância… Era na altura um dos jogadores mais completos do mundo!

    Que descanses em paz!

  21. Lembro-me desse campeonato.
    O Brasil ficou em quinto.
    Para aí chegar teve que virar todos os resultados; começou sempre a perder. Grandes individualidades mas uma nulidade como equipa. Esse tal Dre. Sócrates (será do nome?) fez parte dessa equipa por favor ou cunha. Estava lá imposto e não por merecimento.
    Fazia-me lembrar um tal Joaquim Sousa Santos que participou na Volta a Portugal em Bicicleta, em 1979, para ganhar ainda que isso só tivesse sido possível com desqualificação do Marco Chagas. Mas esse, ao menos, ganhou…

  22. Em 1982, tinha eu 10 anos, pela primeira vez acompanhei um mundial de futebol, pela primeira vez fiz a 1ª coleção de cromos, pela primeira vez ganhei o gosto em ver a seleção brasileira a jogar e pela primeira vez tinha mais que um ídolo do futebol, Eusébio, Zico e SOCRATES. br>
    Quando é a primeira vez, jamais nos esquecemos.

  23. Por causa da meia-final Brasil Itália, ainda hoje não é aconselhável ao Paolo Rossi andar de táxi no Brasil…sobretudo se o táxista tiver mais de 40 anos….eles nunca lhe perdoarão.

  24. O Brasil de 82 foi, de longe, a equipa que mais prazer me deu a ver futebol…Sócrates foi o seu expoente máximo.

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