1. Luís Amado, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, quer que a revisão constitucional contemple um valor máximo para o défice e para o endividamento. O vice-presidente da bancada parlamentar do PS Sérgio Sousa Pinto – que, obviamente, só fala com autorização expressa de José Sócrates – considera que esta proposta “não faz sentido nenhum”, é “ultra-liberalista” e “infeliz”.
2. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques, afirma num dia que o aumento da carga fiscal deveria ser aplicado a todo o rendimento anual e não apenas a partir de Junho. No dia seguinte, José Sócrates desmente o seu secretário de Estado, garantindo aos portugueses que as sobretaxas do IRS serão cobradas só quando entrar em vigor o plano de combate ao défice, ou seja, no início de Junho.
3. As medidas de austeridade recém-decretadas pelo Governo são para vigorar só até 2011, na perspectiva do primeiro-ministro. Mas isto foi há cinco dias. Neste período de tempo, como é sabido, muita coisa muda no mundo. Afinal, garante agora Teixeira dos Santos, essas medidas deverão vigorar pelo menos até 2013. Há muito que não via um chefe do Executivo ser desautorizado de forma tão categórica pelo seu ministro das Finanças.
Três episódios que demonstram bem como está o Governo socialista: em contínua derrapagem. À vista de todos, com uma transparência que não deixa lugar a dúvidas.


Finalmente, a transparência!
Transparente até mais não. Ninguém consegue já ocultar a evidência: este governo deixou de ter liderança.
Depois da entrevista de ontem, acho sinceramente que Sócrates se passou de vez. Já não lhe vejo nenhum elo de ligação com a realidade.
Não fosse o momento por que Portugal passa e dava vontade de rir. Sócrates e a sua cega obstinação e visão egocentrica do mundo desagua na debandada intelectual das suas hostes. O resultado é chorar, porque rir não se pode.
MM
Isso vê-se bem nos blogues. Só os três mais fanáticos continuam a resistir com ele no ‘bunker’, cegos e surdos a toda a realidade, presos à lógica corporativa.
Pelo meio, a ponte continua aos ‘esse’ e ‘erres’: faz-se, não se faz, faz-se, não se faz. Com o primeiro-ministro a afirmar que vai depender do comportamento dos mercados internacionais, como se nada dependesse do País, e com o ministro Mendonça a dizer que nada está suspenso nem adiado, mas sim em trabalho de reavaliação. Confesso que tudo isto já me mete nojo.
Aproveito para lembrar aos mais indignados que por aqui costumam aparecer quando escrevo sobre o TGV, que o ‘Prós e Contras’ desta semana foi elucidativo: ninguém soube dizer, Vieira da Silva e Basílio Horta incluídos, se vai realmente haver ou não ferrovia de mercadorias; se houver, se é só em bitola ibérica; se vai chegar a Espanha e quando; se chegar a Madrid, se não terá ligação directa para mais longe.
Por mim, estou esclarecido. Mantenho exactamente tudo o que escrevi até hoje.
Balha-nos ao menos nuestros hermanos …
Hoje clarificaram tudo!
Aleluia, estamos safos!
Não conheces o bicho. Ele é capaz de tudo.
Os contínuos ziguezagues do ministro Mendonça com a realidade, tal como os sucessivos desencontros de declarações entre o PM e o ministro das Finanças, nos últimos dias, dão outra matéria suculenta para a “derrapagem” de autoridade no governo. O animal deixou de ser feroz.
Meu caro,
O Sr. Ministro Mendonça é apenas o expoente máximo atingido enquanto enquanto representante do lobby do Betão. Nunca se tinham conseguido sentar directamente na cadeira do Sr. Ministro, apenas isso. Ou, e diga-mo sinceramente, merece-lhe outra confiança alem desta definição ?
Enquanto ao animal feroz, é muito fácil ser feroz ou ser o que quer que seja, em tempos fáceis. É nos tempos difíceis que se vê quem é tem kit de unhas para tocar guitarra, V. Exa. sabe bem disso.
Vou ser realmente mauzinho: Nos tempos fáceis será obviamente fácil ostentar como aparência o José Sócrates, mas nos difíceis é que se percebe que afinal é apenas Pinto Sousa. Capiche ?
Respeitosos cumprimentos extensíveis a todos do Delito,
Um abraço, DA.
Eu já percebi a estratégia do PM – manda os ministros e os parlamentares do PS dizer umas coisas.
Se forem bem recebidas, ele vem depois dizer que são ideias dele.
Se forem mal recebidas, ele desmente-os na praça pública.
O nosso Sócrates não conhece o conceito oriental de face.
Sócrates teve a desfaçatez de estabelecer um acordo de “cavalheiros” com Passos Coelho para combater a crise, em nome da unidade nacional, aliás reclamada pelo Presidente da República, e três dias depois, em entrevista à RTP, dizer que discordava de uma medida desse mesmo acordo que subscreveu com PPC, a da redução dos salários dos políticos, acentuando que teve de aceitá-la a contragosto, etc.
Isto diz-nos tudo sobre quem é e como actua José Sócrates.
Um topete.