Malmequer, bem-me-quer


Pedro Correia,

Entrevistando esta noite Pedro Passos Coelho na TVI, Constança Cunha e Sá pergunta-lhe se tenciona pedir desculpa pelas críticas feitas a Manuela Ferreira Leite. Espero que um dia, quando entrevistar Ferreira Leite, a Constança lhe pergunte também se tenciona pedir desculpa a Passos Coelho por o ter escorraçado das listas eleitorais do PSD escassos sete meses antes de ele ter sido eleito presidente do partido.

9 comentários em “Malmequer, bem-me-quer”

    1. Lembras bem, compadre. MFL escorraçou PPC, que foi proposto pelas bases de Vila Real, e Miguel Relvas, proposto pelas bases de Santarém. Com isso, anulou qualquer resquício de democracia interna no partido e fez um monumental frete a Sócrates: o actual presidente e o actual secretário-geral do PSD não têm hoje assento no Parlamento por mero capricho da senhora e do seu guru, o iluminado Pacheco Pereira.
      E ainda querem que seja ele, PPC, a pedir desculpa! Haja algum decoro.

  1. Seja como for, agora que eu estava a gostar das atitudes ponderadas de Passos Coelho e a começar a acreditar nele, vem a primeira escorregadela. Este pedido de desculpas é pura conversa de político populista, não gostei. Aprendeu depressa, e nem sequer chegou ainda ao poder. Lá se vai a inovação no estilo.

    1. O pedido de desculpas só demonstra adesão à realidade, Ana. Contrasta em absoluto com a atitude de Sócrates, incapaz de pedir desculpa aos portugueses depois de ter falhado todas as promessas eleitorais mais emblemáticas e deixar Portugal bem pior do que quando encontrou ao chegar à chefia do Governo. Contrasta também com a lamentável atitude de Manuela Ferreira Leite, que correu com PPC e o actual secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, das listas eleitorais.
      A humildade não fica nada um político. Seria bom que Sócrates aprendesse ao menos esta lição com Passos Coelho.

      1. Aí é que está, Pedro: Sócrates tem muitíssimas razões para pedir desculpa aos portugueses e só lhe ficaria bem fazê-lo, sem dúvida. Mas não Passos Coelho, que mal chegou e ainda não fez nada que o justificasse. Aceitar uma concertação que envolve a aprovação de medidas urgentes e duras não é razão para pedir desculpas, se ele acha ser esse o caminho certo. Soa-me a populismo, sorry.

        1. Quanto à atitude de Ferreira Leite de afastar Passos Coelho, veio na linha de vários meses seguidos de boicote da linha passista à antiga direcção do PSD. Nessa medida, o que não fazia qualquer sentido é que quem tanto tivesse criticado a antiga direcção quisesse, ainda assim, o lugarzito no parlamento. No que também se contrasta bem as diferenças de carácter entre Ferreira Leite e Passos Coelho: a primeira não hesitou em perder votos, tomando a medida impopular de afastar quem a boicotava diariamente; Passos Coelho teria feito o contrário: mantido os inimigos bem perto, como fez, aliás, com Aguiar Branco e Rangel. Alguns comentadores acham que isto é sinal de uma grande boa vontade. Não é, trata-se apenas de uma questão de sobrevivência política. Algo com que Ferreira Leite não se preocupou. Fez bem. Se alguém lhe deve desculpas é Passos Coelho que, muito antes das listas, andou a torpedeá-la de todas as maneiras e feitios, até, veja-se, a defender o TGV como um projecto estratégico e inadiável do país ou até uma moção de censura em caso de aumento de impostos pelo governo. Não é só Sócrates que tem de defender que o mundo mudou em duas semanas; Passos Coelho também (ou isso ou pedir desculpas a Ferreira Leite).

          1. Sendo assim, Vossa Excelência conclui o seguinte:

            1. Quem critica a direcção do PSD, à boa maneira soviética, deve ser corrido das listas eleitorais;

            2. Um adversário político é um “inimigo”;

            3. Faz todo o sentido que o actual líder do partido e o actual secretário-geral, por capricho da antecessora e do seu guru, contrariando a vontade expressa das bases, não tenham hoje assento em São Bento;

            4. MFL fez muito bem em perder votos da sua própria área política, ajudando a perpetuar o PS no poder;

            5. O “inimigo” Passos é igual a Sócrates e até mais digno de críticas do que Sócrates, como nesta caixa de comentário se vê.

            Brilhante. Espero ansiosamente por mais.

          2. A sua argumentação é muito parecida com a dos socialistas em programas televisivos (estou a lembrar-me do António Costa ou do Emídio Rangel), assente exclusivamente na criação de espantalhos sobre os argumentos alheios.

            Onde é que eu disse que um concorrente interno é um inimigo? Percorro o meu comentário e não encontro tal frase. O que disse foi que Passos Coelho boicotou a anterior direcção, associando-se às posições socialistas para minar o sucesso da oposição levada a cabo pelo PSD. E dei exemplos: TGV, que antes era estratégico e agora é adiável; impostos que não deviam subir sob pena de o PSD ter de apresentar uma moção e de censura e que agora sobem por um acordo entre os dois partidos do centrão. E junto-lhe mais uma muito actual: Passos Coelho criticou muito o PSD por andar “a brincar” às comissões de inquérito, por admitir demitir o governo por causa dos escândalos de Sócrates, mas agora admite apresentar uma moção de censura no caso de se provar o objecto da comissão da TVI. Ou seja, Passos Coelho faz em pior tudo o que criticou quanto a Ferreira Leite. Dito isto, Sócrates tem de ser despedido imediatamente. Mas para quê? Para ser substituído por alguém que demonstra o mesmo exacto desrespeito pelos eleitores, que também os toma por parvos quando faz promessas que não cumpre ou quando critica adversários políticos e depois faz exactamente o mesmo? Pedro Correia, a minha solução é simples: eleições antecipadas, sim, em 2011, mas espero que o PSD arranje uma nova liderança até lá. Esta já se viu que não serve e há um precedente: Menezes também não durou mais de seis meses. E não me diga que sou ferreiraleitista, blá, blá, blá. Olhe, subscrevo tudo o que o ex-passista Carlos Abreu Amorim tem dito na última semana.

          3. A expressão “inimigos” é da sua lavra. Recordo-lhe o que escreveu: “Passos Coelho teria feito o contrário: mantido os inimigos bem perto, como fez, aliás, com Aguiar Branco e Rangel.”
            Quando se começa por ter esta concepção de que os adversários internos são “inimigos”, não admira que se termine por aplaudir os líderes fracos, que eliminam das listas eleitorais as vozes discordantes por mero delito de opinião.

            Se bem descortino algum fio de lógica por detrás dessa prosa torrencial, MFL perdeu as legislativas de Setembro por causa de… Pedro Passos Coelho.

            Continua brilhante. Aguardo por mais.

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