Uma destas manhãs fui “obrigada” a ver parte do programa da manhã da TVI. No espaço de pouco mais de meia hora registei as seguintes pérolas:
1. Uma florista de bouquets para noivas que se inspira em Confúcio para as suas criações artísticas, explicando: “é um senhor chinês antigo que está agora a vir à tona”. Muitas palmas do público.
2. Uma blogger fashionist (ainda estou para perceber o fenómeno, mas o defeito deve ser meu) que se refere às “tendências 2013” em shorts e mini-saias com a gravidade e a reverência com que Vítor Gaspar anuncia outras reduções, bem menos apetitosas. Muitas palmas do público.
3. Um anunciante de produtos naturais de emagrecimento e saúde que oferece como brinde, para compras acima de x euros, “a Bíblia Sagrada, um livro de auto-ajuda”. Muitas palmas do público.
Acabar com o serviço público de televisão, por muito insuficiente e criticável que ele seja, é reduzir a esta estupidificação colectiva a oferta televisiva nacional. Ainda tenho esperança – mas eu sou uma optimista, já se vê – de que os responsáveis pelos destinos da RTP2 percebam isto.


Mas no chamado serviço público de televisão acontecem coisas que não se afastam assim tanto dessas…
Sim, é verdade, por isso digo que ele é insuficiente e criticável. Mas, por outro lado, acontecem no serviço público outras “coisas” que não acontecem nunca em canais privados.
Então repare nestas pérolas absolutamente idênticas do “serviço público”:
http://lishbuna.blogspot.pt/2012/12/blog-p ost_22.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2012/02/que-f alta-faz-esta-televisao-publica-x.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2012/01/o-fo rte-apego-aos-grandes-e-eternos.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/10/que-f alta-faz-esta-televisao-publica-ix.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/06/que-f alta-faz-esta-televisao-publica_30.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/06/que-f alta-faz-esta-televisao-publica-v.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/06/que-f alta-faz-esta-televisao-publica-iv.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/06/que-f alta-faz-esta-televisao-publica.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/06/que-f alta-faz-esta-televisao-publica-ii.html
http://lishbuna.blogspot.pt/2011/06/que-f alta-faz-esta-televisao-publica-i.html
Penso que respondi também a si na minha resposta anterior. É claro que o serviço público não é perfeito, mas a solução, quanto a mim, não é acabar com ele.
Como eu a compreendo !
O lixo televisivo é a expressão extrema da ignorância do nosso povo potenciadora do estado em que nos encontramos. Infelizmente há quem , razão primeira da existência desse lixo comum aos 3 canais generalistas. Ainda me lembro que no inicio a Praça da Alegria (pelo menos até as TV invadirem a antena com esse lixo tentava fazer das manhãs espaços diferentes mas com a concorrência teve de seguir o mesmo caminho , o que vende é que ganha.
Não falando já dos lixos da noite (novelas e afins) , já vi e acompanhei boas novelas mas tudo que é em exagero despedaça qualquer qualidade que possa existir em novas novelas por ex.
Sou inteiramente a favor da PRIVATIZAÇÃO da RTP 1 e deixar a RTP 2 para serviço público que poderia fazer facilmente com os meios que sempre teve ao seu dispor
Sou relativamente jovem e tenho de salientar que a minha educação foi em grande parte com a ajuda da TV nos idos de 80/90 sendo que hoje em dia vejo muito pouca televisão , muito pouca mesmo apesar ter acesso a TV Cabo mas infelizmente aí também não se pode optar por menos canais e de melhores conteúdos , fazer um pacote á escolha de cada um !? .
Não sei se já reparou que até programas que deveriam ter um efeito pedagógico e de cidadania foram transformados em realty shows ( P & C por ex.).
Oxalá haja luz ao fundo do túnel nem que seja de um comboio na nossa direcção.
A RTP1 acabou por competir com os outros canais generalistas nacionais pela publicidade que os sustenta. Logo, acabou com a mesma falta de qualidade por guiar-se pelos mesmos critérios. Por mim, pode ser privatizada à vontade, desde que deixem ficar um canal (chame-se RTP2 ou outra coisa qualquer) que não tenha de ser obrigatoriamente lucrativo e que não seja obrigado a cumprir as regras dos anunciantes. Serviço público é isso mesmo, tem de ter essa independência. Pago pelo contribuinte? Claro, porque não? É para proveito desse contribuinte, e há tantas coisas que somos obrigados a pagar sem nos serem minimamente úteis…
Ó Aninhas e ainda dizem que a optimista sou eu. Ouvi há uma hora a moçoila da mala Chanel explicar-se na Sic e ia-me dando um treco.
Foi pior a emenda que o soneto…
Credo. Não ouvi, Helena. Mas juro que achei que esse anúncio era um sketch!
Aparte: o público ganha para bater palmas, por isso convém que faça um bom trabalho.
Lá isso é verdade. Mas arrepia-me a forma indiscriminada com que acolhe tudo com o mesmíssimo entusiasmo…
Isso é que foi uma manhã, heim ?
A minha preferida é a do Confúcio que está a vir á tona, ah ah ah …
obrigada por este momento, tornou a minha feia segunda feira, num momento hilariante…ah ah ah