“Global stock markets hit by Portuguese banks concerns” – BBC News
“European makest fall as Portuguese bank woes revive ‘darkest nightmares’- as it happened. Concerns over Portugal’s Banco Espirito Santo have hit shares across Europe; Saxo Bank says “darkest nightmares about Europe” have returned” – The Guardian
“Portuguese bank fears hit markets after Banco Espirito Santo shares suspended” – City A.M.
“Portugal banking crisis sends tremors through Europe” – The Telegraph
“Equities hit by Portuguese bank worries“; “Asia markets hit by Portugal bank woes” – Financial Times
Desta vez não será fácil ao Governo acusar a oposição de antipatriotismo pelas notícias que colocam, de novo, a banca portuguesa no centro da imprensa internacional. Independentemente de aplaudir a recusa do primeiro-ministro em não financiar ainda mais o BES, é conveniente recordar de tempos a tempos que isto só chegou onde chegou porque o poder político conviveu demasiado com esse grupo bancário.
O BES é o espelho da falência do regime nos moldes em que este tem operado, o resultado da podridão de interesses do bloco central e do consenso a que o Presidente da República apela permanentemente como panaceia universal para os problemas dos portugueses. O consenso trouxe-nos, e ao BES, até aqui, pelo que agora será necessário haver quem corte a direito e malhe no ferro enquanto está quente, antes que o consenso o faça esfriar.
Não há quem na actual elite política e económica, sem esquecer os escritórios e as empresas dos mercenários ao serviço do poder, que tudo fazem desde que lhes paguem, não tivesse uma ligação qualquer ao BES, a uma empresa do universo desse grupo ou a um negócio onde aparecesse a sua longa mão.
Agora que todo esse império assente em pés de barro, imprensa cor-de-rosa e publicidade de gosto duvidoso paga a peso de ouro passa pelas dificuldades de um deprimente asilo familiar, ainda há quem tenha a latosa de vir dizer que é um abcesso. Dizer que o BES é um abcesso é uma outra forma de branquear os milhões que desapareceram nos bolsos de alguns. Os abcessos tratam-se em meia dúzia de dias e tudo segue como até antes da inflamação, com saúde. O BES é um caso de polícia dos mais graves, como se volta a ver pela repercussão internacional que tem, bem superior à do BPN. E como todos os casos de polícia deve ser investigado e julgado sem contemplações, sem panos quentes. E no fim, se for o caso, os responsáveis pelo que está a acontecer devem ir bater com os costados a Caxias ou a outro resort do género. Não por serem perseguidos políticos, mas por serem bandidos iguais aos outros.


Bem vou já ali puxar um mocho para me sentar a esperar, pois já não há cadeiras na sala, foram todas vendidas na recente reorganização dos tribunais !
Alguns doutos comentários dos lados da canalha socrática ou, pelo menos , do teixeira dos santos, do pinho ou do bicharel “himself” ( inglês técico oblige…) ?
Este tem imensa graça. Por onde andaria ele há uns anos, já que não aprendeu nada…
Declaração de interesses: trabalho num banco. Disto isto, a verborreia de Fernando Ulrich, presidente do BPI, não cessa de surpreender. Depois do «aguenta, aguenta» e inúmeras outras pérolas, vem a teoria do «abcesso». A incapacidade de Ulrich em estar calado é já um caso patológico na finança portuguesa. Existe um código não escrito na banca em que se evita comentar as fraquezas da concorrência publicamente e nunca se bate em alguém quando está em baixo. Princípios gerais de respeito por outras casas bancárias, basilares dada a sensibilidade do negócio bancário. Os bancos emprestam dinheiro entre si, as dificuldades de um irão inevitavelmente repercutir-se nos outros, como vasos comunicantes. A situação do BES é má para o país e para a banca em geral, e o simplismo da face do BPI roça a alarvidade. A realidade não se explica com «gráficos com setinhas em que se explique tudo tim-tim por tim- tim para que qualquer aluno da 4ª classe perceba o que se passa». Esse é o nível de Ulrich, não o dos portugueses em geral e da banca em particular. Dito isto, manifesto o meu inteiro acordo com o conteúdo do post e a necessidade que tudo seja integralmente investigado, doa a quem doer.