Um dia todos seremos julgados


Pedro Correia,

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Mariúpol, Ucrânia, Abril de 2022

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Butcha, Ucrânia, Abril de 2022

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Irpin, Ucrânia, Abril de 2022

 

Um dia seremos todos avaliados pelas opiniões que emitimos nestes dias terríveis de 2022. Em que a maior potência atómica do planeta, imaginando-se acima de qualquer travão, a coberto de qualquer crítica, à margem do direito internacional, invadiu um país vizinho com a intenção declarada de o riscar do mapa. Imitando, passo a passo e argumento a argumento, o que a Alemanha nazi fez nos anos finais da década de 30, dando origem à II Guerra Mundial. Causando um número ainda incontável de vítimas inocentes – incluindo crianças, deficientes e velhos. Destruindo inúmeros alvos civis – incluindo escolas, creches, hospitais, maternidades, enfermarias, igrejas, teatros, museus, lojas e habitações. Provocando a maior deslocação de refugiados na Europa em oito décadas: cerca de 15 milhões de pessoas até agora. 

Tudo isto não numa região remota, algures no globo, mas no continente onde vivemos e que consideramos nosso também.

 

Nesse dia outros lembrarão onde estivemos.

Onde nos situámos.

Quem disse o quê.

Serão mencionados aqueles que se pronunciaram a favor da Ucrânia invadida ou da Rússia invasora.

Saber-se-á com minúcia quem escreveu em solidariedade ao agredido ou em aplauso ao agressor.

Ficará claro, nesse dia em que a poeira assentar, quem se atreveu a chamar “libertação” ao impiedoso bombardeamento de Mariúpol, transformada num mar de ruínas. Como se Guernica em 1937, Coventry em 1940 ou Dresden em 1945 tivessem sido “libertadas”.

 

Nesse dia, todos seremos julgados. Não apenas pelas opiniões que emitimos neste ano com tintas de apocalipse, mas pelo silêncio cúmplice que alguns mantiveram. Muitos. Demasiados.

Os Pilatos contemporâneos, que lavam as mãos e olham para o lado, fingindo nada ver. Os “equidistantes”, incapazes de tomar partido entre verdugo e vítima. Os “realistas”, mais preocupados em “não humilhar” o violador do que em socorrer a nação violada. Os arautos da rendição a que chamam “pacifismo”, incapazes de perceber que não existe paz sem liberdade.

Nesse dia, alguém perguntará: «O que disseste e o que fizeste em 2022?»

A todos. Aos que falaram – uns em louvor do crime, celebrando a razão da força, outros erguendo-se contra ele, convictos da força da razão. E aos que calaram, exibindo uma indiferença neste caso também tingida de sangue. Porque assistir a um crime em silêncio é cometer um crime também.

90 comentários em “Um dia todos seremos julgados”

  1. deixaram o diabo à solta durante 20 anos e este ficou desenfreado.
    o mundo vai passar por longos anos de atraso de todo o tipo

      1. atrasos próprios de qualquer guerra
        assisti à de Espanha e à IIGG
        e não esqueci as dificuldades porque todos passámos.
        vivo num país sem mundo rural que importa mais de metade do que come até de países com nível higiénico a tender para zero.
        nunca falei do que não é do meu conhecimento profissional e do estudo da sociedade

  2. todos seremos julgados […] pelo silêncio cúmplice que alguns mantiveram

    Seremos julgados por não termos aberto a boca? Mas desde quando é que falar é uma obrigação? Quem dita sobre que temas é que é obrigatório abrirmos a boca?

      1. Desta vez o balio tem razão.
        Se ele fala da guerra é criticado, se ele está calado também é criticado. Um homem assim fica desorientado.

    1. Se você é o Luis Balio Lavoura, com um doutoramento em física de partículas, pelo I.S.T.,vai desculpar-me, mas não lhe sobra uma das ditas de bom senso, é a prova escarrapachada da total ausência de sensibilidade para o que não seja o imediato e descartável desta vida.
      Que pena, homem, que total “bronquidão”, sempre pronta a evidenciar-se.

      1. a lógica dele é inatacável. e a do sap também. vocês é que não estão à altura. pensam com emoção -:)

        1. Ainda bem que pensamos com emoção e sentimento, não apenas como manequins de feira e papagaios de repetição.
          Passe bem

  3. também serão julgados os defensores de sofá da ucrânia.
    não sei que esperam para ir defende-la dos russos.
    falar é fácil , defender com letras custa nada e faz bonito , mais nada. bom era ver actos , já que são tão corajosos e virtuosos. mostrem ao mundo , sejam exemplos!!!!
    em outros tempos , milhares de valentes rumaram a espanha para lutar . que é que mudou?

      1. mas é que não me senti atingida minimamente . a valentia de sofá , as lições de moral , o bater no peito , sempre me pareceram ridículos e o ridículo não faz grande dor.
        só dou valor a actos , porque da boca para fora , cada um é o que quer .

    1. O Sr. Correia desta vez ultrapassou todos os limites ao exigir que as mulheres portuguesas dêem corda ao sapatos e abram a boca em forma de protesto enquanto os homens vão ver a Espanha a Suiça e os Checos no repasto do sofá.

        1. Coitadinho do Macron.

          Esse está a mostrar-se um autêntico palhaço. Se pusessem o mapa do Donbass sobreposto ao da França e ele tomasse consciência da área toda daquilo queria ver se ele dizia “cedam lá o territoriozinho aos russos para eu descer o preço das hortaliças”. Capitulam sempre aqueles maricas. Deve ser dos croissants.

    2. Não é só no sofá que defendo a Ucrânia.

      À mesa do jantar também, com o Nuno Rogeiro, entre os anúncios dos comprimidos para a diarreia e os anúncios aos pensos higiénicos. Quem é que escolhe estas merdas para passar ao jantar??

      (Olha se fosse um anúncio de pomadas para pôr na pichota tínhamos as feministas e o esquerdismo todo em peso a mandar vir contra o patriarcado. )

      Slava Ukraina!

  4. Muito bom. Há por aí quem diga que Putin “unío” a NATO e a União Europeia. Para já apenas desmascarou. Desmascarou classes políticas e mesmo sistemas políticos, de ambos os lados.

  5. O silêncio cúmplice é irmão gémeo do palavreado inconsequente.

    Todos os dias penso se Portugal fosse invadido que atitude teria eu e não chego a conclusão nenhuma. Talvez não me conheça bem.

    Tenho familiares que combateram na guerra e outros que fugiram e desertaram e isto nada diz do carácter deles.

    Estar atento aos pequenos putins com quem nos cruzamos diariamente e não lhes dar confiança parece-me a único remédio eficaz. Um gajo fica com fama de misantropo e mal educado, pois os putins são sedutores e ignora-los significa ignorar os seus seguidores, mas que se lixe.

    1. Eu não vivo em Portugal, vivo no Reino Unido.
      Lutava por qualquer um deles? Não.

      Um país com leis feministas, com aceitação e incentivação trans, um pais cheio de direitos sociais para os outros que me custam balurdios, é um país que eu não quero defender.

  6. Para fazer um julgamento quero saber a verdade, para isso coloco questões, e com isso sou aqui julgado. Delito De Opinião, onde ter opinião é um delito.

  7. Mas estes gajos não invadiram noutros tempos a Hungria, Praga, e a Europa que não pode com uma gata pelo rabo, fez alguma coisa para impedir?
    Não fizeram o muro de Berlim dentro da Europa?
    A Europa está de rastos, está na decadência e esta democracia não serve para nada, deve estar para acabar muito em breve.
    Esta impotência europeia a que assistimos vem de 1945,

  8. o que irremediavelmente nos separa:
    a visão unilateral e indigente dos factos;
    metodologia da apresentação dos textos;
    o gosto por um verdadeiro contraditório;
    outros …

  9. Estive consigo uma única vez, caro Pedro Correia, num estimável almoço em Sintra, em casa de alguém que tanto gostaria de rever nestas páginas.
    Mas foi o suficiente para perceber que estava ali alguém que valia a pena conhecer, como este post evidencia.
    Bem haja, grande abraço

  10. quero que se lixem.
    vivo no Reino Unido, ainda em Abril me subiram os impostos com o pretexto de que é preciso dinheiro para o serviço nacional de saude, mas entretanto já gastaram 900 milhões dos meus impostos para pagar armas aos amigalhaços da industria do armamento para dar a Ucrania.

    Biden, Boris, e companhia limitada estão dispostos a mandar o fantoche Zelensky lutar até ao ultimo Ucraniano para encher o cu de dinheiro aos amigos.

    Pelo caminho arranjam um bode expiatorio para a inflação que causaram por imprimir dinheiro e imporem confinamentos durante quase dois anos.

    esta guerra veio provar que a politicagem e jornaleirada rasca não são para dar ouvidos.

    Agora a defesa externa é importante?
    Ainda me lembro há poucos anos os ataques a Trump por dizer que os paises Europeus deviam gastar os 2% do PIB em defesa, tal como se tinham comprometido.

    Era um ataque, e uma humilhação aos aliados, e mais não sei o que.

    Ainda na semana passada tanto o secretário da defesa de Biden, como o secretário geral da NATO disseram a mesmissima coisa. politicagem e jornaleirada rasca baixaram a cabeça, disseram amen, e siga para bingo.

    não me chateiem!

      1. Para além de insinuar que quem não quer apoiar a Ucrania a todo custo não bate bem da cabeça tem algum argumento?
        Ou é só repetir o que parece bem dizer?
        NPC

  11. Um dia todos seremos julgados
    E de novo há de vir, em Sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu reino não terá fim.

      1. Dedicado ao Vento

        Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder.

        11 Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo,

        12 pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.

        13 Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo.

        14 Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça

        15 e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz.

        16 Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno.

        17 Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

    1. Já cá faltava alguém a falar não desta guerra mas das outras. Que equivale a não falar em nenhuma.
      Parece o outro, que em 1939, para evitar criticar o Hitler, só falava do imperador Guilherme II em 1914.

  12. Sim, serão julgados pelas estupidez europeia de andar a promover golpes de estado na Ucrânia…serao julgados por não terem cumprido os acordos de Minsk… serão julgados por destruírem a economia europeia com sanções de uma estupidez sem par…

  13. Excelente post. Mas o valor da palavra escrita não será algo do século passado?
    Escrevi este texto aquando da crise que trouxe a Troika a Portugal. E que muitos pensavam ser a Alemanha a grande responsável.

    ‘Cada país se atribui mitos sobre a sua própria história de acordo com necessidades mais ou menos oficiais, e reelabora o passado’, diz o francês André Drijard. Também o fazemos no plano individual. A civilização ocidental sempre se norteou pelo casamento perfeito entre cultura e poder político . Esta dialéctica permitiu-nos evoluir enquanto sociedades organizados, em que a organização política era humanizado pela evolução cultural. A religião sempre tentou balizar o pensamento e a acção, a evolução tem de ser sempre sustentada e secundando por valores morais. A Alemanha, com Lutero, foi o país responsável pelo divórcio entre política e cultura, o que foi minando os povos que se tornaram protestantes. O seu pensamento estabelece um homem livre no pensamento mas preso pelo seu dever de obediência. Este desequilíbrio, gerador de gente superior no plano político e cultural (Bismarck, os músicos e filósofos), tem sempre consequências nefastas. Permitiu que o povo alemão, que era o mais escolarizado do mundo, fosse responsável pelo pior acontecimento da história da humanidade do século XX. O que é intolerável! E é intolerável porque atenta contra valores fundamentais da existência da humanidade. E ainda hoje o povo alemão tem esta inscrição por fazer; ainda não se perdoou – e quando o perdão não vem inscrever no real uma outra realidade, o equilíbrio é precário e conquistado através de sobranceria e egocentrismo.
    O Catolicismo é a religião dos fracos, dos oprimidos, das mulheres; que permitiu figuras como S. Paulo; que se alicerça na culpa e no pecado, mas também permitiu as indulgências; é a religião do amor e do perdão – da redenção. Da liberdade e da tolerância. Nem sempre seguiu os melhores caminhos, mas penitencia-se e perdoa-se e procura-os.
    Assim, toda a problemática civilizacional é sempre cultural. Não me atrevo a afirmar que as condições geográficas e climáticas dos povos do sul da Europa não sejam importantes, mas não as penso como determinantes.
    A liberdade e a tolerância continuam a serem valores cruciais. Mas não basta que sejam importantes no plano individual, devemos aceitar a liberdade de outros povos e ser tolerantes para com eles.

    Maria da Conceição Alvarenga

    1. Obrigado.
      A força da palavra escrita é de todas as épocas.
      Aliás quase todos quantos papagueiam a cartilha de Moscovo, nestes dias trágicos, têm noção disso. Daí costumarem escrever sob anonimato. Assim evitam serem escrutinados no futuro sobre as barbaridades que andam a propagar agora.
      Nem é necessário sair desta caixa de comentários para perceber isso.

      1. ah , atiram pedras a quem tem uma opinião contrária à vossa , estigmatizam quem não gosta do filme série b $linsky e depois queixam-se da “clandestinidade ” em que se pronunciam ?
        as massas são terríveis , já o eram no circo romano e continuam a ser .

        1. Tudo isso que referiu se aplica ao vosso idolatrado Putin. Que silencia, encarcera, tortura e mata activistas de direitos humanos, jornalistas e opositores políticos. E que até manda prender quem apareça na rua com uma folha de papel em branco na mão.

          1. De vez em quando, para variar, leia ucranianos ou de origem ucraniana. Alguns geniais: Gogol, Conrad, Bulgákov, Babel, Grossman, Lispector.

          2. Moscovo é uma cidade com baixa esperança de vida. Morre-se lá bastante.
            Quem não morre em Moscovo morre na Sibéria. Vai apanhar lá fresco e depois constipa-se. Fatalmente.

      2. Vamos ver quem vai ser escrutinado no futuro.
        Antes que cheguemos lá, comece por explicar aos anónimos ou aos conhecidos como era/é o regime constitucional da Ucrânia/Zelenski

        1. Já o regime de russo ou o chinês é que é bom…
          Infelizmente tenho educação para discernir entre o certo e o errado, há quem não tenha e são cada vez mais…
          Existe um post num blogue da “direita” que explicita claramente que a “europa” está disposta a lutar até ao ultimo ucraniano e é o que se tem visto, negá-lo é mentir.
          Enquanto a política insana de agir EM TUDO como se as pessoas fossem descartáveis continuar quem tem capacidade irá resistir.

          1. Se tens educação, quando entras em casa alheia começas por te apresentar. Dizendo nome e apelido.
            E deves limpar bem essas solas enlameadas. Se não o fizeres, ficas à porta. Ou entras sem tamancos.

  14. Excelente texto. Aproveitei para nos comentários, chamar atrasados mentais aos putinistas. É preciso chamar os bois pelos nomes. Eu procurei fazer a minha parte. Desde o início da guerra escrevi mais de 80 textos.

        1. não fazia ideia que esfregar escadas era bom para a diarreia. muito obrigada , se alguma vez ficar assim , diarrante , vou experimentar.

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