No dia 7 de Junho celebra-se O Dia Mundial da Segurança Alimentar

“Assinala-se hoje, 7 de Junho, o segundo Dia Mundial da Segurança Alimentar, sob o tema “Segurança dos alimentos, um assunto que diz respeito a todos”. A efeméride visa chamar a atenção e inspirar acções que contribuam para a prevenção, detecção e gestão dos riscos transmitidos pelos alimentos, contribuindo para a sua segurança e, desta forma, para a saúde pública, mas com impacto noutras áreas como a economia, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. O Dia Mundial da Segurança Alimentar é uma iniciativa conjunta da Organização Mundial da Saúde e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.
O conceito de risco é de forma genérica utilizado por cada um de nós no dia-a-dia. Durante a pandemia, tornou-se cada vez mais comum ouvir-se a referência a este conceito nos meios de comunicação social, pelas autoridades de saúde. A avaliação corresponde à componente científica da análise do risco. Nesta componente, são avaliados os efeitos adversos conhecidos ou potenciais para a saúde resultantes da exposição humana a perigos existentes nos alimentos.”
É importante termos conhecimento dos potenciais riscos para a saúde existentes nos alimentos e na sua confecção. Apesar disso, acho tudo muito exagerado ultimamente.
Quando era miúda e ia de férias para Nandufe, íamos todos aos míscaros ou sanchas, como lhes chamavam ali. Ninguém colhia fosse o que fosse sem a autorização de um entendido, que não era seguramente cientista, mas apenas conhecedor da tradição secular da apanha de cogumelos comestíveis, de quais se comem e de quais não se chega perto. Foi umas das tradições com as quais o HACCP (Sistema de Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos) – metodologia preventiva, que tem como objectivo poder evitar potenciais riscos que podem ser danosos para os consumidores, – ainda não acabou, apesar de deixar explícito que o risco é muito alto.
Quem não gosta de iguarias preparadas em forno de lenha? Ou se cozinha particularmente, ou as normas rígidas sobre o processo, do pinho, por exemplo, são tão complicadas, que a escolha do gás ou electricidade para os assados acaba quase sempre por ser assegurada.
Outro ponto levado ao exagero, e daí à estragação, são os curtos prazos de validade de muitos alimentos, que mantidos a uma temperatura constante duram mais do que o dobro do prazo indicado na embalagem. Sei disto por experiência própria e fico a pensar se o exagero do produtor não será para lhe assegurar uma venda melhor e mais constante do produto.
(Imagem do Google)

Diz-se míscaros ou sanchas e são optimos num arroz a correr embora já não coma vai para muitos anos devido ao facto se ser cada mais dificil encontrá-los (os comestíveis) e não saber discernir entre bons e maus (os tortulhos por ex.).
O HACCP é e foi importante num país de turismo mas o que mais confusão me faz agora é a campanha pela fruta feia ou contra o desperdício alimentar quando foi a CEE e UE a introduzir a “normalização” na agricultura (não sou agricultor) e outras directivas.
Obrigada pela correcção, que foi garantidamente obra do corrector ortográfico, que faz das suas cada vez que se edita um texto. Infelizmente, este não posso desabilitar. Tenho família no Sátão e ainda me mandam algumas, sempre que algum familiar por lá passa. Com frango do campo são uma maravilha. O HACCP estabeleceu as regras que faltavam, mas criou também uma série de impedimentos, como a utilização de fornos de lenha, que referi acima, em que a madeira a utilizar tem que ter origem certificada, por exemplo.
Há muito desperdício alimentar. Há produtos que não têm durabilidade como a fruta e os legumes, outros com prazo reduzido duram quase um mês após terminada a data da validade. Há sempre mercado para os “feios”, sejam eles frutas, legumes ou pessoas.
a madeira a utilizar tem que ter origem certificada, por exemplo
Naturalmente. Tem que ter. Imagine que num forno a lenha se metia madeira tratada com vernizes, ou com alcatrão, etc. Já viu como era?
Num forno a lenha pode-se queimar tudo. Há que ter a garantia que quem o usa não põe lá o que não deve.
Antigamente, quando se podavam as árvores, no caso que exemplifico tratava-se de pinheiros, os ramos cortados eram juntos em feixes, carregados em camionetas e entregues nas empresa que os usavam para alimentar fornos. Mesmo antes do HACCP já se sabia que só se utilizava num forno, determinada madeira e caruma. Infelizmente e por ser tão natural, as ramagens vinham carregadas de resinas, insectos e outra bicharada que, apesar de queimar a alta temperatura, não se decidiu ser suficiente para afastar o perigo de contaminações. Um fornecedor certificado tem que “lavar ” e desinfectar tudo para garantir a conformidade do produto. Não é a mesma coisa. O sabor particular do fumeiro perde-se na garantia de produto conforme.
Antigamente os fornos caseiros eram alimentados essencialmente por madeira de pinheiro.
Os ramos, algumas regiões no Norte chamam-lhes “latos”, deveriam secar primeiro para serem utilizados. E ninguém estava a ver se tinham bicho ou resina, e como a madeira de pinheiro arde depressa havia necessidade de boa quantidade de lenha para aquecer o forno, que depois de transformado em brasas era retirado para se pôr o pão a cozer.
Qualquer alimento feito no forno de lenha, só é colocado para assar depois de haver brasas
É o fumo que pode transmitir algum gosto à comida, as brasas, só por si, não transmitem cheiros.
É basicamente isso, mas todas as madeiras que ardem deitam fumo, que se ” pega” às paredes dos fornos e deixa nos alimentos o sabor característico de cada madeira. Se provar pão Caseiro feito num forno eléctrico, a gás ou a lenha, vê que cada forno transmite um sabor diferente ao pão. Ao pão e a todos os alimentos.
O problema não é a fiscalização o problema é o abuso da autoridade. Desde o proibir as sardinhas assadas ao ar livre à matança do porco caseiro, tudo serve para a polícia dos bons costumes. Da velhinha colher de pau à aguardente feita na adega, agora tudo tem um sabor clandestino e a roçar a ilegalidade.
É só tretas, alguns produtos de agora têm mais químicos nos conservantes e nos aditivos que os produtos de antigamente.
Comemoremos sim o dia mas com uma bela chouriça caseira, um pão do bicho e uma malguinha de vinho verde.
A colher de pau é outra incongruência.
Ovos em pacote com choques térmicos, leite tratado… mesmo qualquer tradição que se mantenha inalterada, acaba por ser comida de plástico.
Apoiado! Vamos na chouriça!