É estranho como o amor e o ódio se equivalem. Ambos são poderosos filtros que definem as cores com que vemos o mundo. Ambos alimentam, ambos podem ser objectivos de vida ou puros instrumentos de sobrevivência. Igualmente demolidores, por ambos se mata, por ambos se morre. Nem sempre a opção é simples, nem sempre é possível. Se nunca odiei verdadeiramente ninguém, o mérito não é meu: sempre tive a sorte de poder escolher.
Um dia de cada vez (1)
Ana Vidal,

Ter a sorte de escolher já significa uma cabeça diferente:) e saúde mental, sentido de preservação, sobrevivência. Eu perco muito tempo com coisas que não têm qualquer importância, mas nunca odeio nada ou alguém. Pela simples razão de achar que o ódio dá muito trabalho. Beijos querida
O ódio dá muito trabalho e consome muita saúde inutilmente. E a minha saúde, aprendi da forma mais dura, é preciosa. Beijos
Não, Aninha, não é possível ficar em lume brando. Repare bem, quanto ao amor, é tão lindo, e não nos dá possibilidades de escolha, isto é: podendo ter o oceano, ficamos com uma gota de água, e só esta nos interessa (mas para aqui chegar andamos sempre sequiosos); podendo ter o espaço infinito, escolhemos uma pequena estrela (mas não deixamos de andar em órbita até aqui pousarmos).
Agora quanto à raiva, olhe que ela, quando bem canalizada, é um excelente instrumento de sobrevivência.
Sobre o ódio: ele está aí para ser combatido, é aqui que se trava o bom combate e que se ganha o Reino. Olhe que há gente que não conheça outra coisa que não o de propagar o ódio; é aqui que devemos trilhar o caminho que evita sermos atingidos pelo veneno da serpente.
Boa noite que vou fazer ó ó. Vê como sou um rapazito maravilhoso? Já comi a sopa toda.
Sim, eu polarizo exageradamente, mas é de propósito. Incluo a raiva no ódio, ainda que haja diferenças mais do que subtis entre ambos. O que quero dizer é que os sentimentos muito negativos também podem ser preciosos instrumentos de sobrevivência. Pense nos campos de concentração de Hitler, por exemplo. Em muitos casos só o ódio e a raiva mantiveram vivos seres humanos em condições extremas, de total carência.
Ainda bem que comeu a sopa toda, Anoniminho. Não o quero mal alimentado por causa dos meus posts. 🙂
Aninha, sobre Hitler e os campos de concentração aprendi ainda no colo de minha mãe, quando ela desfolhava diante de meus olhos páginas de livros que poucos liam, falando-me sempre pelo olhar e entendimento de um coração de criança; e depois fiquei a saber que há campos de concentração de que nunca ninguém falou. Não são campos físicos.
A raiva é uma reacção do ser a injustiças. Mas o ódio significa que “bebemos” o veneno mortal, e, assim, também morremos. “Deixamos” de viver e contemplar para “nos embriagarmos” no ódio, o ódio que cega e mata.
Aninha, seus posts alimentam-me sempre. De tal forma me alimentam que neles vejo a sua dor, encanto, desencanto e esperança; e não nos conhecemos.
Tenha fé, ela move montanhas. Não se esqueça que a fé também vive com dúvidas, mas alimenta-se na esperança.
Obrigada pelas suas palavras. E também pelos cuidados com a minha fé, que lá vai sobrevivendo a ventos e marés. Talvez porque não perco a esperança de vê-la mais forte, apesar das dúvidas.