Uma das tácticas mais habituais no totalitarismo passa por associar qualquer vestígio de oposição a forças contrárias aos superiores interesses da nação. Ao longo da História, inúmeras purgas assentaram neste argumento. O PS de Costa, como antes o de Sócrates (no fundo, é basicamente o mesmo), não tem poder para iniciar purgas. Contudo, em declarações dos seus membros como nas de alguns idiotas úteis, a mentalidade encontra-se bem presente: quem discorda do rumo seguido trai o interesse nacional. Deixem-me pois ser muito claro. Na minha opinião, o interesse de Portugal passa por contas públicas equilibradas e não por mais dívida; por uma economia que liberte o sector privado e não por uma que o asfixie ainda mais; por políticas que permitam captar investimento externo e não que o afugentem; por um governo que se dê ao respeito e não por um assente em chico-espertice e retórica ‘chavista’. No que me diz respeito, o governo actual representa um perigo para o país e combatê-lo é um dever.
Um dever
escafandro,

Está a sugerir que Passos Coelho era totalitário ????
Eu não. Numa táctica também muito comum de misturar tudo para disfarçar a falta de encaixe a críticas, você é que está. Convenhamos até que o PS (bem como o BE e o PCP) já usara a táctica do interesse nacional quando Passos foi primeiro-ministro: o governo punha os «interesses da Europa» à frente dos «interesses de Portugal». Interesses que, evidentemente, só a esquerda conhece.
Peço desculpa, tinha a ideia de que o governo anterior tinha passado o tempo a acusar os opositores das suas políticas, de não terem em atenção o interesse nacional. Mas pelos vistos era tudo mesmo A Bem da Nação.
” O PS de Costa, como antes o de Sócrates (no fundo, é basicamente o mesmo)… “
Acha?!
E eu a pensar que Costa fez a 2ª revolução depois do 25Abril (a 1ª fora o 25Nov.)!…
Costa preside a um governo suportado pela Esquerda.
Sócrates, aliás como o PS sempre fizera, governou à direita, às vezes mais à direita que a própria Direita!
Concretizando um pouco:
– Sócrates, como sempre se fizera, assaltava diretamente o bolso da classe média, para encher o da banca;
– Costa prepara-se, tanto quanto consta, para ir buscar algum à banca, para o devolver à classe média…
Pode explicar-me?!…
Não o conheço suficientemente para o explicar, João de Brito…
De resto, a geringonça é novidade; o PS não. E soundbites contra os poderosos podem soar bem mas não resolvem os problemas. Sendo que aumentos exagerados de impostos assustam o investimento e que a esquizofrenia de exigir bancos saudáveis sem lhes permitir compensar perdas (reais ou potenciais) com lucros é deliciosa…
Tanto quanto consta, Costa prepara-se (entre outras coisas) para: aumentar os impostos sobre combustíveis e automóveis e aumentar impostos sobre a banca.
No primeiro caso, sendo bem escassa a elasticidade de consumo, nos combustíveis, e sendo o automóvel, para a esmagadora maioria dos cidadãos que a ele acedem, uma ferramenta quase essencial e não um luxo exibicionista, é mais do mesmo sobre os mesmos. No segundo caso, nada de novo: o que os bancos mais pagarem, mais você pagará em comissões (um dia destes, pelo simples facto de entrar numa agência bancária) e outros encarecimentos de serviços bancários.
Simples, muito patriótico, da mais virtuosa defesa dos interesses nacionais. Em suma: de esquerda.
Costa (outro que não esse)
Um governo que o que pretende e quer, é dar dignidade, a um povo que foi maltratado, pelo anterior governo que lhes tirou tudo e o senhor tem o desplante de dizer que este governo é um perigo, para o país e é um dever combatê-lo. Perigosos são todos os que escrevem isto que escreveu. Um perigo foram aqueles que o que fizeram foi empanturrar os portugueses de impostos. Impostos sobre carros topo de gama, excelente porque só os compra quem os pode comprar, sobre combustíveis quando estão ao preço que estão, não afecta muito, quando ainda há pouco, esses combustíveis estavam altíssimos. Impostos sobre a banca Sim, sem duvidas. Declarações idiotas são as da oposição que não dizem nada e quando dizem, continuam a nada dizer porque nunca souberam governar. Governar é negociar e o anterior governo nunca o soube fazer, limitou-se a obedecer a senhores que não passam de paus mandados, de grupos e agências. A UE que cumpra o que a CEE dizia porque quando entrámos foi na CEE e não na UE que está de todo distorcida.
Extraindo do seu comentário a retórica oca, só me resta agradecer os elogios que me faz.
Retórica oca é a sua que provavelmente não anda por cá. Não lhe fiz elogios porque não o merece porque o seu comentário merece repúdio. Reafirmo-lho que perigoso e grave é o seu comentário.
“que provavelmente não anda por cá”
?!
“Não lhe fiz elogios “
A ironia não é o seu forte, pois não? Confere.
Nem perca tempo, a esquerda alimenta-se destes idiotas que ainda não entenderam quem andou, realmente, a esbanjar o dinheiro, seja para comprar votos ou em negócios ruinosos e que foram sempre os socialistas que acabaram a pedinchar dinheiro entre FMI e Troikas e que, se não fossem eles, nunca precisaríamos de políticas de austeridade. Até parece que há Partidos que gostam de perder votos com medidas de austeridade… Quem não percebe isto, muito menos saberá o que é ironia… Agora também entende a necessidade da esquerda em baixar o grau de exigência nas escolas… estavam perdidos sem gente estúpida e manipulável…
“Perigosos são todos os que escrevem isto que escreveu”. Venha pois e de novo a censura. Se de esquerda, só pode ser bem-vinda e mais que devida.
Impostos sobre os carros topo de gama? Uma réstia de bom senso. De duas uma: ou em Portugal um vulgaríssimo automóvel familiar ou meramente utilitário é fiscalmente um “topo de gama” (e de facto andamos bem perto disso), ou – a chamar topo de gama ao que de facto o é -, muito que se lhe aumentem os impostos nunca será verdadeiramente relevante a receita adicional assim obtida. Mais não seja atendendo ao peso do cliente estado, nessas compras.
O que faz volume, o que gera muita receita, é o carro comum, do cidadão-médio . Da “classe média”. Uma vez mais quem paga isto tudo.
Quanto aos combustíveis, é claro que os portugueses – cidadãos individuais e actividade económica – não poderiam ter a ousadia de esperar usufruir por muito tempo do relativo alívio dos custos de banditismo da energia, qualquer que seja a sua forma, em Portugal. O estado se encarregaria (encarregará) de rápida e decididamente repor a maldade. Mas espero poder lê-lo, por aqui, a louvar o governo de esquerda português quando este, perante uma subida do preço do petróleo, patrioticamente baixar os impostos sobre os combustíveis…
Costa (não esse!)
Tsk, tsk… Não tente combater retórica inflamada com argumentos racionais.
Sim, concordo consigo. É preciso reverter todas as políticas anteriores. Mas creio que está a pensar no tempo incorrecto. O PSD-CDS já não estão no governo. Agora são outros.
Provavelmente o JAA tinha esse texto redigido para o publicar antes das eleições. Eu sei, foi um lapso. É só para lembrar.
Você está cada vez mais clarividente. Mais um passinho (nada a ver com o anterior primeiro-ministro) e atingirá o estatuto de divindade.
Não insulte uma divindade. Clarividente está muito abaixo desta escala.
Modéstia, de repente?
A modéstia é o atributo dos mortais. As divindades nunca possuem características humanas. São.
Daí a minha surpresa.
Eu sei. É difícil compreender os seres divinos.
Subscrevo.
Está o país governado por uma camarilha que salva a pele ocupando o Estado.
Eu acho que o atual governo concorda largamente com o José António Abreu sobre a necessidade de ter contas públicas equilibradas, de libertar a economia privada e de fomentar o investimento externo. Só discordam sobre a melhor forma de lá chegar. Nomeadamente, o atual governo quer alcançar contas públicas equilibradas através do crescimento do PIB e não da retração da despesa pública, e quer libertar a economia privada através do aumento do consumo privado.
“(…) e quer libertar a economia privada através do aumento do consumo privado.”
Vai daí, taxa-o. Estimula-se o consumo, retirando meios de consumo ao consumidor.
Está certo. Há-de estar, algures…
Costa
Luís, há muita gente no PS que continua a não encontrar virtude no equilíbrio das contas públicas. Por outro lado, já fizemos a experiência do aumento do consumo e correu mal. Sendo que, desta vez, o PS está refém do Bloco e do PCP, com tudo o que isso significa ao nível da dificuldade de controlar os gastos públicos (na Educação, o ministro parece ser Mário Nogueira; nos transportes públicos, veremos quanto custam as reversões e a gestão das empresas; as 35 horas provocarão necessidades de pessoal e/ou horas extra difíceis de antecipar, etc.) e de deixar a economia funcionar (para além dos aumentos de impostos já anunciados, veremos o que se passará com a legislação laboral).
Mas, honestamente, julgo que o governo não tem sequer um verdadeiro plano. Limita-se a elaborar uma manta de retalhos, consciente de que a sua sobrevivência depende de não hostilizar Bloco e PCP.
Tanta angústia que por aqui vai! Tanto dramatismo! Não se preocupe com as gentes do PS. É que só demonstra que o PS incomoda-vos como nunca. Vê-se a olhos vistos e não conseguem disfarçar nem um pouco. O PS não é refém de ninguém, o PS sabe o que faz, o que quer e com quem estar. Tanto assim é que assim está. já viu alguma empresa de logística baixar os preços do seu trabalho porque o gasóleo está a preços inimagináveis? Não viu porque ninguém viu se o gasóleo subir um pouquinho, teremos que pagá-lo, para os que foram massacrados terem algum alívio. Imposto sobre os carros topo de gama, excelente porque quem os compra é porque tem dinheiro, sobre os carros utilitários não é por aí que vai a crise, sobre o tabaco é óptimo. Ou nós, humanos, olhamos o outro que nada tem, como um, igual a nós, com os mesmos direitos ou então, não valemos nada, como seres humanos que somos. Dou-lhe uma sugestão, desprenda-se de todos os seus bens e viva durante um ano, com o salário mínimo e depois venha aqui, escrever sobre essa experiência.
Quererá você que decerto a conhece, pelas suas palavras, elucidar-nos sobre isso?
Costa (nada a ver com o PS)