Um crime.


Luís Menezes Leitão,

A esquerda nacional andava deslumbrada com Tsipras e Varoufakis. Como quando se zangam as comadres, sabem-se as verdades, ficou agora claro o que esses dois andavam a arquitectar desde o início: a saída do euro. Se a medida em si é legítima, parece óbvio que os meios não o eram. Estava em causa fazer um ataque informático à autoridade tributária, apreender as reservas em euros do banco central, que é independente do governo, e se necessário prender o seu governador. Temos aqui medidas ao puro estilo do PREC, que é o que actualmente se vive na Grécia. Isto em política tem um nome: golpe de Estado. E o mesmo é um crime em qualquer país do mundo. O Ministro que chamava terroristas aos seus parceiros do Eurogrupo, afinal comportava-se como um verdadeiro terrorista. Não admira por isso que se multipliquem as acções contra ele na Grécia. Mas se Varoufakis vier a ser preso, já se sabe que iremos ter uma peregrinação internacional de apoiantes a protestar, e a qualificá-lo como preso político. Coisa que nunca aconteceria ao desgraçado do governador do banco central, se por acaso o golpe de Estado tivesse tido sucesso. Como salientava Orwell, há sempre uns mais iguais que outros.

0 comentários em “Um crime.”

    1. Pois não. Não terá passado da apresentação de uma mera eventual via de evolução de todo este triste processo. Foi afastada e – perante esse afastamento – nem é sequer de colocar no caso concreto a eventual violação do direito comunitário. Não se chegou aí, pura e simplesmente.

      Concorde-se ou discorde-se dela, não foi consumada; não chegou a ser afinal objectivamente tentada. Não passou do suscitar de uma hipótese (e se se tivesse optado por tentar a sua concretização, aí sim, não tendo isso sido feito antes, haveria que a confrontar com o direito aplicável; e só se verificada a sua inexequibilidade, à luz desse direito, ainda assim se pretendesse concretizá-la se poderia falar de ilícito).

      Onde está o crime, quererá o Lavoura dizer-me?

      Costa

  1. Suponho que nesta situação, a esquerda nacional já não sente grande afinidade com o Syriza e a sua forma de enfrentar a Europa.

    Cumprimentos,
    Rui Quinta

  2. Acho que este tipo de gente, irresponsável e incompetente, devia ser proibido de representar um país, no seio da UE.
    Será que há detectores, tipo dos aviões?

  3. Esse vai ser preso! Esse praticou um crime! Os que o antecederam quantos crimes fizeram? Fizeram malabarismos tais que deixarem o país na ruína e não vão presos? Afinal como é? Denegrimos uns e deixamos outros num limbo… Isto assim não é sério.

  4. O que isto nos demonstra é que os “Idiotas Úteis” venceram na Esquerda.

    Não foram os Comunistas, esses ainda queriam gerir a siderugia, a refinaria. Não interessava se aquilo era deficitário mas pelo menos não recusavam o real.

    Não foram os Socialistas com algum senso de probidade e o deve e haver especialmente nos países protestantes.

    Os vitoriosos da Esquerda hoje para quem os Socialistas olham como farol moral e os Comunistas com inveja são os “Idiotas Úteis” que estiveram sempre na margem e nunca fizeram uma maquina funcionar com os seus próprios recursos.

    1. Os idiotas úteis, são gente, que apesar de tudo, quiseram fazer pelas pessoas aquilo que os não idiotas, nunca fizeram nem tentaram.

      1. Os idiotas úteis são os mais repelentes cumplices de crimes contra a humanidade. Apoiantes de Pol Pot a Lenine.
        Moralistas puritanos, não quiseram fazer bem a alguém, quiseram fazer bem ao ego. Que é o que os move.
        Defendendo “custe o que custar” como preço aceitável para construir a sociedade perfeita obrigando ou matando quem não concorda com eles.
        Habitualmente medido em milhares a milhões de mortos.

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