Um conflito entre bons e maus


Luís Naves,

O interesse pela guerra da Ucrânia está a diminuir e parte da opinião pública começa a ter dúvidas sobre a narrativa dominante, segundo a qual estamos perante um simples conflito entre bons e maus. Tem sido difícil interpretar os factos de outra forma, pois as dúvidas sobre a natureza da realidade são rapidamente transformadas em colaboracionismo e apoio a ideias totalitárias. Alguém que se atreva a enunciar a perspectiva russa procura um novo tratado de Munique. O problema é que já passou um ano desde que a Rússia ia perder a guerra na semana seguinte e os combates continuam; passou um ano desde que a Rússia ia à falência na semana seguinte e a sua economia continua a funcionar, aliás, está transformada numa economia de guerra.

Moscovo estabeleceu uma parceria com a China e os efeitos económicos no Ocidente ameaçam tornar-se permanentes, a energia e a comida serão mais caras. Onde está a prometida mudança de regime no Kremlin? Em lado nenhum, pelo contrário, Vladimir Putin parece mais forte do que nunca. As notícias dos triunfos iminentes do lado ucraniano são agora mais raras, pois não há nada para ver: As vítimas ucranianas, civis e militares, podem ultrapassar 300 mil, mortos talvez mais de 100 mil; o país está de rastos, com 8 milhões de refugiados, seis milhões de deslocados internos, 18 milhões de cidadãos dependentes da ajuda externa, grande parte da infra-estrutura destruída, economia reduzida a menos de metade. Se isto continua outro ano, a Ucrânia será um estado inviável, na melhor das hipóteses um protectorado ocidental. Houve negociações no ano passado, quase um acordo que, agora, será improvável (milhares de pessoas morreram para nada). Do campo de batalha, emergem por vezes vislumbres de uma realidade sombria: as forças de Kiev estão em desvantagem numérica de 2 para 1 em soldados, de 3 para 1 em carros de combate; as tropas são inexperientes e com muitos velhos nas fileiras, não há mais recrutas e quase não resta aviação. A imprensa tenta ao máximo esconder os problemas, como por exemplo a perseguição religiosa da igreja ortodoxa russa ou a destruição de livros russos. Na narrativa oficial não existe lugar para qualquer subtileza histórica, o simples facto de em 2022 subsistir uma guerra civil de oito anos durante a qual o governo de Kiev bombardeou a sua própria população no Donbass. A guerra da Ucrânia parece ser um conflito entre os impérios americano e russo, a intenção de Washington era derrubar o poder em Moscovo e desmantelar a Rússia criando estados aliados que serviriam para cercar a China. O plano falhou e a primeira vítima foi a Ucrânia, transformada em campo de batalha, os seus habitantes usados como carne para canhão. No plano internacional, há uma rebelião de países pouco entusiasmados com a hegemonia americana e que gostariam de diversificar as suas relações. A China é para já a maior beneficiária do conflito: evitou o cerco americano e está em condições de se aproximar de Moscovo, criando um bloco euro-asiático auto-suficiente. A Europa, que mergulhou no apoio a Kiev com um entusiasmo incompreensível, parece ser a grande perdedora, pois terá de repensar toda a sua economia. Os europeus estão divididos e procuram criar condições para a segurança alimentar e a autonomia energética, mas não parece haver nenhuma solução rápida, para mais as exportações para os mercados asiáticos dependem da China. Nada disto é discutido de forma séria. A Alemanha não pode levantar a questão da destruição do gasoduto Nord Stream 2, ninguém critica a iniciativa comunitária de compras de munições, falar nas ameaças nucleares é cobardia, considera-se normal que Washington interfira na política interna de democracias e toda a gente quer gastar uma pipa de massa em armamentos. A Terceira Guerra Mundial já começou, mas isto é entre bons e maus, não há nada a fazer.

86 comentários em “Um conflito entre bons e maus”

    1. Ora bem, concordo com a Marina.
      É preciso ver que o Luís Naves reside (creio eu) na Hungria, que é o único país da União Europeia no qual o bom senso em relação a esta guerra tem prevalecido.

      1. Era uma questão de tempo. A verdade vem sempre ao de cima.

        O meu lado é, sempre foi, e continuará a ser o lado oposto ao dos neoNazis, o lado oposto ao do império genocida ocidental.

        O meu lado são as pessoas que vivem em cada local. É o Direito Humano à Auto-Determinação do Donbass e da Crimeia.

        Eu percebo desde há muito tempo que um divórcio de veludo teria sido a solução para isto.
        Mas o império genocida ocidental, e os neoNazis Ucranianos, preferiram o golpe e a guerra.

        E não preciso de ser Putinista, nem Russo, nem viver na Hungria, nem votar PCP, para perceber isto. Basta-me estar vacinado contra a propaganda do regime genocida ocidental, e investir o meu tempo a procurar factos em vez de ficar no sofá a ouvir FakeNews do regime.

        A guerra começou em 2014.
        Esta fase da guerra começou em 16-Fevereiro-2022, quando os UkraNazis violaram Minsk e re-iniciaram bombardeamentos massivos contra povo do Donbass e ameaçaram alargar a guerra até às Crimeia, onde não vive uma única pessoa que queira ser parte da Ucrânia, que é uma DITADURA com ideologia de ódio desde o golpe de 2014.

        Finalmente um texto destes tem lugar no Delito de Opinião e destaque no SAPO. Finalmente começa-se a ver a luz no regime genocida ocidental.

        PS: uma guerra de atrição baseada em artilharia, onde a Rússia tem e continuará a ter vantagem de pelo menos 10-1, é uma guerra em que as tropas Ucranianas que fazem defesa fixa são mera carne para canhão, e onde as baixas serão na mesma proporção.
        Se já morreram 16 mil do lado Russo, então morreram pelo menos 160 mil soldados do lado Ucraniano.
        Ora um país tem 140 milhões de habitantes, e o outro tinha 40 milhões e cada vez tem menos.
        É só fazer as contas para saber como vai acabar a nojenta política do “até ao último ucraniano” levada a cabo pelo regime genocida ocidental.
        Assim sendo, só uma posição é decente: apelar à paz, não enviar armas que prolonguem conflito, e condenar quem planeou, provocou, iniciou, e prolongou o conflito só para tentar fazer mal aos Russos e mais tarde ter condições para fazer mal aos Chineses.

        A UE tornou-se mera caixa multibanco da NATO, que é organização ofensiva dos EUA. Tem de ser desmantelada. E o USAtlantismo (e o Globalismo em geral e o €Uropeísmo em particular) devem ser consideradas ideologias extremistas, equivalentes, estas sim, ao Nazismo.
        Os agentes e avençados que promovem tais barbaridades (ex: matar meio milhão de.xrianças no Iraque, apoiar Nazis Ucranianos, apoiar Al-Qaeda na Síria, etc) não podem ter lugar em posições de destaque e poder numa sociedade decente no futuro da Europa.
        Aplique-se o paradoxo de Karl Popper a estes escroques: não podemos tolerar estes intolerantes, cujas ações acabam com a liberdade e a vida de outras pessoas e de outros povos.

        Se no poder está quem chama “democracia e liberdade” ao golpe Maidan e ao regime neoNazi que dali saíu, se está no poder quem chama “progressos e valores europeus” às sanções ilegais com efeito ricochete e ao terrorismo no Nordstream, se está no poder quem censura a RT e abre as pernas aos aldrabões e criminosos dos EUA, se está no poder quem tem uma máquina de propaganda e FakeNews ao mesmo tempo que mata Shireen Abu Allen e prende Julien Assange, então o povo Ocidental tem neste momento toda a legitimidade para deitar abaixo tal regime.
        Make Europe Democratic Again!!

        Espero só que não nos obriguem novamente a ter de usar as chaimites em Portugal, a guilhotina em França, e a força em Itália…
        Elites oligárquicas globalistas belicistas fascistas imperialistas genocidas NeoCon e NeoLib, ou saem do poder a bem e devolvem a verdade à imprensa e o palavra ao povo, ou isto vai acabar muito mal.

        E que caia a língua e os dentes aos vigaristas que, perante a inflação, dizem que “é por causa da guerra “, e não por causa do que realmente a causa: sanções ilegais, e economia de mercado desregulado.

        1. Olivença é uma cidade sede do município homónimo da zona raiana, cuja demarcação é objeto de litígio entre Portugal e Espanha. Reivindicado de jure por Portugal, o município integra atualmente a província de Badajoz da comunidade autónoma espanhola da Estremadura.
          Plantas lá uns Portuguêses, armados até aos dentes, escorraças de la os Espanhois e reclamas que Olivença é nossa.

          1. as pessoas que moram em Olivença querem ser portuguesas , como vem no tratado ainda não cumprido por Espanha !!!! vai o governo espanhol manda-lhes umas bombas , e os cobardolas dos tugas não mexem um dedo para os defender.

        2. Carlos Marques, és um completo idiota. Tal como o Luís Naves.
          Quanto ao Luís Naves, fixei o ter escrito que a Ucrânia persegue os ortodoxos russos. Nada de mais, até. Mas o facto conhecido é que o Cirilo, o “papa” russo ortodoxo, quer a exterminação dos ucranianos. Tal como tu.

  1. O Luís Naves regressou ao Delito de Opinião para nos dar a perspetiva húngara das coisas!

    já passou um ano desde que a Rússia ia perder a guerra na semana seguinte

    Nunca ninguém disse que a Rússia fosse perder a guerra em breve.

    a energia e a comida serão mais caras

    A comida provavelmente sim. A energia está agora bem menos cara do que já esteve.

    No plano internacional, há uma rebelião de países pouco entusiasmados com a hegemonia americana

    Não vejo rebelião nenhuma. Há muitos países que estão pouco entusiasmados, mas não há rebelião.

    Independentemente de tudo isto, é refrescante ver neste blogue alguém com um verdadeiro delito de opinião.

    1. Ao nível da geopolítica, a rebelião não se faz à vista sob os holofotes nem de megafone na mão. Faz-se atrás de portas fechadas e com decisões e efeitos que a esmagadora maioria do povo não ouve falar nem percebe.
      Rebelião é a crescente integração Euroasiática, é a desdolarização acelerada, é a recusa da esmagadora maioria do Mundo em aplicar sanções à Rússia, é ver os cada vez mais braços abertos à diplomacia e investimento Chinês, é ver uma cimeira de líderes de toda a África na Rússia enquanto quase todos se recusam a ouvir Zelensky, é o crescimento dos BRICS e da SCO, é a crescente defesa da soberania contra os yankies no “quintal” das Américas Central e do Sul, é o acordo de paz entre Irão e A.Saudita com efeitos também no Iémen, é a Índia (e outros) a fazer cada vez mais comércio com a Rússia e em moedas nacionais, é o Presidente do México falar sobre Assange e o terrorismo no Nordstream, é a África do Sul receber bem Lavrov, e o Mali expulsar Franceses, é a diplomacia entre Turquia e Síria mediada pela Rússia, é o Irão ajudar a bombardear militares dos invasores EUA na Síria, é as Honduras deixarem de reconhecer Taiwan, é as Ilhas Salomão fazerem acordo de Defesa com a China, é a Argélia comprar armas à Rússia e não deixar cair o povo do Sahara Ocidental, é a Hungria recusar o belicismo e ingerência da UE, é a Rússia perdoar a dívida dos países Africanos, é a Dilma Roussef a ser nomeada para o banco dos BRICS alternativo ao FMI e Banco Mundial, é o golpista fascista avençado da CIA cair no esquecimento (acho que se chamava Guaidó…), é a NATO não conseguir expandir-se para a Suécia (e Finlândia não entrará sozinha), é o povo da Bolívia derrotar um golpe fascista (e mais um da CIA) no espaço de um ano, é a Colômbia ter pela primeira vez um governante eleito da ala progressistas e soberanista, é cada vez mais gente chamar Apartheid a Israel, é não haver mais ninguém a reconhecer a “independência” do Kosovo, é a Indonésia tomar medidas contra o sistema financeiro ocidental, é a Geórgia a resistir à tentativa de “Maidan”, é o Chipre a prender Ucraniana
      violenta que ameaçou civis Russos na rua, é Cuba continuar a resistir e a ter cada vez mais países do seu lado, é a Palestina continuar a resistir e a ter cada vez mais cidadãos e empresas a juntar-se ao boicote a Israel, são até os Talibã a darem lições de decência na geopolítica aos EUA e chapadas de luva branca ao Tribunal Penal Internacional, é os países das Américas irem aos EUA criticar Biden na própria cara e defender Cuba, Nicarágua, e Venezuela, aquando da Cimeira das Américas, é um drone militar dos EUA ser abatido e eles baixarem a bolinha e passarem a voar a maior distância no Mar Negro, e é um texto como este finalmente ser publicado num blog como o Delito de Opinião e ter destaque num site como o SAPO.

      1. Não comungando do juízo que parece fazer de patifes da laia do Orban e de analfabetas pesporrentes como a dona Dilma, concordo com tudo o que escreve. Nunca a Europa teve representantes políticos tão medíocres, tão ignorantes e incapazes como hoje.
        Nunca.
        Este unanimismo em torno de um comediante que se torna funcionário da administração americana arredou definitivamente a Europa da direção mais obvia de bem estar e prosperidade no contexto de uma Eurásia.
        Sem remédio, irreversivelmente, a Europa escolheu amarrar-se ao estrebucho de um moribundo.

  2. Postal miserável.
    Sob uma capa de informação variada e indesmentíval na maior parte, não há uma linha para evidenciar um facto simples: Foi a Rússia que invadiu a Ucrânia; foi a Rússia que iniciou a guerra.
    Depois – o subsconsciente é terrível – lá vem a desinformaçãozinha; “… já passou um ano desde que a Rússia ia perder a guerra na semana seguinte.”. A verdade é precisamente o contrário: já passou um ano desde que a Rússia ia vencer a guerra numa semana. E esta vedade perdurou muito mais do que o razoável, basta lembrar os majores-generais televisivos.
    “… a Ucrânia será um estado inviável, na melhor das hipóteses um protectorado ocidental”
    Se a Rússia ocupar o Donbass e dominar o estreito de Kerch a partir da Crimeia pode sempre bloquear Odessa a partir de Sevastopol e a Ucrânia será uma estado inviável, quando muito um protectorado da Rússia, antes de reverter a província russa, o que se adivinha ser a preferência do autor.
    Maior disparate é o plano americano para cercar a Rússia. Desde a abertura de Nixon em 1972, demorou anos e anos até os EUA verem a China como inimigo. De facto isso terá sido anterior como percepção mas só se materializou com Trump. A seguir à desintegração da União Soviética em 1991 nem se viu a NATO acolher as adesões da Ucrânia e da Geórgia nem muito menos activar qualquer aliança no Sul da China, o que só viria a suceder com Trump e o “Quad” e agora com Biden e o “AUKUS”.

    1. Sob uma capa de informação variada e indesmentíval na maior parte, não há uma linha para evidenciar um facto simples: Foi a Rússia que invadiu a Ucrânia;

      Claro que foi a Rússia que invadiu a Ucrânia. Nada neste postal diz o oposto.

      Nas o que interessa, verdadeiramente, é a “informação variada e indesmentível” que o postal contém:
      passou um ano desde que a Rússia ia à falência na semana seguinte e a sua economia continua a funcionar,
      os efeitos económicos no Ocidente ameaçam tornar-se permanentes,
      [a Ucrânia] está de rastos, com 8 milhões de refugiados, seis milhões de deslocados internos, 18 milhões de cidadãos dependentes da ajuda externa, grande parte da infra-estrutura destruída, economia reduzida a menos de metade,
      o simples facto de em 2022 subsistir uma guerra civil de oito anos durante a qual o governo de Kiev bombardeou a sua própria população no Donbass
      .

      1. Tenho para mim que não vale a pena responder aos seus comentários porque a sua mente não funciona como a minha. Os seus comentários pressupõem que a lógica esgota a realidade o que apenas é verdade para ilações simples, tipo silogismos de Aristóteles. Para realidades complexas a razão não chega, são necessários emoções e sentimentos. Não é preciso ter lido Gustav le Bon para concluir que o comportamento das multidões é quase sempre irracional ou ler politólogos para saber que o tribalismo político pouco tem de racional.
        Assim, num diálogo neste tipo de plataforma o que acontece é que a discussão não vale a pena. O senhor tem sempre razão porque o seu raciocínio não tem falhas, e eu entendo que não tem razão porque a conclusão não tem adesão à realidade ou porque viola o meu normativo ético e moral.
        Neste caso abro uma excepção a bem de possíveis leitores terceiros.

        “Nas o que interessa, verdadeiramente, é a “informação variada e indesmentível” que o postal contém:”

        Isto é redondamente falso. O que interessa e o que critiquei com alguma violência é a ideia que o postal transmite.
        Há cerca de um século (não me lembro de pormenores mas foi nos anos 20) que um analista de geoestratégia demonstrou que a Rússia e os Estados Unidos estão condenados a serem competidores. O corolário é que se a diplomacia não o acautelar, de competidores passam a adversários e se os governos não o acautelarem, de adversários passam a inimigos, no limite a beligerantes.
        Neste quadro, quem queira ajuizar tem de esclarecer o que se passou e por culpa de quem.
        Ora o artigo, sem o afirmar preto no branco, atribui a culpa aos americanos e, para isso, inventa um quadro geopolítico que nunca existiu, a “estratégia falhada do cerco à China”. Tendo também o cuidado de, sem o negar, nunca referir que foi a Rússia a invasora que foi a Rússia a iniciar uma guerra, ou seja, que foi a a Rússia a elevar o patamar de adversários para inimigos.
        Este é o exemplo mais flagrante mas há outros que não desenvolvo para não alongar.

        Pessoalmente para o senhor, que é useiro e vezeiro a falar disso, as referências ao incumprimento dos acordos de Minsk, aliás ao segundo porque o primeiro nunca passou do papel, dividem-se em três grupos: as que são objectivamente falsas, as que são referidas fora de contexto e as que são omitidas. De resto, falar nos acordos de Minsk, sem nunca referir os bem anteriores Protocolos de Budapeste é mais uma vez citar alguns factos verdadeiros para escamotear a verdade.
        Qualquer avaliação do conflito entre a Rússia e a Ucrânia tem que iniciar-se com os Protocolos de Budapeste. E estes estabelecem sem margem a dúvidas a total responsabilidade de Rússia no conflito pois aí tinha reconhecido a inviolabilidade das fronteiras da Ucrânia, incluindo a Crimeia. Mais importante ainda, são estes protocolos, participados por países ocidentais e sob a égide dos Estados Unidos, que justificam não apenas a possibilidade mas mesmo o dever desses países defenderem a integridade territorial da Ucrânia. De facto, não fossem as circunstâncias do nuclear, EUA, Alemanha, Inglaterra e não me lembro se França e outros, deveriam combater militarmente a Rússia estrictamente dentro do território ucraniano.

        1. Porque não refere que foi justamente também em Bucareste que contra a opinião dos seus pares ocidentais, e da Russia, que os USA forçaram a possibilidade da adesão ucraniana à NATO…
          Já agora e por falar em protocolos e incumprimentos da “lei internacional” podia também referir que AMBOS os tratados de Minsk, sendo posteriores, foram ratificados em “lei internacional” com aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU…
          É muito selectivo nas suas apreciações e na sua memória mas lamento, só duas coisas devemos aos USA, e nem eram destinadas a nós: uma vem de 1945 foi hoje não falarmos alemão, e outra em 1975 quando o ex-director CIA nomeado embaixador Frank Carlucci trabalhou em Portugal para evitar a implantação de um regime comunista…
          Em contrapartida recordo para cima de 10,000 portugueses mortos numa guerra colonial que inicialmente foi patrocinada por um dos seus heróis JF Kennedy que no American Comitee on Africa, os planos ingleses e americanos para invadirem os Açores na WW2, e as circunstâncias não esclarecidas da morte colateral de um primeiro-ministrto português em exercicio, com um ministro da Defesa que investigava o apresamento de um cargueiro em Setúbal com armas destinadas ao Irão (lembram-se o Iran-Contra? Oliver North ? reféms em Teerão ?) e que iria discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas…
          Com amigos assim…

  3. Vejamos um pequeno balanço o que eram básicamente as “condições inaceitáveis para a Ucrânia” (Minsk 1 e Minsk 2 que a Ucrânia e seus “aliados” ostensivamente não quiseram cumprir):
    – mantinha o Donbass, que passaria a dispor de autonomia (“a la Açores”) e respeito ao invés de perseguição da minoria etno-russa (só +- 30% da população total da Ucrânia)
    – Estatuto de neutralidade, não procurar pertencer à NATO
    “Inaceitável, não podemos aceitar, vamos para a guerra e forçamos condições por derrotar a Russia!”
    Vejamos o que a Ucrânia ganhou:
    – perda (por enquanto) de 20% do território; quanto maior o alcance das armas que sejam fornecidas mais os russos irão entrar pela Ucrânia adentro para criar distância;
    – economia, energia, população em frangalhos, centenas de milhares de mortos e feridos, milhões de deslocados, estado disfuncional;
    – Já vai na 3ªvaga de destruição do aparelho militar, os russsos já destruiram o equivalente a dois exércitos nacionais de primeira linha, com totais de perdas de homens e equipamento assombrosas (juntem meia duzia de Estádios da Luz e pensem que por exemplo a totalidade do exército inglês cabia num único… se tomarmos equipamento, é como se já tivessem destruido o essencial da componente terrestre da NATO…)
    A “derrota” russa:
    – mostrou-se impermeável a todas as sanções que lhes quiseram impor – supostamente as mais gravosas – e viu a sua economia e produção reforçadas. inflação em baixa, defice baixo, massivo superavit externo por contraste ao Ocidente,
    – industrias militares à plena força que produzem mais que o esforço ocidental combinado (não precisam da China…e com tecnologia em várias áreas superior;
    – apoio consolidado do povo russo em redor do Kremlin;
    – Vai para cima de triplicar o aparelho militar, de 600,000 para cerca 2 milhões, equipados, e não menos importante – treinados e experimentados, em preparação para uma guerra quente com a NATO, com materiais e estratégias testadas;
    – Superou a tentativa de isolamento internacional, de facto quem se isolou foi o Ocidente do “clube dos mesmos”.
    Os livros de História certamente irão registar o papel do comediante “herói” Zelenski.

  4. “A guerra da Ucrânia parece ser um conflito entre os impérios americano e russo, a intenção de Washington era desmantelar a Rússia”.
    Afinal quem atacou quem?
    A guerra é da Rússia não dos ucranianos.
    Guerra na Ucrânia, não guerra da Ucrânia.
    A intenção dos americanos era desmantelar a Rússia?
    Os americanos atacaram alguém?
    Os americanos estavam sossegados quando a Rússia/Alemanha nazi invadiu a Ucrânia/Polónia.
    (salvo melhor opinião, claro).

    1. Pedro Oliveira,

      Sabe dizer quais as VERDADEIRAS CAUSAS que levaram à consequência da Russia invadir a Ucrânia?

      1. Cara pessoa anónima,
        As VERDADEIRAS CAUSAS para a Rússia ter invadido, militarmente e na prática promover e alimentar uma guerra “unilateral”* com a Ucrânia interessam-me tanto como as verdadeiras razões para Abdul ter assassinado duas senhoras.
        Nada serve de desculpa para o acto.
        * Guerra “unilateral” porque a Ucrânia só se defende. A Ucrânia não está a atacar território russo. Numa guerra convencional entre dois países Portugal vs. Espanha, por exemplo, há vítimas civis dum e doutro lado da fronteira. Na guerra na Ucrânia existe o agressor e as vítimas, o mau e os bons como queria dizer Luís Naves.

        1. “* Guerra “unilateral” porque a Ucrânia só se defende. A Ucrânia não está a atacar território russo. “
          Não, a Ucrânia não estava a atacar “o território” russo. De facto. Desde 2014 esteve “só” a impor uma guerra ao povo russo que vive na Ucrânia….
          Pelo amor da santa, como é possível que os efeitos da intoxicação mediática tenham efeito sobre tantos neurônios?

      2. Caro anónimo. Como o próprio Puntin afirmou em público, e ficou registado, as causas resumem-se à recusa de uma Ucrania independente, porque para ele e seus seguidores, aquilo é território Russo.

  5. Obrigado pelo seu texto, o melhor que já li sobre esta guerra, e já li muito. É evidente que o Putin e a sua gente são execráveis, mas um espaço destes devia ser dedicado a ir um pouco mais além na tentativa de compreensão global da coisa, ultrapassar uma mera discussão de café de tipo Benfica/Sporting, e isso o seu texto faz.

    1. Mas qual benfica sporting? Está tudo doido. Quando hitler invadiu meia Europa também se deveria ponderar a ” compreensão global da coisa” ?

      1. Compreensão no sentido de tentar perceber a reorganização do equilíbrio mundial de poderes, em parte causado pela emergência da China, que, tal como previsto por Napoleão há mais de 200 anos, faria o mundo tremer quando acordasse; e parece que está a acordar.
        E olhe que acertar no totobola à segunda-feira é fácil: quando Hitler invadiu meia Europa, meia dessa Europa “compreendeu” Hitler, basta referir uma palavra – Vichy.
        E dizer muitas vezes que Putin é muito mau não resolve nada. Entre muitas outras coisas, porque o que disse Macron e que irritou muita gente é uma lapalissada evidente, passe o pleonasmo – quando isto acabar, a Rússia vai continuar ali, vamos ter de viver com ela.
        Talvez esteja na altura de irmos todos ler, ou reler, o Clausewitz.

  6. Outra parvoíce que os media vendem é que “a Russia deve estar de rastos nem consegue ocupar cidades!” e “perdas russas centenas de milhares” – é a ignorância de quem não percebe da coisa militar e não prestou atenção de início ao que os russos disseram, e dizem.
    Os russos seguem Von Clausewicz e querem limitar perdas próprias antevendo a guerra maior com a NATO. De nada serve ocupar cidades com perdas e deixar exércitos inimigos à solta. A intenção expressa desde o início foi “a destruição da capacidade militar ucraniana” e estão a ser particularmente bem sucedidos – quantos mais homens e materiais os ucranianos enviarem para o caldeirão, mais eficaz.
    Onde se veem cercados e confrontados com superioridades de artilharia russa de 6:1 a 10:1 e depois querem convencer-nos que as perdas dos russos, é que são horríveis…
    Os russos de há vários anos reestruturaram completamente a orgânica das unidades militares numa perspectiva de defesa territorial, os grupos tácticos já não são unidades básicas de infantaria: mas sim armas combinadas, de facto uma das razões do impasse e retrocesso inicial (Kherson, Kharkiv) foi a fraca preponderância de infantaria para projectar botas no terreno, já que o “aviso” da incursão de Feb/Mar 2022 não surtiu efeito nos ocidentais que não quiseram perceber, e os russos viram-se com unidades pela Ucrânia adentro e sem apoio de infantaria… Já corrigiram.
    Tudo isto não tem ponta por onde se lhe pegue.

    1. De nada serve ocupar cidades

      Exatamente. Quem conquista cidades tem que depois alimentá-las, coisa que não fica nada barata. Tal como na Guerra Civil espanhola, em que a República manteve todas as principais cidades, mas tinha falta de comida para as alimentar.
      A Rússia somente conquistou a cidade de Mariúpol, que tem valor estratégico e económico. As restantes cidades, não se deu ao trabalho de as ocupar por muito tempo.

  7. “a intenção de Washington era derrubar o poder em Moscovo e desmantelar a Rússia criando estados aliados que serviriam para cercar a China”. Está visto que você é mais um dos adeptos das teorias da conspiração que pululam nas redes sociais. Acha mesmo que desmantelar a Rússia é possível? Só se for a partir de dentro, agora que começam a aparecer cada vez mais grupos militares privados que vão lutar pelo poder, como acontecia no Afeganistão no século passado.

    1. Acha mesmo que desmantelar a Rússia é possível?

      Eu acho que não, mas é um desejo que tenho visto o Pedro Correia propagar neste blogue…

  8. Eh pá, sr. Luís Naves, então isto diz-se?
    (….não será um putismo a antever a desculpa do que vai acontecer…)

  9. Parece me que ainda ha pessoas que começam a divulgar a verdade!!!!!E muito difícil pois quem controla a media, controla o governo, a economia, etc.

  10. Não estava à espera de ler isto. É raro ver pessoas com cérebro e conclusões próprias.
    Brilhante. Parabéns.

  11. Longe de mim, rebater a douta opinião dos que aqui negam a intervenção americana neste conflito. No entanto, há uma dúvida que me atormenta, e que talvez eles me ajudem a entender. O que fariam os americanos (depois de repetidos avisos de desagrado), se os russos, ou chineses ocupassem, de uma forma ou outra, o México, ou a Venezuela, e instalassem mísseis nesse território apontados para Washington?
    Não menciono Cuba, porque sou suficientemente velho, para me lembrar do que fizeram em 1962.
    Para os mais inteligentes, que quiserem saber mais sobre este conflito, recomendo escutarem a opinião do coronel Douglas McGregor, que por não ser de esquerda, nem simpatizante russo, é insuspeito e procura ser racional.
    https://www.youtube.com/watch?v=hUsYFtVH0Yc

    1. “Não menciono Cuba, porque sou suficientemente velho, para me lembrar do que fizeram em 1962.”
      Pois, imagine que Cuba queria pertencer ao Pacto de Varsóvia e instalar mísseis na ilha para se defender dos EUA, como a Ucrânia quer fazer o mesmo e pertencer à NATO, para se defender da Rússia.
      Cuba também um estado independente, com fortes ligações à ex-URSS, assim como a Ucrânia é um estado independente com pretensões de aderir à UE.
      Cuba cedeu e não houve um conflito mundial, a Ucrânia não quer ceder e temos guerra, e estamos a ter um conflito que se começa a sentir em termos económicos à escala mundial.

    2. Longe de mim defender russos ou americanos pois são duas faces da mesma moeda. Mas não deixa de ser curioso que se fale na crise dos misseis de Cuba em 1962 sempre que ha uma ameaça nuclear vinda dos russos, mas ignora-se o que foi feito em 1960-61 pelos americanos na Itália e Turquia….Goste-se ou não, a história tal como é apresentada, é tendenciosa a favor dos americanos. Do alto da minha douta ignorância só vejo a europa a dar-se mal com este conflito, para regozijo de americanos, chineses, russos e sauditas, claro. Cada um com os seus motivos, mas todos a esperar que a europa colapse.

  12. Nunca alguma guerra foi ganha sem o apoio da população.
    Podem ganhar batalhas mas a derrota final é certa. Basta rever a História da Humanidade.

  13. A Europa Ocidental não presta, os EUA não prestam.
    Para onde correm os povos que querem melhorar de vida? Rússia? China?
    Estarão errados?
    Europeus e Americanos a fugir para a Rússia e China?
    Russos e Chineses a fugir para Europa Ocidental e EUA?
    Quer contar?
    Quer tentar fazer este artigo de opinião na Rússia ou China?

    1. Porreiro pá, é tão bom esta inflacçãosinha, milhares de mortos e refugiados para trabalhar nas estufas que são loirinhas e não rezam viradas pra Meca.

    1. As próximas eleições serão as europeias, daqui a cerca de um ano. Nessas eleições, e somente nessas, eu provavelmente votarei no PCP. Apesar de estar nos antípodas, ideologicamente falando, desse partido. Porque todos os outros partidos têm sido colaboracionistas em relação à posição miserável – de cócoras perante os EUA – em que a União Europeia se colocou desde há um ano.

  14. A Russia não é flor que se cheire.
    Resumo assertivo da realidade da guerra… na Ucrânia. Deveria ser lido por muitos, e talvez seja, mas alguns terão medo de sair da superfície porque poderão descobrir uma realidade diferente da que estão… habituados.
    Outras guerras decorrem, outras já decorreram e até há um denominador comum, os actores: Estados Unidos e os seus subservientes da Nato, que foi criada com um propósito e ainda existe nos dias de hoje, com um acordo celebrado na altura do fim da União Soviética, não cumprido. Os Minks, já admitidos por ex-líderes políticos europeus que nunca tiveram intenção de o cumprir. 8 anos a bombardear os próprios cidadãos (Ucrânia) e ninguém disse nada.
    Sérvia também ninguém disse nada.
    Yemen também ninguém diz nada.
    Síria também nada, aliás, mesmo após terremoto não se deixa entrar toda a ajuda humanitária, não se levantam (ridículas) sanções que só prejudicam a população.
    Líbia também ninguém se lembra.
    Iraque, que ocorreu há 20 anos e matou milhões de pessoas, atacado sobre falsos pretextos, já admitidos por diversos líderes políticos. Quais foram os verdadeiros motivos? Não queiram saber.
    É muito mais fácil viver na mentira e não tentar perceber as razões pelas quais algumas coisas acontecem.
    Dar como verdade absoluta o que os principais média de vez em quando “regurgitam” nem sempre é a melhor solução.

    1. E o caro Anónimo lembra-se da Hungria (1956), da Checoslováquia (68), do Afeganistão (79)? Consta que não foram os EUA que lá estiveram (mas se calhar a história está errada…). E os líderes da altura do Iraque, da Líbia, da Síria (ainda hoje) devem ser (para si) modelos de liderança!…

      1. Não está autorizado a lembrar-se dessas coisas. Ai dele que ouse lembrar-se e será de imediato remetido para a sala da auto-crítica.
        Parece que aquilo não é fácil! …

      2. Sakharov
        Todos nos lembramos disso e também nos lembramos, para comparar, o que se passava nos países da América Latina, até há pouco tempo, e no Vietname, Filipinas e Indonésia.

  15. É só perguntar aos países de leste que viveram aprisionados 45 anos pelo imperialismo soviético e agora à Finlandia e Suécia que aderiram à Nato, porquê que receiam tanto a Russia ? Eles explicam melhor que qualquer um de nós .

    1. Enquanto os sociais-democratas governaram nunca quiseram pertencer à NATO, agora a direita armamentista no poder tem de pertencer a uma força armada.

  16. Há muitos anónimos a comentar este post.
    Permito-me suspeitar que sejam todos a mesma pessoa, a fazer diferentes comentários que na verdade refletem uma só opinião.

  17. Saliento dois comentários: o de José e o do anónimo que diz que não estava à espera de ler isto.
    Concordo inteiramente com estes dois comentários. Aliás, há pouco quando li o texto apeteceu-me escrever um outro comentário mais ou menos nestes termos: Xiiii Luís Naves, atreveu-se a escrever aqui umas coisas destas? Vai ‘ouver’ das boas …
    Não o fiz e resolvi escrever este.
    Nesta guerra há vários intervenientes, dos quais refira apenas quatro, para economia de espaço:
    – O agressor, a Rússia. Putin, o seu ‘capo’ comunista, sim comunista. Apesar de, por estas paragens, ser apelidado de nazi, a imprensa nunca mostrou carros de combate com bandeiras c/ suástica, mas com foice e martelo, iss sim! Afigura-se que a mistura dos nazis nesta história serve para, uma vez mais, branquear comunistas, ou pelo menos ‘acinzentar, um pouco. Putin não foi um comunista qualquer e por isso não vale a pena a tentativa de branqueamento.
    – O agredido, a Ucrânia. Vítima de agressões monumentalmente cruéis, das quais saliento a morte dos habitantes à fome e por deportação, o tristemente célebre Holodomor, e agora uma guerra devastadora.
    É bastante penalizador ter conhecimento do número elevado de vítimas civis e de toda a sorte de maus tratos a que foram e estão sujeitas pela tropa soviética. Este modus faciendi soviético apenas surpreendeu os distraídos.
    – O mais eficaz aliado da vítima, os Estados Unidos. Que serão também os principais ganhadores deste conflito. Nas guerras, os principais ganhadores são os detentores da dívida de guerra.
    (continua)

  18. – E … a Europa. A Europa pelintra e ‘acagachada’ por temor da Rússia e empurrada pelos USA, aqui andou com todas as hesitações e tergiversações que conseguiu inventar até acabar por fazer o que o Tio mandou. Se estes ‘governantes’ europeus, quase todos eles ridículos, soubessem o que andam cá a fazer, já tinham enviado todo o material que prometeram logo no início do conflito e, provavelmente, a situação actual seria bastante diferente e o caminho para a paz poderia estar mais à vista.
    Mas como se trata de gente com pouca capacidade para as funções que ocupa, entretém-se com nulidades como a intrujice climática, as ‘feminices’ e os setenta e tal, ou mais, ‘génaros’, os cancelamentos e os refugiados de cataclismo nenhum, nisso ‘esturrando’ boa parte dos meios a afectar à defesa. Para não falar dos meios para sustentar legiões de desocupados.
    Para eloquente amostra deste grupo basta referir a ignorante Bearbock, da Alemanha. A tal que disse que o Putin deveria dar uma volta de 360º para que se pudesse encarar uma negociação do conflito. Até o Medvedev lhe atribuiu umas orelhas de burro em geometria.

    1. O João Brandão viu carros de combate russos com a bandeira comunista, provavelmente algum regimento antigo do tempo da ex-urss que essa era a bandeira do país durante 60 anos.

    2. Bem, a parte dos 360 graus, tanto quanto sei tem direitos de autor, é do nosso Paulo Futre que a cunhou quando saiu do Porto para o A. Madrid dizendo que a vida dele tinha dado uma volta de 360 graus.
      Quanto à Europa, duas pequenas achegas para a conversa.
      Por um lado está a sofrer por tabela com o facto de a pax americana estar a ser ameaçada ou pelo menos desafiada, o que não acontecia desde o final da 2ª Guerra, Sim, está entretida também com os cancelamentos e as reescritas dos livros e do passado, mas os movimentos tectónicos dos poderes mundiais em busca de um novo equilíbrio são mais determinantes.
      Em segundo lugar, a questão dos governantes: não são lá grande coisa, é certo, mas isso é válido para todas as épocas. Políticos hoje venerados como Roosevelt, Willy Brandt e muitos outros eram igualmente considerados medíocres pelos seus contemporâneos. Dou o exemplo para mim mais significativo de todos – Churchill. Teve uma longa carreira política (mais de quarenta anos) ao longo da qual acumulou derrotas, mais derrotas e desastres (Galipoli – 1ª Guerra), sendo ele próprio considerado um desastre ao longo de quase toda a carreira. Depois foi o homem certo no momento certo na 2ª Guerra e a seguir foi a eleições e os eleitores mandaram-no para casa.

      1. Não discordando das suas achegas, permita-me que insista no caso de Annalena Baerbock. Não irei chamar-lhe mais nomes, mas criatura não dá uma para a caixa, como soía dizer-se
        . Julgo que saberá, mas o alemão dela é muito deficiente. Não sou eu que o digo mas sim alguns jornais germânicos, a ponto de há semanas ter dito no Bundestag que a Alemanha declarou guerra à Rússia, isto, por má construção da frase,. Não conheço o texto ipsis verbis, reporto-me apenas à CS.
        E a história dos 360º foi motivo para chacota vária.
        E não refiro nada sobre o Ministro da Economia lá do sítio, Habeck, pois também tem umas ‘pérolas’ do mesmo tipo, mas fica para outra altura.
        Pensava eu que o país deles mereceria melhor, mas os eleitores alemães é que assim determinaram.
        O mais lamentável disto é algumas das decisões que eles lá tomam acabam por ter más consequências para nós também.

        1. Concordo consigo, o último parágrafo em particular.
          De qualquer maneira, acrescentaria o seguinte:
          Temos por vezes uma imagem idílica em relação à Alemanha, em particular no que toca a eficiência e seriedade, que não corresponde exatamente à verdade. Existem problemas internos significativos, alguns ainda derivados do processo de reunificação, e a geração que assumiu a vergonha pelo nazismo está quase extinta. Acresce um facto incontornável – em termos geopolíticos, a Alemanha é demasiado grande para a Europa e demasiado pequena como putativa potência mundial.
          E depois há um pormenorzinho que nos devia deixar a todos no mínimo um bocadinho desconfortáveis, para dizer o mínimo: em resultado da invasão da Ucrânia a Alemanha vai rearmar-se. Dizem que a História não se repete, mas…

  19. DIZER NÃO À CIVILIZAÇÃO DA PILHAGEM:
    -> vulgo colectivo ocidental da pilhagem… liderado pelo império que pretendia comprar o mundo com dinheiro falso (vulgo USA).
    .
    —>>> O LEGÍTIMO DIREITO AO SEPARATISMO IDENTITÁRIO.
    .
    .
    .
    O CIDADÃO DO SISTEMA CONTINUA IGUAL HÁ 500 ANOS
    -> tal como há 500 anos atrás, são uns vendidos a interesses económicos ‘construtores de caravelas’: interesses económicos que projectam a pilhagem de riquezas…
    Todo o planeta sabe:
    – querem dinheirinho da União Europeia, isto é, querem dinheirinho de impostos pagos por multinacionais: têm de estar em conluio com negociatas de pilhagem (Iraque, Síria, Líbia, …).
    .
    .
    Os boys e girls das sabotagens sociológicas ao estilo ocidental (vulgo europeus-do-sistema) andam há 500 anos mal habituados!
    Sim:  O OCIDENTE FOI À PROCURA DE MAIS UMA PILHAGEM
    -> América do Norte, América do Sul,… Iraque, Síria, Líbia,… agora os boys e girls do sistema apontam para a Russia.
    .
    .
    .
    .
    .
    UCRÂNIA: MAIS DO MESMO…
    .
    .
    -> «As regiões russófonas integradas pela ditadura dos sovietes na Ucrânia devem regressar à Rússia»!!!
    [sim: os ucranianos procuraram usar essas regiões como INSTRUMENTOS DE PILHAGEM]
    .
    As regiões do leste da Ucrânia… são regiões russófonas que a ditadura dos sovietes integrou na Ucrânia.
    .
    Os ucranianos repudiam a ditadura dos sovietes… sim, pois, mas não disseram:
    – «as regiões russófonas integradas pela ditadura dos sovietes na Ucrânia devem regressar à Rússia»
    … em vez disso…
    VENDERAM-SE À CIVILIZAÇÃO DA PILHAGEM:
    – nove, em cada dez, dos mais variados analistas ocidentais garantiam: armas da NATO na Ucrânia… juntamente com… sanções económicas à Russia, e… a Russia seria conduzida ao caos: tal seria uma oportunidade de ouro: iria proporcionar um saque de riquezas da Russia muito muito muito superior ao saque de riquezas que ocorreu no ‘caos-Ieltsin’ na década de 1990.
    .
    Nota: sim, era expectável que a Russia fosse socorrer os russófonos das regiões russófonas do leste da Ucrânia… e um fornecimento de armas da NATO à Ucrânia (em simultâneo com sanções económicas) iria conduzir a Russia ao caos.
    .
    Nota 2: após a revolução ‘colorida’ de 2014, foi um  ‘festival’: proibição da língua russa, massacres, bombardeamentos: é calculado que tenham morrido cerca de 15 mil russófonos… sim: e os europeus-do-sistema a ‘assobiar para o lado’.
    .
    .
    .
    OS ‘PAVÕES’ OCIDENTAIS
    .
    Os ocidentais do sistema, ‘esfregando-as-mãos’ com a oportunidade de pilhagem, andaram por aí a pavonear-se como mestres Sun Tsu:
    Merkel, Holland andaram a pavonear-se para o seu eleitorado (vulgo europeus-do-sistema): “os acordos de paz de Minsk não eram para cumprir… eram para ganhar tempo aos russos… isto é: fortalecer o exército ucraniano”.
    .
    .
    .
    .
    .
    Não basta basta repudiar a civilização da pilhagem!
    É preciso também não ser um COBARDE CÚMPLICE DA CIVILIZAÇÃO DA PILHAGEM!
    Sim: urge reivindicar Liberdade/Distância/Separatismo dos boys e girls da civilização da pilhagem.
    .
    Sim: tenham coragem Identitários:
    – urge reinvindicar o legítimo direito ao separatismo Identitário.
    SIM:
    -> na origem da nacionalidade esteve o Ideal de Liberdade Identitário:
    – «ter o seu espaço, prosperar ao seu ritmo».
    -> NÃO, NÃO, NÃO foi o roubo, o saque, a pilhagem, os tiques-dos-impérios: o cidadanismo de Roma!…
    Resumindo:
    —>>> Os tiques-dos-impérios lovers, os globalization-lovers, os UE-lovers, etc, que fiquem na sua/deles respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa.
    SEPARATISMO IDENTITÁRIO:
    -» blog http://separatismo–50–50.blogspot.com

  20. Um excelente resumo sóbrio do vergonhoso e suicidário papel da UE nesta tragédia, com a notável e corajosa excepção da Hungria, cujo governo não abdica de defender os interesses vitais da sua população e até dos húngaros que vivem na Ucrânia.

  21. logo no inicio do conflito percebi que o terreno (guerra) era na ucrania mas a guerra era outra.
    Fiquei atento ás noticias do cerco ocidental ao terceiro mundo, as viagens para moçambique, o caso argelia .
    Entretanto lá fui lembrado de casos de paises ocupados, dentro de paises da nato, um dos casos tem 50 anos.
    Por isso, quanto li a raquel tavares falar em pessoas que iam morrer para nada, confirmou o que já pensara.
    Mas pronto, se calhar a procissao ainda vai, no terreno, no adro.

  22. e já aqui, Delito, o disse, agora com mais palavras :
    decorre o jogo entre benfica (poder) e a provincia (f c p ).
    Muitos no norte nem gostando do benfica e também nao gostando nada do f c porto, mas nao concordam com o “centralismo”, querem mudança.

  23. Obrigada Luis Naves pela excelente análise, objectiva, verdadeira e corajosa.
    Deixei de acompanhar este Blogue devido ao sectarismo cego e agressivo, que verifiquei em alguns comentários discordantes da narrativa oficial dos média mainstream.
    Os putinistas e comunistas como assim eram tratadas as vozes discordantes, afinal tinham razão, pq quem se detém nas Consequências sem analisar as Causas ou é falho de inteligência ou tem outros interesses debaixo da asa.
    AF

  24. 1 – o sapo mostra um cronista profissional que todos os dias escreve sobre a guerra.
    Tem graça, e já vou explicar porque : cada vez que se anunciam mais armas para a ucrania , ou as recebe, fica embriegado e sentencia : agora é que vai ser !!!
    O facto é que a guerra prossegue…um dia talvez acerte.

    2 – outro cronista criticava, aí por fev-2023, os indiferentes, os que nao alinham com nenhuma das partes (eua-urss).
    O curioso é que o termo utilizado nao foi “indiferentes” mas um termo com o mesmo significado, que nunca tinha visto, termo que me cativou, mas que lamentavelmente nao memorizei.

  25. Lendo, em dias seguidos, os comentários a este post e os comentários às notícias sobre o homicídio no Centro Ismaelita no Observador, sinto que tenho sido injusto para com os eleitores do PAN.

  26. Esta na hora de a Hungria sair da UE e alinhar no eixo servo-magyar com Moscovo. Esta na hora também de todas a as fabricas saírem da China e voltarem ao Ocidente. E está na hora de os produtos chineses começarem a pagar taxas alfandegárias como os outros países. Nao precisamos de viver na esfera de um país mentiroso, fascista e brutamontes como a Rússia, nem de um país de cínicos com duas ou três caras como a China.

  27. Poucas vezes se olha para a história, e ela nos mostra sempre e sempre os mesmos sucessos e os mesmos erros, civilizações que se pensavam invencíveis colapsaram.
    O mesmo se passa hoje em dia, a diferença é que os impérios de hoje desmoronam-se em muito menos tempo. Nos tempos modernos, o império britânico findou no fim da 2 grande guerra, o império soviético colapsou nos finais dos anos 80, a hegemonia americana vai a passos largos pelo mesmo caminho e a China mais ano menos ano assumirá a hegemonia mundial.
    Resta saber de que lado queremos estar, porque neste mundo não existem bons e maus existem aqueles que mandam e os que são mandados.

  28. É entre um país que invadiu e o outro que se defende. Muito simples. Que texto absurdo digno dos camaradas do pzp

  29. Finalmente a lucidez começa a ter o mesmo tempo de antena que a carneirada que adora embandeirar em arco. Excelente texto, corajoso e cru como a verdade costuma ser. Basta ler um pouco do que foi a história daquela região nas últimas décadas, e fica fácil de perceber que tudo o que se passa hoje, apesar de trágico, nunca será uma questão tão simples de distinguir como preto e branco.

  30. Ó ignorante autor do texto, se a Rússia é assim tão-tão, como é que, mais de um ano depois, com tanta arma sofisticada e tanta gente e tanta preparação para a guerra, ainda não ganhou nada. Lembro-me de que quando os USA atacaram o Iraque, aquilo foi como quem limpou o cú ao menino. A Rússia vai acabar destroçada. A China toma conta daquilo (que é para ter um lugar para onde mandar os presos políticos) e os USA ficam com o resto do planeta. Viva o Benfica.

  31. Este post é um exemplo tristíssimo de como é possível ser-se apenas um idiota útil de Putin.
    Na prática, pessoas como o Luís Naves estão sempre contra o Ocidente que lhes deu a possibilidade de dizer mal do próprio Ocidente com as maravilhosas comodidades que o mesmo Ocidente lhes dá.
    Alguns dizem que, sendo eles idiotas úteis da narrativa do Putin, eles serão manipulados por Putin. Francamente, acho que os move é sobretudo o ódio ao Ocidente onde vivem, tal como certos filhos têm ódio aos seus próprios pais.
    Na prática sem o saberem e sem o próprio Ocidente ter consciência disto, estes idiotas úteis são manipulados pelo odioso Ocidente da seguinte forma: se o Ocidente, sobretudo os EUA, tomam uma atitude, eles são contra. Se o Ocidente, sobretudo os EUA, tomar a atitude inversa, eles também são contra! A única coerência que têm é que são sempre contra o Ocidente!
    Há explicações mais psicológicas, tal como o processo psicológico que já referi e leva alguns a terem ódio aos próprios pais, do que explicações políticas para este seguidismo por qualquer ditador anti-ocidental…
    E, finalmente, no meio disto tudo, a vontade dos povos não interessa, neste caso não interessa nada a vontade dos ucranianos escolherem o seu caminho… É tudo uma questão geopolítica de contornos conspiracionistas entre EUA e Rússia! Os seres humanos não existem. Apenas há peões dum conflito geopolítico.

  32. Péssimo fragmentário e péssimos os comentários. Vocês têm tendência a ser fascistas e egoistas. VERGONHA!!! 

  33. Mas o que é isto?
    Que Delito de Opinião é este?
    Até parece estar a soldo do império comunista de Moscovo e arredores. O que é feito da nossa peneira por causa das criancinhas e de alguns velhotes?
    Mesmo que o Papa esteja a adoecer não saberemos se vai haver amnistia para tudo o que se quiser.

  34. Efectivamente não se trata de um conflito entre bons e maus, mas sim entre “nós” e “eles”. Isso faz toda a diferença e deve definir todos os posicionamentos. E a liberdade – inclusivamente de escrever este Delito – permite que muito que estão entre nós se assumam como deles.

    1. Admito que não hajam santos e pecadores mas ainda assim, é clara a diferença entre o lado bom (o das vítimas ucranianas que foram atacadas) e o lado mau (o dos agressores da Rússia que cometem sistemáticos crimes de guerra contra civis).

  35. O unico comentario de jeito que vi em mais de um ano de guerra.
    Se soubesse quem voce era mandava-lhe uma de tinto.

  36. Os negacionistas do conflito são aqueles que dizem que a Rússia foi atacada.
    Nenhum governo do mundo é nazista. O nazismo desde 1945 que já não existe em nenhum governo.
    NATO/EUA – são países livres e democráticos embora reféns de opiniões sociais minoritárias que passam nos diversos mídia. Na “mãe Rússia” nunca existiu democracia nem liberdade de expressão.
    O senhor Viktor Yanukovych (ex presidente da Ucrânia durante a revolução de Maidan) não é democrata, é comunista e era apoiado por outro comunista (Vladimir Putin). O povo ucraniano é livre de fazer o que quiser com o seu governo.
    A Rússia assinou o Memorando de Budapeste sobre Garantias de Segurança para a Ucrânia e está a incumprir e tem de pagar por esse incumprimento.
    Os acordos de Minsk foram realizados por Putin de má fé (já tinha invadido a Crimeia) que é território ucraniano. Nunca teve intenção de os cumprir.
    Pela história a Crimeia não é Russa, e isto porque na realidade a Rússia é que pertence à Ucrânia (a chamada Rússia de Kiev) em que a capital era Kiev (fundada no século V), Moscovo foi fundada séculos mais tarde.
    O senhor Putin invadiu pela força (poderia ter perfeitamente sugerido à ONU) fazerem-se referendos supervisionados pelas Nações Unidas nas regiões separatistas (não o fez porque sabia que perdia). Os seus referendos foram fraudulentos, bem como as eleições na Rússia.
    O presidente ucraniano foi eleito democraticamente.
    Rússia atualmente diz que não existiu nenhum massacre em Bucha. É um regime genocida.
    China é igual à Rússia. São regimes comunistas autocráticos, déspotas, cleptocráticos, nepotistas, tiranos e doentes. A China invadiu o Tibete em 1950 e o mundo cobarde nada fez.
    Se a NATO quer acabar com a guerra, os países da NATO devem deixar entrar a Ucrânia na Aliança ou enviarem mísseis nucleares para a Ucrânia se proteger contra a tirania.
    A Rússia e China têm de ser travadas o quanto antes pois caso contrário o mundo vai-se tornar muito mais perigoso.
    Enquanto a Rússia e China não derem lições de democracia ao mundo, vou continuar a preferir o continuamento de relações euro-atlânticas do que euro-asiáticas.

    1. Tanta sabedoria…. quanto à invasão da Rússia czarista/comunista, qualquer criatura decente tem necessariamente ” tantas certezas ” isto hoje as extremas- esquerda e direita invadiram a caixa de comentários.

  37. Fuooda-sse, como se consegue dizer tudo em tão poucas palavras.
    Obrigada.
    Não sei por que tive de ir ver a data do post. Continua actual.

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