Um caso irrecuperável


Pedro Correia,

Rui-Rio.jpg

 

António Costa intromete-se na campanha eleitoral em curso no Benfica, violando o Código de Conduta que ele mesmo fez aprovar para o seu governo. A pandemia retoma o ritmo galopante em Portugal, regressando aos preocupantes números de Abril, quando o País estava sob estado de emergência. Uma remodelação governamental atira para fora do Executivo a secretária de Estado da Saúde sem uma palavra pública de justificação, desmentindo o primeiro-ministro quando há seis meses garantia que «não se mudam generais a meio da batalha» 

Enquanto isto decorre, o alegado “líder da oposição” mostra-se preocupado… em transferir a sede do Tribunal Constitucional para Coimbra.

Já não sei se é colaboracionismo conveniente, militância convicta pelo bloco central ou mera inépcia de quem não nasceu para isto.

Sei, isso sim, que estamos perante um caso irrecuperável.

38 comentários em “Um caso irrecuperável”

  1. Está quase tudo certo, e o que falha é o suposto ritmo galopante da pandemia.
    Só poderia ser considerado ritmo galopante da pandemia se o número de mortes acompanhasse a subida do número de infectados. Ora como o número de mortos está praticamente estável, a pandemia não pode ser galopante.

  2. Eu até concordo com a sua (dele) pretensão. Mas um político na sua condição deixaria uma proposta como esta para um momento em que já fosse PM. Assim, mais parece um garoto no recreio a brincar à política. O homem não tem mesmo jeito para isto. Talvez pense que obtém o cargo de PM através de apresentação de CV e entrevista de emprego.
    JM

  3. Cheguei a admitir a hipótese de estratégia estudada até que Costa caísse por ele próprio sem ser ao empurrão. Demasiado inocente ou colaboracionista dedicado, esse insistente malhar em ferro frio não se coaduna com a condição de líder do maior partido da oposição.

  4. Pensei exactamente o mesmo.
    Isto logo a seguir aquele patético cartaz da gaja da República com máscara.
    Definitivamente o homem nasceu para isto.
    O caudilho vai todos os dias para a cama com o alarve sorriso cada vez maior.

  5. Não existe, que se saiba, uma hipótese política credível, nem esquerda nem direita nem centro. E em terra de cegos quem tem um olho é rei, mas talvez sejamos todos cegos, uns de uma forma outros de outra.

  6. A Jamila Madeira é uma aposta a longo prazo. Tem de ser protegida nesta fase em que os números vão piorar muito. Quando vier a bonança vai aparecer num qualquer cargo com muita visibilidade. É assim a pulhitica!

    1. Que rica maneira de “proteger” a secretária de estado! Diz-se que a saída dela foi 1 exigência da Ministra da S. (estava a “incomodar”) e o comunicado da Jamila Madeira ilustra bem a tensão dos últimos meses…

      1. Se somarmos a isso a inusitada e quase inacreditável declaração da ministra da Justiça, ao dizer – aludindo a Costa – que «em matéria de paixões cada um tem direito à sua contradição íntima», ficamos com uma ideia nítida de como a barca do governo vai metendo água por vários lados.
        https://observador.pt/especiais/van-dunem-sobre-apoio-de-costa-a-vieira-em-materia-de-paixoes-cada-um-tem-direito-a-sua-contradicao-intima/

        O que só não chega a ser grave para o PM por inexistência de oposição. Os
        últimos espécimes foram avistados num parque temático da Lourinhã.

  7. Meus caros e caras concidadãos e concidadãs, quero dizer-vos que isto tudo anda uma merda. Ainda assim desejo-vos um bom dia.

    Quero anunciar-vos algumas mudanças políticas de natureza muito relevante: Cristo virou preto.
    https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/pieta-com-jesus-negro-ao-colo-quer-ser-mensagem-antirracista

    Dizem os especialistas que esta imagem torna-se um ícone de inculturação. Porém é uma falha muito grave. Grave, na medida em que devem fazer umas novas piedades com japoneses, chineses, timorenses, indonésios, papua-nova- guiné, indianos, índios, tibetanos, paquistaneses, russos, vietnamitas, moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos, quenianos, sul-africanos, bosquímanos, guineenses, senegaleses, etíopes, ruandeses, congoleses, em suma, um Cristo representando um negro por cada tribo africana da região subsaariana e não só, um Cristo por cada região de Portugal (representando as cores do club e do partido de cada um), um Cristo representando cada estado norte-americano, um Cristo representando cada região do Canadá (francófona e anglófona), um Cristo ………………………………….……..
    Assim todos compreenderiam que a dita inculturação de Cristo serviria para combater os racismos tribais entre negros, asiáticos, índios e indianos e tantos mais.

    Mas também uma pietá sem Cristo, simbolizando a verdadeira morte da igreja naqueles que dizem representá-la – os bispos, os vigários, os priores, os párocos, os pastores, os reverendos, os ministros -, que se consideram os donos de Deus, dos sacramentos e das teosofias que propagam que nem peste em tempo de covid, que comem com os olhos as imagens sem comerem com o coração, no coração e na mente o significado dentro da imagem.

    Eu gostaria de ver as igrejas centradas na verdadeira mensagem de Cristo e menos iconoclasta, isto é, destruidoras do verdadeiro sentido do que as imagens representam.

    Não necessito de um Cristo negro, ou asiático, ou russo, ou chinês, ou indonésio, ou africano, ou ameríndio para perceber e procurar entender aquilo que a Palavra revela; para entender o significado da última e derradeira Revelação; para entender que o cristianismo faliu por causa dos que se pensam donos de Deus, que o construíram à sua verdadeira dimensão, que criaram imagens d´Ele, apontando para si mesmo como pastores ou padres ou bispos ou reverendos ou ministros, para legislarem sobre o que não se legisla, e que levam consigo uma turba de prosélitos que estão aí como alimento e não se deixam alimentar.
    O mesmo se passa em outros quadrantes religiosos, mas a pietá não é deles.

    Portanto, se alguma reconstrução eu fizesse da pietá seria colocar nos braços de Maria uma manjedoura com a Palavra e a seus pés uma montanha, em uma alusão ao sermão proferido por Jesus. Mas também para deixar claro que quem quiser sentar-se nessa montanha para escutar a Palavra tem de o fazer por conta própria e evitar a turba que se entende como donos de Deus, dos sacramentos e que O constroem segundo a sua imagem.

    Porém a esses que o façam por conta própria recomendo que durante o percurso rezem por aqueloutros anteriormente referidos. Pois a Deus nada é impossível, e pode acontecer que muitos desses possam ser curados de suas vaidades e ignorâmcia.

    Quanto à matéria do post: é uma matéria também política e que reflecte que os políticos, e os prosélitos que os acompanham, se encontram na mesma situação que aqui procurei relatar.
    Quem quiser um movimento político com civismo, faça-o por conta própria.

    1. Nos EUA a Universidadede Princeton pelas tácticas de poder neo-marxistas internas acabou pelo seu presidente de se declarar racista….
      Surpresa: o Dept.Federal de Educação abriu uma investigação formal, se confirmar acabaram os $$$ federais…

      lucklucky

      1. As preferências são suas. Mas a pietá é obra de Miguel Ângelo, que inculturou a fisionomia de Cristo, e é para permanecer como está. Não para ser usada por um qualquer para propagandear suas convicções pseudo-políticas.

        Tem aqui um Cristo chinês:
        https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:ChineseJesus.jpg

        Cada um faça a representação de Cristo como quiser, mas não usem a pietá para armar ao pingardelho, porque esta é obra europeia e em particular da Europa do Sul que sempre foi mais criativa e aberta.

        Quanto às justificações que fazem para Cristo virar negro na pietá: uma merda.

  8. Já Daniel Bessa, ex-ministro da economia, aposta as fichas todas em Rui Rio, diz que o futuro passa por ele. Poupadinho como é diz que é contrário ao aumento do salário mínimo porque as pessoas durante o confinamento não tiveram de gastar dinheiro em roupa, um génio da economia, o Nobel não deve tardar.

    1. Rio funciona como uma espécie de seguro de vida política de Costa. Quando tudo parece correr mal ao primeiro-ministro, como vem sucedendo nos últimos dias, ele terá sempre a certeza de que o “líder da oposição” jamais o deixará ficar mal.

  9. A pandemia não está em ritmo galopante. Atualmente faz-se o dobro (ou mais) de testes diários do que se fazia em abril, para se acabar por descobrir o mesmo número (ou menor) de infetados. Ademais, o número de mortos diário é um décimo daquele que era em abril, e o número de internados em cuidados intensivos é um quinto daquele que era em abril.
    Portanto, a pandemia está, na pior, das hipóteses, estável.

      1. aconselho-o a não pôr a máscara de lado

        Ando sempre com ela, dado que sou obrigado a utilizá-la em muitos sítios. Mas é uma fantochada, dado que se trata de uma máscara de pano reutilizável que eu nunca lavo, e que portanto está ela própria cheia de uma grande variedade de vírus e bactérias. Só serve para fingir que protege.

        vá lavando as mãos de vez em quando

        Nunca lavo as mãos com sabão nem detergente, dado que tenho a pele das mãos muito sensível e qualquer destruição da camada de gordura natural que a protege fá-la piorar de estado enormemente. Portanto, todo e qualquer vírus que eu tenha na pele das mãos jamais será destruído por sabão.

        1. Soflan, Balio. Ao fim do dia, enfie a máscara uns minutos em água com Soflan. Ponha-a secar e no dia seguinte de manhã vai perceber que é muito mais fácil e agradável usá-la.

          1. Obrigado pela recomendação, mas não tenciono lavar a máscara diariamente. Tal como escrevi, a máscara só me serve para fingir que protege e para obedecer às regras que me impõem que a utilize. Eu não tenho medo do vírus – nem de o contrair, nem de o propagar.

        2. 17.09.2020 às 15:19
          Se nunca lava as mãos com produtos concebidos e adequados para o efeito logo a partir da nascença, por sensibilidade de pele altamente alérgica a produtos higienizadores; passado o espanto uma dúvida persiste.
          Quem lhe dá banho?

  10. Eu acho muito melhor que Rui Rio proponha uma reforma, ainda que pequena mas com potencial para se tornar maior, do país, especificamente no sentido da descentralização e da quebra da macrocefalia lisboeta, do que ele perder tempo a criticar a espuma dos dias, tipo:
    – O primeiro-ministro ser a favor de um candidato qualquer à presidência do Benfica – coisa que fica mal, é certo, porém nenhum prejuízo trás a Portugal.
    – Uma secretária de Estado ser substituída – sem que se saiba se ela era especialmente boa ou especialmente má no seu papel, e portanto sem que se saiba quem se deve, especificamente, criticar, se a substituída se o substituidor.
    – O número de infetados com o vírus estar a subir – sem que isso acarrete qualquer acréscimo de morbilidade ou mortalidade.

    1. O seu comentário, genericamente, está bem construído. Porém qual ou quais as organizações estão hoje preparadas para não serem conduzidas pela espuma dos dias?
      Contra a espuma dos dias consegui detectar no mundo actual 2 personagens que contra ela foram e até mesmo galvanizaram uma parte substantiva do eleitorado para essa transformação: Trump e Bolsonaro.
      Isto talvez ajude a compreender que as instituições nacionais e supranacionais carecem de visionários e/ou profetas e/ou corajosos para se superarem a elas mesmas. Eu não acredito em nenhum deles como salvadores. Porém acredito que o comodismo de muitos tem ajudado a manter a situação como se encontra.
      Portanto, a macrocefalia lisboeta dá jeito às direcções das demais instituições espalhadas pelo país.

      O caso da pandemia vem revelar que nos países que preconizaram a manutenção de uma certa abertura social, como os USA, mas também o Brasil, os mais atacados por mortes e contágios são os grupos mais desfavorecidos e também aqueles cujas profissões obrigam a uma maior exposição:
      https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/75-dos-obitos-entre-os-jovens-nos-eua_5f61bfb1cafb20462a8e22ea

      Também são estes grupos que possuem menos capacidade de acesso a cuidados sanitários.
      No caso português os 64,2 casos por 100.000 habitantes só vem revelar que os grupos anteriormente vulneráveis, que careciam de melhor fiscalização por parte do estado (idosos em residências) mesmo antes da pandemia, são os que continuam mais afectados pela mortalidade.
      No entanto, e apesar de tudo, o SNS tem sido o garante de uma menor taxa de mortalidade pela Covid. Não obstante, a outros níveis de cuidados sanitários, se continuarmos como estamos a pandemia de mortes será pior que a que este bicho afecta.

  11. De facto, vários casos irrecuperáveis, sendo o mais irrecuperável o da pandemia de casos, a chamada casodemia, com que o pretenso jornalismo martela todos os dias a realidade que nos é servida com palas para burros. Um jornalismo produzido por quem se mostra incapaz de compreender artigos científicos, se é que alguma vez os leram. Um autêntico sadismo diário de quem apenas nos procura instilar medo sem nada fazer de verdadeiramente útil.

    Já escrevi neste blogue sobre a falácia do teste RT-PCR. Referi que o teste não é binário e que os resultados variam não apenas em função do número de ciclos de amplificação do material genético colhido, sendo possível que alguém teste positivo de manhã e negativo à tarde, o que já aconteceu.

    Referi também que não permitem detectar a presença de vírus intactos com potencial infeccioso, limitando-se a sinalizar a presença de partículas de material viral exibidas por infectados e pós-infectados, podendo estes últimos apresentá-las até cerca de um mês após a real infecção ter sido debelada.

    Mostrei, a partir das estatísticas existentes, que não existe correlação entre o número de casos e o número de óbitos e afirmei que o número de casos é também função do número de testes realizados.

    Apresentei dois links de publicações científicas que vou repetir e de que recomendo a leitura, a primeira das quais apresenta gráficos elucidativos, tratando a segunda do problema de forma indirecta:

    https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMc2001737
    https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.06.22.20136309v2

    Desta última destaco este excerto:

    “The absence of infectious particles at viral RNA concentrations < 10^6 cp/ml is likely due to (i) the fact that the N and E RNAs are also present in abundant subgenomic mRNAs, leading to overestimation of the number of actual viral genomes by ~100-1000X [14], (ii) technical artifacts of RT-PCR at Ct values > 35 due to limited template [15, 16], and (iii) the production of non-infectious viral particles as is commonly seen with a variety of RNA viruses [17].”

    Transcrevi, a propósito, afirmações de Lauritsen relativas ao HIV e extensíveis ao SARS-Cov-2:

    “PCR is intended to identify substances qualitatively, but by its very nature is unsuited for estimating numbers. Although there is a common misimpression that the viral load tests actually count the number of viruses in the blood, these tests cannot detect free, infectious viruses at all; they can only detect proteins that are believed, in some cases wrongly, to be unique to HIV. The tests can detect genetic sequences of viruses, but not viruses themselves.”

    Aludi também ao que disse à Reuters há meses atrás porta-voz do Public Health England:

    “(…) It is important to note that detecting viral material by PCR does not indicate that the virus is fully intact and infectious, i.e. able to cause infection in other people. (…)”

    Para que não restem dúvidas da irrelevância do número de casos com que a comunicação dita social martela esta realidade, do alarmismo infundado que apenas a ignorância e os vendedores de banha da cobra nos pretendem incutir, consulte-se o site do Centre for Evidence-Based Medicine da universidade de Oxford:

    https://www.cebm.net/covid-19/infectious-positive-pcr-test-result-covid-19/

    Os fabricantes e vendedores de testes RT-PCR muito gratos devem estar à ignorância generalizada, admitindo que é disso que se trata, com que o assunto é abordado diariamente. Se eu fosse um deles, os meus lemas seriam: “testar, testar, testar” e “quantos mais casos houver, mais haverá que testar”. Esfregava as mãos de contente e até seria tentado a exercer um tipo de “mecenato”, resguardado sob tampos de mesas, em favor dos que difundissem mensagem favorável os meus interesses.

    PS – Entretanto, na Suécia, percentagem de casos positivos, métrica que por cá ainda o jornalismo não descobriu, a rondar 1,2% e mortalidade próxima de zero. Um claro indício de que já terão atingido a imunidade colectiva.

  12. É uma bizarria esperar oposição do PSD e do seu líder quando pensam o mesmo que o PS.

    Não viu o que aconteceu aos jornais mais ligados ao PSD? por ex. o Expresso.
    O PSD perdeu o seu espaço cultural.

    lucklucky

    1. Faz hoje oito dias o “Expresso” publicou uma manchete que originou uma semana “horribilis” para Costa.
      A pior semana do já longo mandato dele como primeiro-ministro.

  13. Naturalmente pretenderá chegar a PM.
    No actual cenário fingir-se de morto e esperar que isso lhe caia em cima, até não estará mal pensado.
    Nessa linha, cada vez que fala será uma vez a mais.
    Sobre a necessidade que temos de uma oposição efectiva, isso serão outras contas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *