
Quando vi o disparate da solução encontrada para o BES, tive a certeza de que o resultado final ainda haveria de ser pior para os contribuintes do que foi o BPN. Efectivamente, não só o Novo Banco representa uma marca sem valor algum, como também os accionistas não deixarão de accionar o Estado pelo confisco dos activos do seu banco, por muitos apelos que surjam a que não o façam. A conta será por isso sempre paga pelos contribuintes.
Muita gente não quis, no entanto, ver o óbvio, e chegaram a acusar-me de ser homem de pouca fé, incapaz de crer na milagrosa solução encontrada pelo Ministério das Finanças e pelo Banco de Portugal. E continuaram a acreditar nos gloriosos amanhãs que cantam para o Novo Banco, mesmo depois da debandada geral da anterior administração. Mas agora até a profeta Maria Luís Albuquerque, que inicialmente tinha garantido não haver custo nenhum para o erário público, já veio afinal reconhecer o que deveria ter dito desde o início: que esta intervenção pode ter custos para os contribuintes. É um bom começo. Agora só falta confessar o restante: quanto é que vai ser a conta que os contribuintes vão pagar. Porque suspeito que os limites do défice e da dívida vão ser tão arrasados que a intervenção no BPN vai parecer peanuts.

Ainda hoje fiz um comentário a este propósito num post mais abaixo, no do Sérgio Almeida.
Eu não vou dizer que concordo consigo, porque estou todo acagaçado que alguém caia em cima de mim por isto mesmo.
Direi da seguinte forma: Olhe, isto é que tá cá uma porra!
O título do texto trouxe-me à memória uma citação do filme Piladelphia em forma de anedota : “What’s 10,000 lawyers chained to the bottom of the ocean? A good start. “… também se pode aplicar a políticos sem mudar uma vírgula.
Ah o BPN! a intervenção no BPN ainda vai parecer peanuts! talvez, mas com uma diferença: na virtuosa nacionalização do BPN o governo socialista trouxe os prejuízos todos para os contribuintes pagarem e deixou os activos nas mãos dos accionistas, que na sua grande maioria tinham pilhado de diversas formas o seu próprio banco. Aqui foi ao contrário; os accionistas ficaram com os prejuízos, e o Novo Banco ficou com os activos do BES, que devem valer alguma coisa.
Mas uma coisa é certa: o Novo Banco vai ser vendido num prazo máximo de dois anos. Para ter tanta certeza de que os contribuintes vão ser chamados a suportar uma parte do prejuízo da venda do banco a quem o quiser comprar, presumo que o autor do post já deve saber por quanto e por quem é que o Novo Banco vai ser comprado. Não quer partilhar com os seus fiéis leitores/comentadores esse segredo tão bem guardado?
O seu sarcasmo é bizarro tendo em conta que a própria ministra das Finanças agora admite a hipótese de os contribuintes pagarem a conta. Luís Menezes Leitão não tem de fazer mais previsões. Quando chegamos a este ponto, geralmente já não se trata de um se mas de um quando; ela apenas nos está a preparar psicologicamente para a catástrofe.
Bizarro é tanta gente inteligente ainda não ter percebido que a CGD é um banco do estado, está no mercado e portanto sujeita aos mesmos riscos que os outros bancos.
Mas existe uma maneira de evitar que 25-30% dos tão desejados eventuais prejuízos da venda do Novo Banco sejam suportados pelos contribuintes: venda-se a Caixa Geral de Depósitos que nos últimos anos já nos custou, a nós contribuintes, qualquer coisa como 10000 milhões de euros, por isso já estamos mais do que preparados.
Não, o que há que fazer é deixar de salvar bancos; quem lá tem dinheiro e o perde, que aceite isso como risco inerente de ter lá conta aberta. Agora o estado nacionaliza um banco privado periclitante, este começa a dar esperados prejuízos e depois são os contribuintes que nunca tiveram lá conta que têm de pagar a factura – isso é que não faz sentido.
Está claro que isto também é culpa do governador do Banco de Portugal, da ministra das Finanças e do 1º ministro, assim como o rombo, há quem fale em perto de 10 000 milhões, do Grupo Espirito Santo.
http://economico.sapo.pt/noticias/espiri to-santo-financial-group-declara-insolve ncia_203350.html