Um acto de higiene


Pedro Correia,

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O PEV abandona enfim a Assembleia da República: eis uma consequência muito positiva das legislativas de domingo. Esta agremiação política perde os dois lugares que lhe eram garantidos automaticamente por integrar a CDU. Partido fictício de vaga inspiração ecológica, espécie de apêndice dos comunistas que lhes permitia duplicar o tempo de intervenção parlamentar e os fundos estatais, desaparece de cena ao fim de quase 40 anos em que nunca se atreveu a concorrer com sigla própria a uma eleição de âmbito local ou nacional. É uma clarificação que há muito se impunha em nome da transparência democrática. Um acto de higiene pública.

44 comentários em “Um acto de higiene”

    1. Levaram uma esfrega mais que merecida. Quase 40 anos a fingir que existiam. Sempre com dois lugares garantidos no hemiciclo, chovesse ou fizesse sol.
      Essa mama acabou.

  1. O senhor Pedro Correia parece perceber pouco de como a lei eleitoral funciona. E porque não fala do facto de o CDS, um partido com ZERO deputados, ter-se coligado com o PSD, o segundo maior partido, na Madeira e nos Açores e ainda estar em muitas coligações autárquicas no país? Os Verdes ainda traziam algo de diferente ao parlamento. Já o CDS, nas palavras de Cotrim de Figueiredo, tem um líder que é o mais novo mas tem a cabeça mais velha. Não fazem falta.

    1. Que disparate de comentário. Compara partidos que sempre tiveram existência autónoma e vida própria com o PEV, partido-satélite do PCP que nunca concorreu isoladamente a um só acto eleitoral em quase 40 anos de existência e foi inventado para duplicar tempo de intervenção parlamentar e ampliar as subvenções estatais dos comunistas.

      Uma fraude política.

      Enfim, esse pseudo-partido faleceu por vontade dos eleitores. Já era tempo.

    2. Os Verdes ainda traziam algo de diferente ao parlamento.

      Sim, era o único partido ecologista no mundo preocupado com os salários dos professores do Ensino Público português.

      Não, não traziam nada de novo. Era uma aldrabice.

  2. O Partido Ecologista os Verdes não nasceu para duplicar o tempo de antena dos Comunistas.

    Nasceu sim em 1982 no contexto da “Euromissil crisis” para defender os mísseis nucleares SS-20 da URSS apontados entre outros a Portugal. Impedir com manifestações e protestos generalizados a NATO de responder com colocação de mísseis Pershing e de cruzeiro.

    O Partido Ecologista os Verdes nasceu para defender armas nucleares.
    As da União Soviética.

    François Mitterrand : ‘I notice that the pacifism […] is in the West and the Euromissiles are in the East. That looks to me like an unequal relationship.’

    1. Você faz-me lembrar os poucos comunistas de linha dura que ainda restam, mas em versão simétrica: para vocês a Guerra Fria ainda não acabou, vai durar para sempre.
      Vivem aprisionados mentalmente nesse início dos anos 80 sem perceberem que a década já mudou – e até o século também.

      Apesar de tudo, estão um pouco mais evoluídos do que outros, também visitantes destas caixas de comentários, que permanecem acorrentados à década de 70, sem conseguirem (nem quererem) sair dela.

      1. Então deve-se ignorar a história do Partido Ecologista Verdes porque o faz parecer velho?

        “Você faz-me lembrar os poucos comunistas de linha dura que ainda restam, mas em versão simétrica: para vocês a Guerra Fria ainda não acabou, vai durar para sempre.”
        Enquanto os Comunistas não abandonarem o Marxismo Leninismo e como consequência o Totalitarismo do Estado, as razões para opor continuam perenes. Não teria nada contra um eventual Comunismo Liberal em que estes formassem uma comuna sem obrigarem a participar quem não o é.

        1. Como é que quer que os comunistas abandonem o marxismo-leninismo se eles são comunistas?
          Sem marxismo-leninismo seriam outra coisa, muito diferente.
          Precisamente por não renegarem esse ideário ancorado no século XIX e desacreditado pela prática histórica do século XX é que são cada vez em menor número.
          Qualquer dia cabem todos num parque temático.

          Depois inaugura-se outro parque temático para incluir os falcões de sofá da Guerra Fria que ainda não entenderam que essa guerra terminou há 30 anos.

  3. er o partido melancia
    « verdes por fora, vermelhos por dentro »

    característica dos votante de esquerda: inveja e ódio
    ou ‘ conversa da TETA’
    espírito de DISFUNÇÃO PÚBLICA

    o Príncipe do Gattopardo continua a ter razão

  4. Isto praticamente também se aplica ao CDS. Era um partido fictício, sem ideologia diferenciada, que tinha deputados em grande parte fruto da sua aliança como o PSD, e que servia para o PSD ter dois grupos parlamentares em vez de somente um.
    Na legislatura anterior o CDS tinha cinco deputados, que agora perdeu, mas só tinha obtido esses cinco deputados porque o PSD lhos oferecera. Sozinho, teria obtido muito menos.

    1. O CDS, nas eleições anteriores, concorreu sozinho. Em 2015 é que concorreu coligado, pelo que não se percebe essa “oferta” do PSD. E há não muito tempo suplantou de longe o PSD nas autárquicas.

        1. Sim, eu queria dizer em Lisboa e a frase ficou incompleta. Mas também podia perguntar se alguma vez Os Verdes disputaram uma autarquia com o PCP (e já vi grandes refregas entre CDS e PSD em inúmeras câmaras).

  5. Foi extirpado o maior furúnculo da democracia portuguesa.
    O tempo de antena comunista fica reduzido ao PCP. Óptimo.
    Fica a pergunta: A CDU ainda existe?

  6. O partido ecologista os verdes foi formado por alguns militantes do antigo MDP/CDE. Foi integrado no PCP para que este pudesse abandonar a sigla que tinha que era a foice e o martelo e poder aparecer como APU.
    Foi um jogo de interesses que agora chegou ao fim. Paz à sua alma.

      1. Quando o MDP/CDE quis concorrer sozinho às eleições provocou uma ruptura na coligação APU.
        A Intervenção Democrática foi formada pelos dissidentes do MDP/CDE que em conjunto com o PCP deram origem à CDU.

  7. O PEV desapareceu. Ainda bem.
    Mas agora vai ser substituído por um novo PEV, no outro lado do espetro político: o CDS. Esse partido, doravante, apresentar-se-á às eleições legislativas sempre coligado com o PSD. Nunca mais o veremos a candidatar-se sozinho, a não ser em algumas autarquias.
    E contra este novo PEV o Pedro Correia nada dirá.

    1. Você anda nuns blogues a defender o CDS e noutros a atacar o CDS.
      Vê-se bem que tem pouco ou nada para fazer.
      O seu chefe não lhe dá trabalho na repartição ou está em quarentena permanente?

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