Os barceloneses dizem-se fartos de turistas, mas acabam de fundar uma nova modalidade turística: o turismo eleitoral, com simulacro de referendos abertos a qualquer visitante que acorra à Catalunha. Inovando, com espírito empreendedor, à escala europeia: só assim tornaram possível a primeira fraude eleitoral em larga escala ocorrida num Estado membro da UE.
Muitos desses forasteiros, alguns incapazes de dizer duas frases em catalão, gostam tanto de votar que até depositam o papelito não apenas uma, mas duas vezes. Ou até três. Não em urnas mas numa espécie de tupperwares comprados na loja do chinês mais próxima e transportados já cheios de papelinhos, talvez para poupar trabalho aos putativos eleitores. E não havendo assembleias de voto podem fazê-lo “em qualquer local público aberto” – incluindo na rua. Podendo inclusive imprimir os boletins de voto em casa. Ou num bar de hotel.
Sendo um sucesso, como os separatistas garantem, podem até organizar um todos os meses. Porreiro, pá.

Podiam começar a exportar esta nova experiência eleitoral – deve ser low cost, apesar de as caixas de plástico do chinês já não serem assim tãaao baratas – e todos os países/cidades/grupos de cidadãos com spleen pós-moderno/turmas de educação cívica podiam ter o seu 1-O em qualquer dia do ano. Até se podia fazer um jogo: quem conseguir pôr papelinhos em mais caixas ganha uma tigelinha de crema catalana e uma selfie com o Senhor Puidgemont.
Democracia à catalã, uma maravilha.
Seria giro incluir isso nos pacotes turísticos – direito a meter o papelucho num ‘tupperware’ eleitoral. As vezes que cada um quiser, consoante o preço do pacote.
Carga Policial sobre uns indivíduos que faziam RCR num idoso que sofrera um enfarte miocárdico. Mas se a lei os assistia, porque não, Pedro?
https://www.youtube.com/watch?v=B3OIkm9K vfQ
Este ainda é melhor.
Energúmenos armados com porras, a descarregarem, em nome da lei, uma saraivada de porrada sobre velhos e outros cidadãos armados com canetas e vontades de serem escutados, numa assembleia de voto. Fico sempre com calafrios quando vejo tipos de cara tapada destruírem, selvaticamente, urnas de voto…é uma coisa cá minha….mas se a lei os suporta, porque não, Pedro?
https://www.youtube.com/watch?v=Sa1h0FEi 95A
Essa sua visão maniqueísta e conspirativa das forças do perigo vermelho bolchevique insere-se na melhor tradição deixada pelos Protocolos dos Sábios de Sião. Vejo-o próximo de Zeus e das suas Teorias Conspirativas. O do trovão com a mania dos Rockefellers e dos Rothschilds e da NOM, o do Solar dos Presuntos com a obsessão dos comunas, essa raça que deveria ser, quem sabe, “eliminada”, mas civilizadamente, claro está, em nome de uma lei bem temperada
Por vezes para perceber é necessário ver.
Não invoque o nome de Zeus em vão, Vlad.
Pergunto ainda, como diabo quereria que um acto eleitoral, como este, decorresse em normalidade democrática depois do que sucedeu nas semanas anteriores?
Mas acreditando mais no que vejo e não no que me dizem, parece-me que todo essa sua “articulagem” tem como propósito não uma síntese, jornalística, mas uma antítese, propagandista. Lamento, por quem se insurge frequentemente contra o jornalismo a mando.
https://www.youtube.com/watch?v=nXeQCQs8 V8o
Acto eleitoral? Neste caso devemos empregar a expressão “ato eleitoral”. Porque estava tudo atado desde o princípio. Com nó cego.
Meu caro se a maioria não queria a independência porque não os deixaram levar avante com aquela “fantochada”? Morria alguém? Correria sangue nas ruas? Haveria distúrbios na ordem publica?
Podiam identificá-los, aos responsáveis, e posteriormente acusá-los. Escusava-se de todo aquele aparato brutal policial….
É mau sinal quando um Estado tem medo do seu povo.
Diga isso aos turcos e aos iranianos, que não permitem referendos separatistas aos curdos que lá vivem, sem exercerem o direito à autodeterminação já garantido na Catalunha desde o Estatuto de 1979. E ainda ameaçam os curdos iraquianos que acabam de organizar um referendo, notando-se já uma escalada militar na região: orld/middle-east/kurd-independence-refer endum-erdogan-pay-price-a7975666.html 591/ww3-kurdistan-referendum-war-games-i ran-iraq-turkey-independence
http://www.independent.co.uk/news/w
http://www.express.co.uk/news/world/861
Pedro, seguindo a sua lógica não deveria haver a UNICEF, pois a miséria e a fome nunca desaparecerão. Agora a Catalunha. Uma coisa a seu tempo…..
Não me parece sensato justificar o mal com base num outro mal…..aliás porque diabos fazer alguma coisa, se a breve trecho estaremos todos a comer alface pela raiz?
A Turquia é aquele país em que se simulam putschs? E o Irão, aquele outro que vive sobre a Sharia?
Os curdos se vivessem na Europa, já tinham o seu problema resolvido há muito. Merecem a “p….”da independência, nem que seja pelo facto de serem eles os dentes afiados que mordem o DAESH….
Também os arménios a conseguiram…..haja esperança!!
Quais curdos? Os do Iraque? E os que vivem na Turquia? E os do Irão? E os da Síria?
Não merecem todos votar em referendos nesses países com vista à respectiva independência?
A menos que os princípios sejam de geometria variável. O que vale para a Europa já não serve para o Médio Oriente nem para a Ásia Menor.
Também os judeus andavam em toda e em nenhuma parte
Caro Lord Rothschild,
“Tenho o grande prazer de endereçar a V. Sa., em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia quanto às aspirações sionistas, declaração submetida ao gabinete e por ele aprovada:
`O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das coletividades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.´
Arthur James Balfour.
Lembra-se quando a Síria, o Iraque e a Palestina não existiam e faziam parte do Homem Doente da Europa, a Turquia? Lembra-se do Reich Milenar Austríaco que ia desde o Danúbio ao Mar Negro? O que é hoje a Áustria? Uma impossibilidade no tempo de Francisco José….
As impossibilidades não existem em estatística. Apenas a improbabilidade da possibilidade. Dê-se tempo ao Tempo e os Curdos conseguirão a maldita de uma terra prometida…..retalhe-se o Iraque não entre as empresas norte americanas – Bechtel, BlackWater, Haliburton, BP, Chevron,,, – mas reservem agora parte do território para os curdos. Pior não poderá ficar….em vez do DAESH ficam lá os curdos Peshmerga…fazem menos escagaçal, asseguro-lhe!
E não se esqueça dos catalães oprimidos pelo Estado jacobino francês, alérgico a qualquer conceito de autonomia regional.
Eles não podem ficar à margem de um referendo separatista na Catalunha. Têm direito a juntar o Rossilhão à futura República Catalã.
Presumo é que o camarada Macron não vá na conversa…
Repetindo o que já ficou algures “aí para baixo”:
Modesta sugestão de leitura : “Metáfora Piqué”, por (D.) Ignácio Camacho.
http://www.abc.es , hoje, dia 3
Boa sugestão. A ler aqui: fora-pique-201710030346_noticia.html
http://www.abc.es/opinion/abci-meta
Ignacio Camacho é um dos meus colunistas favoritos na imprensa espanhola.
Uma brilhante crónica!!
Ainda ontem, no pensamento da semana, lhe deixei um comentário com idêntico desabafo, e não sou Espanhol!
Concordo em absoluto. Estes “semi-separatistas” querem o melhor de dois mundos: são independentistas em Barcelona e espanhóis em Madrid.
E impressiona, a letargia Espanhola. Da coroa, ao Governo, às Cortes….
Haverá ainda, porventura, Espanhóis, em Espanha??
É absolutamente irresponsável, esta falta de vigor político da Coroa e do Governo!
E se amanhã a caserna militar, possessa pelo espírito de Astray, para quem Espanha significa, certamente, mais doque o soldo, se levantar e marchar sobre a Catalunha??
Se a panela continuar ao lume, não tardará muito a imposição do estado de sítio na Catalunha e a destituição compulsiva dos órgãos autonómicos.
Nessa altura, os filhos da burguesia de Barcelona que gritam palavras de ódio à “ocupação espanhola” como se estivessem numa RGA perceberão que soltaram o demónio da garrafa. Se tivessem um mínimo de conhecimentos históricos, aliás, já saberiam isso há muito tempo.
Os dirigentes catalães, na vertiginosa fuga para a frente, ainda não perceberam que não dispõem de qualquer apoio na comunidade internacional. Por motivos demasiado óbvios. O que faz toda a diferença.
“Se tivessem um mínimo de conhecimentos históricos…”
A história escreve-se da frente para trás, tornando complicado usar o passado para dele fazer futuros. A historia não são mais que narrativas.
Aí está, menos de um mês depois, o que eu dizia: autonomia catalã dissolvida, “independentismo” posto a ridículo, independentistas em fuga procurando advogados no estrangeiro.
Nem sequer confiam nos próprios advogados da Catalunha: que raio de nacionalistas estes.
Sim, caro Pedro Correia, isso e muito mais.
Mas o mais extraordinário é que a farsa, a insídia e a falsidade vencem aplauso e ovação, às claras! Há, por aqui e por ali, odes à táctica, vale tudo, mesmo arrancar olhos!! A única nódoa que suscitou prurido aos responsáveis catalães foi a infidelidade informática que apontaram a Madrid!!
Verdadeiramente trágico é que a farsa teve provimento e vantagem política! É trágico que o único acto político, que não é um simples acto de afirmação de legalidade objectiva, genuíno e verdadeiro, o envio da Guardia Civil e Policia Nacional pra Catalunha, a bigorna contra a farsa, seja, simultaneamente, o mais inábil dos gestos políticos possíveis.
Domingo era já tarde demais.
Admira-me, o quão incapaz foi a Coroa e o Governo Espanhol! Estas batalhas políticas ganham-se na rua! Uma vez por trimestre encher as avenidas de barcelona com milhão de Espanhóis ostentando, animados, a bandeira de Espanha. Vindos dos 5 cantos de Espanha e mais além, se necessário fosse. A expensas do orçamento!! Contra uma farsa, farsa e meia!!
No dia em que pensarmos que as batalhas políticas decisivas se ganham na rua, meu caro, podemos deitar os fundamentos do Estado de Direito e toda a construção jurídica da ordem internacional para o caixote de lixo da História.
O caro Pedro Correia não está a ver o filme, certamente!! A história universal não ensina outra coisa, ou o Pedro também acredita no homem novo, de hoje, que, no tempo da maldade, ainda não tinha nascido (como na canção do chico) (Que ingenuidade é essa??)!! As batalhas políticas decisivas travam-se, especialmente e sobretudo, quando já não nos podemos ancorar no Estado de Direito, ou este não chega, fica aquém!! (Note que a batalha política que a generalitat tem travado tem sido ganha na rua) E não menospreze o poder inspirador que a manifestação de rua tem!
A história universal ensina-nos que a natureza humana nunca chegou a sair das cavernas, meu caro. Não é preciso recuarmos muito: basta ficarmo-nos pelo século XX.
Escusado é andarmos a celebrar isso como se fosse uma conquista civilizacional.
Pior que a caverna é crermos na realidade das sombras. Já imaginou, que….?
Não preciso de imaginar nada. Li Platão.
Primeiro impede-se a organização honesta e límpida de um referendo; depois critica-se a votação efetuada por ela não ter sido honesta e límpida. Porreiro, pá.
Porreiros são os camaradas Erdogan e Rohani, que estão a ameaçar os separatistas curdos do Iraque. Eles não vão em referendos. 591/ww3-kurdistan-referendum-war-games-i ran-iraq-turkey-independence
http://www.express.co.uk/news/world/861
Erdogan e Rohani são os irmãos mais velhos e mais musculados de Rajoy. Rajoy gostaria de fazer o mesmo que eles e que Francisco Franco, mas na Europa atual não pode.
A tibieza não advém da Europa. A Europa tem as costas largas demais!! A Europa nada fará em relação a Espanha. A tibieza espanhola, face aos seus fantasmas, será, ainda assim, um assomo esténico quando comparada com a tibieza da Europa.
O problema de Rajoy é que, verdadeiramente, não sabe lidar com o radicalismo político! Não sabe lidar com o Pedemos, com o governo de Madrid, com a generalitat…E muito menos lidar com um aventureiro, inescrupuloso, táctico e irresponsável como Puigdemont!!
Rajoy é um formalista, um conservador que crê nas virtudes do império da lei e das instituições e queda-se verdadeiramente intrigado quando estas não funcionam ou dão sinais de não querer funcionar com os mecanismos institucionais formais. Rajoy, nem sabe o que há-de fazer. Já esgotou avisos e desautorizou-se! Mas Rajoy será o sacrificado menor, neste problema espanhol catalão. Que dizer de Felipe VI??!! Que autoridade lhe restará??
Os camaradas Erdogan e Rohani têm dois problemas. O primeiro, é que os curdos dos seus próprios países já lhes dão suficientes problemas e por isso não têm lá muita vontade de irem também tomar conta dos curdos do Iraque. O segundo é que Erdogan e Rohani não gostam muito um do outro e por isso, se um deles invade o curdistão iraquiano, o outro não ficará nada satisfeito.
Uma possibilidade, claro, seria fazerem uma espécie de pacto Ribbentrop-Molotov, partirem o curdistão iraquiano ao meio e cada um deles ficava com uma parte. Mas a experiência mostra que esse tipo de pactos é, a longo prazo, fatídico.
Por isso, o meu palpite é que eles acabarão por só ladrar mas não morder, como os cães.
E, ao fim e ao cabo, como Rajoy também.
Perdoem o atrevimento, mas numa tentativa de enquadrar a coisa , talvez não fosse de todo inútil revisitar ” Los Mitos de la Guerra Civil”, de Pio Moa – nome maldito para o canhotismo espanhol e praticamente desconhecido aquém Caia.
E , já agora, Stephen Payne, “scholar” insuspeitíssimo de simpatias direitistas.
Porque, deixemo-nos de hipocrisas, trata-se de refazer a História – a dos anos trinta e a dos nossos dias.
Basta ver, ler ou ouvir o tratamento reservado à Constituição de 78…
Enfim, a velha, relha e espanholíssima lei ” do eterno retorno”.
A ver como vai acabar desta vez…
Já se percebeu que vai acabar mal, como é sina em Espanha. Um dos países do mundo onde mais vigora a Lei de Murphy e que menos parece aprender as lições da história.
O pacto que permitiu a transição consubstanciada na Constituição de 1978 foi um oásis excepcional na velha vocação “cainista” de Espanha, como eles dizem – em alusão a Caim, que matou Abel.
Depois do muito e bem que se tem escrito aqui no DdO sobre Espanha é me dificil estar a elaborar mais do que já foi escrito.
Enquanto Português entendo ser uma questão estritamente interna de Espanha e defendo a normalidade constitucional espanhola logo a nível pessoal não apoio qualquer tentativa secessionista.
No entanto o que mais me choca é o alarde que se faz por cá ao “apoio” que existirá na Catalunha á independência que na realidade não deve chegar a 35% da população e destes para aí 80% a 90% na cidade de Barcelona.
Muito boa gente por cá acha que 300 mil pessoas na rua (hoje) numa “cidade” que tem quase 5 milhões de habitantes na sua área urbana excluindo os limites geográficos da CIDADE é algo significativo.
A era das redes sociais é isto, que bem berra mais alto é que conta e quem não está lá (nas redes) não conta.
WW
Sim…os turistas captaram muitas fotos aos esbirros da polícia agredirem os catalães a quererem votar…coisa esquisita para estes ares europeus.
Infelizmente o referendo na Catalunha não se efetuou nas devidas condições, por responsabilidade única e exclusiva do Estado espanhol, centralista e autoritário, e para piorar as suas características, governado atualmente pelo Partido Popular, herdeiro direto do franquismo.
Para que este referendo se fizesse de forma legal e nas devidas condições, bastava o Estado espanhol se fosse verdadeiramente democrático, ter revisto a atual constituição espanhola, retirando-lhe o artigo que proíbe referendos para aprovação eventual de independências nas diversas nacionalidades que compõem a atual Espanha. Bastava isso, e substitui-lo por um artigo semelhante ao que existe na nossa Constituição, através do qual o Estado Português se obriga a respeitar o direito à autodeterminação de povos e nações.
Sabemos que a Espanha é constituída por um mosaico de nacionalidades, cuja união foi concretizada através da força, e contra a vontade da maioria dos povos de algumas das suas nacionalidades, principalmente a Catalunha, País Basco e até mesmo em certa medida a Galiza, todas elas submetidas ao poder castelhano e respetiva cultura nas mais diversas vertentes.
No que diz respeito à Catalunha, sabemos que o desejo independentista da maioria do povo catalão é histórico e secular. Não nos esquecemos que Portugal em grande medida viu facilitada a restauração da nossa independência em 1640, porque ao mesmo tempo que os portugueses conspiravam com esse objetivo, o povo catalão levantou-se em armas também para conquistar a sua independência. Este facto fez com que o poder castelhano concentrasse a sua atenção politica e militar na Catalunha, desguarnecendo em grande medida a defesa da ocupação do território português. Até nisso, só temos que estar agradecidos aos catalães.
Por tudo isto, considero perfeitamente legítima e natural, e nada surpreendente, a luta do povo catalão pelo seu direito à autodeterminação, que poderá eventualmente conduzir à sua independência.
Não podemos ter dois pesos e duas medidas no que à autodeterminação dos povos diz respeito. Não faz sentido defendermos por exemplo o direito à autodeterminação do povo curdo no Iraque, e sermos contra a autodeterminação do povo catalão, só pelo facto de se tratar de algo bem mais próximo de nós, envolvendo interesses do país vizinho.
Por último, só quero acrescentar que foi simplesmente vergonhosa e inconcebível, a atuação brutal da policia espanhola e guarda civil, indigna de um país democrático pertencente à UE. Só por aqui se vê o carater repressivo e autoritário do Estado espanhol, mal governado por um partido direitista, que não esconde nem renega as suas raízes mais profundas e obscuras.