Na entrevista à SIC, o Ministro das Finanças foi confrontado com uma pergunta que começa a ser frequente: após os cortes orçamentais anunciados, como vai ser possível manter quantidade e qualidade dos serviços prestados? (A pergunta de ontem era sobre o sector da Saúde mas aplica-se a qualquer outro.) O Ministro, em mais uma etapa da esforçada aprendizagem que vem fazendo de como compatibilizar a verdade (campo onde, justiça lhe seja feita, parece preferir mover-se) com a sua nova condição de político, lá falou em rentabilizar recursos, ganhar eficiência, fazer mais com menos, etc. – os chavões do costume. Ora sejamos claros: existindo, como é absurdamente evidente para qualquer pessoa que não tenha passado os últimos anos a curtir uma longa viagem alucinogénica, recursos a rentabilizar e desperdícios a eliminar, a falta de dinheiro levará a que, em quase todos os sectores e certamente naqueles onde, pelo peso que representam, os cortes terão de ser significativos, se verifique mesmo decréscimo da quantidade e/ou da qualidade dos serviços prestados. Exactamente da mesma forma que uma família em dificuldades financeiras obrigada a cortar nas férias, mudar-se para um apartamento mais pequeno ou trocar o carro pelos transportes públicos perde qualidade de vida. É agradável? Pelo contrário: é péssimo. Mas é matemática e não uma questão ideológica. Já as formas de minimizar os efeitos da falta de dinheiro, essas sim, são marcadas pela ideologia e merecem ser discutidas.
Tudo por menos
escafandro,

jaa: Dizer a verdade nua e crua em Portugal sai muito, muito caro. Houve quem já tentasse essa via e lixou-se.
Eu sei, Laura. E por isso compreendo as reticências do Ministro. Mas eu não sou candidato a nada. 😉
Por outro lado, houve quem levasse ao limite a via contrária e lixou-se também (ou saiu de fininho pela esquerda baixa, conforme as interpretações). Bom é acabar, como diria o outro.
Isabel: gostamos de ilusões; a verdade não as permite, a mentira (especialmente a mentira reiterada) destrói-as lentamente.
Isabel, esta (feminino, singular) lixou-se mesmo… Foi diabolizada e (pior) ridicularizada. Mas chamou tudo pelos seus nomes. Esse aí que refere não se lixou nada. Lixou-nos foi a nós todos…
😉
Exactamente, Laura. Há uma enorme diferença.
Muito a medo até já e custa comentar.
Não resisto… pelo disparate deste estrambolico exemplo:
” Exactamente da mesma forma que uma familia em dificuldades financeiras obrigada a cortar nas férias, mudar-se para um apartamento mais pequeno em trocar de carro pelos transportes publicos…. perde qualidade de vida”…
….
Trocar 2 horas no carrinho para-arranca para chegar ao emprego, pelo transporte público… é perda de qualidade de vida!!!!
Fazer férias cá dentro… numa praia alentejana… em vez de “Cancum”… é perda de qualidade de vida!!!!
Trocar de apartamento…. até pode ser uma benção…
O estado a que chegámos está directamente dependente de não termos abdicado dessas hipotéticas “qualidades de vida”
amendes: duvido que a maioria das pessoas considerem que ser forçadas a mudar para um apartamento mais pequeno ou ter de gastar menos em férias é melhorar a qualidade de vida. Mas concordo totalmente com a sua última frase. Muita gente devia efectivamente ter abdicado dessas coisas, em especial se precisava de recorrer ao crédito para as pagar. Da mesma forma que o Estado devia ter abdicado de muitas obras e de muitas despesas. Está a ver a analogia?
Ambos temos razão…
Mas eu trocava de boa vontade um apartamento “grande” nas cercanias duma IC19 .. por 1 mais pequeno em Colares!!!O amigo não?
Quanto às ferias… é tudo muito relativo…
Aqui o que está em em questão é o conceito de qualidade de vida..Não acha?
Felicidades
Um ministro das finanças que se esforça por dizer a verdade, já é um grande progresso. Quanto ao resto, temos que viver à medida dos nossos recursos. Se queremos mais e melhor, temos que trabalhar mais e melhor. Dizer o contrario disto, é enganar os portugueses, o que vem acontecendo pelo menos desde 1995 para cá!
Estou 100% de acordo, Alexandre.