Trova ao vento que passa (1)


Pedro Correia,

 

Sabemos que estamos a ficar velhos quando dizemos frases do género “A vida é assim.”

34 comentários em “Trova ao vento que passa (1)”

  1. Não sabemos.
    Alguém tem que no-lo dizer.
    E mais – a maioria de nós já nasce velha.
    O mundo mudaria rapidamente, se muitos de nós, em vez de desabafarmos um “a vida é assim”, proclamássemos consequentemente um “a vida é como deveria ser”.
    O que significa isso?
    Significa dignidade, justiça, fraternidade, solidariedade…
    Já sei, os da “vida é assim” chamam a isso ingenuidade e acrescentam com ironia: “está bem, está bem, vais tu mudar o mundo…”.
    Sim, não é fácil mudar o mundo; se calhar, nem é possível; mas, se cada um for mudando o seu próprio mundo, …
    João de Brito

          1. Perfeitamente de acordo .
            Não faça essa cara triste. Aceite partilhar comigo o que acabei de ouvir.

            Zaz – sous le ciel de Paris ( clip officiel) youtube

  2. A idade é um mito. Ninguém tem idade cronológica. Muitos terão menos idade do a que reza no documento, outros carregarão centenas de anos-vida, cuja comparação com o número da estatística de nascimento é assombrosamente superior.
    Estes últimos, aqueles a quem o peso da vivência quebrou o ânimo, são os que tudo aceitam e se conformam, porque viver não é fácil e saber viver é uma arte.
    Os outros, os pueris de espírito, os indomáveis, os rebeldes, acabarão mais cedo ou mais tarde por se aperceber também da falha mecânica que lhes suporta os humores e, no fim acabarão por aceitar também que a vida é assim. O princípio e o fim são a parte seca do bolo que cabe a todo e qualquer um de nós saber rechear para que um sabor inesquecível prevaleça no entremeio, mesmo que este seja apenas um bolo pequeno ou um achatado pão azimo. É saber encontrar o melhor no pior. É saber viver assim.

  3. já vou nos 52 e jamais disse semelhante ‘atrocidade’, que a vida é também aquilo que dela fazemos, mesmo que numa escala que, comparada com a exterior, isto possa parecer quase ingénuo.

    não, a vida não é – ‘só ‘- assim”, é mais, muito mais,

      1. aposto que o Pedro julgou que eu ficaria encanitada com sua opinião.
        de todo, fui sempre uma moça tão seriamente meditabunda (muitos anos, não sempre) que esta forma de pensar me veio ajudar muto a olhar as cousas de outra(s) forma(s).

        mais: o que melhor me caracteriza é a capacidade de observação. eu quero é rir, sabe?
        (e não perdi a dita capacidade).

        o Pedro, por aquilo que de si nos dá a ver, é excessivamente – como encontrar a palavra, caraças? – introspectivo, ou demasiado focado, talvez, e as provas estão na sua compulsão para as séries de, as compilações de, os temas, que persegue quase até à exaustão. nada contra, é o que observo, mas estou em crer que tamanho desvelo lhe fará menos bem… 🙂

          1. cheers!
            (apesar de ser meditabunda e revelar alguma “imaturidade” e “pensamento juvenil”, aprendi – helás! – a fazer um brinde, principalmente quando também coloquei várias cartas na mesa, nem todas sobre mim… 🙂

        1. A melhor forma de esconder o que temos dentro é mostrar uma gargalhada sonora. Quantos tristes se fingem contentes com a sua tristeza?

          1. mas que que que, Pedro a.!

            nem sei como isso possa acontecer, a menos que se possuam dotes de grande actor/actriz, o que não é o meu caso (sou mais de detrás da câmara, observando, já o repeti).

            já agora, qual é o seu lugar, lá de onde vem a emissão de palavras?…

          2. Os latinos denominaram ‘persona’ as máscaras usadas no teatro pelos actores, e também chamaram assim aos próprios personagens teatrais representados.

            Todos representamos. Excepto o eremita.

          3. depende: quando o contexto é deliberadamente ficcional, há mesmo quem esteja desnudo por detrás das câmaras, enquanto, diante delas,

          4. O único que espreita por detrás de uma lente é o Criador….

            Acaso é uma deusa? Se sim , mande-me o email

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