Frases de 2018 (39)


Pedro Correia,

 

«A direita portuguesa hoje não existe.»

Vasco Pulido Valente, ontem, em entrevista ao Público

23 comentários em “Frases de 2018 (39)”

  1. Claro que não!
    Nem a esquerda, nem o centro, nem a direita.
    O que existe são as respetivas clientelas, que se agarram à sobrevivência, tanto com a esquerda, como com a direita ou até à dentada.
    João de Brito

      1. Nem sempre. À entrada de uma rotunda ou de uma autoestrada ou estrada principal, há prioridade à esquerda. Sinal de que o Código da Estrada sofre de inconsistências e ambiguidades.

        1. Já andei de volta dessa ideia — a remoer se tinha ou não tinha razão — porque via tipos que vinham da esquerda a atirar-se sem dó nem piedade para dentro de uma rotunda à qual eu me aproximava vindo da direita deles — mas isso é incorrecto.

          No código da estrada a prioridade refere-se sempre a situações da mesma qualidade: à esquerda ou à direita de algo significa comparar dois troços da via que têm a mesma hierarquia, como por exemplo duas estradas que formam um cruzamento. Mas a via no interior da rotunda está numa posição hierárquica superior a qualquer uma das outras vias que nela entroncam e é por isso que existe sempre um sinal de perda de prioridade porque é automático. E do mesmo modo o facto de eu me aproximar pela direita (mais à frente) de alguém que vem a entrar à minha esquerda não me dá prioridade sobre ele (porque posso não ter visibilidade para trás em rotundas onde as entradas são próximas e em ângulos adjacentes) e muito menos sobre os que já circulam no interior da rotunda.

          1. O problema é que frequentemente não é fácil perceber qual a hierarquia de duas vias que se cruzam.
            Em Portugal, dado o desenho arrevezado de muitas rotundas, por vezes entra-se numa rotunda sem se perceber que aquilo é uma rotunda. E então pode-se entrar por ela adentro, julgando que se tem prioridade.
            Em muitas vias que se cruzam, não é claro que uma delas tem hierarquia superior à outra.
            Por estes motivos, o Código da Estrada ficaria muito melhor se a regra fosse sempre a de dar prioridade a quem se apresenta pela esquerda. Essa regra seria universal, independente de qualquer hierarquia de vias, e portanto não teria qualquer ambiguidade.

          2. Acho que tem de haver sempre hierarquias dado que há estradas com tráfego intenso que são cruzadas por estradas com tráfego ocasional. Não vejo qual é o benefício de desperdiçar a fluidez no tráfego que a hierarquização de uma estrada sobre outra possibilita. As próprias regras têm uma hierarquia (polícia, sinal, pintura) que se substituem a anterior na sua ausência.

            Agora, concordo em absoluto que há muitos sítios em que as prioridades não são claras. E que há rotundas tortas, inclinadas, outras com tanta tralha promocional dos municípios nos canteiros que nem se consegue ver se vêm carros ou não, outras (como o Marquês de Pombal) que estão tapadas com cartazes enormes de partidos, passadeiras nas saídas das rotundas, etc etc — enfim, todo um conjunto de disparates que não fazem sentido nenhum. E há muitas situações em que os condutores assumem regras erradas por viverem nesses sítios há muito tempo mesmo quando as condições que as favoreciam se alteraram.

  2. Não existe em Portugal uma direita que seja direita de acordo com a definição de “direita” de Vasco Pulido Valente.
    De acordo com outras definições de “direita”, talvez exista.

  3. Direita, hoje, em Portugal seria, crer, realmente, no papel do mercado como o que melhor garante a prosperidade do país e, por isso, baixar substancialmente (mesmo) os impostos e cortasse na burocracia estatal e se propusesse crescimentos da economia na ordem – mínima dos 7%.
    Do ponto de vista político, mudar a lei eleitoral, de modo que os deputados pudessem ganhar, manter ou perder o seu lugar por 1 voto que fosse, sendo independentes do chefe do momento. No geral, rever aspectos da legislação que são persistência e revivalismos do estado rico em país pobre do tempo de D. João V e da Inquisição (em coisas tão variadas como o “segredo de justiça” – que, igual a este não existe em parte alguma do mundo) ou das benesses dos cargos políticos, com a necessária criminização efectiva de condutas abusivas.
    Em suma, criando o estado de direito que de facto estamos longe de ter.

    1. A direita clássica, em Portugal, é uma direita estatista. Que não acredita nos mecanismos da economia de mercado e desconfia profundamente da democracia liberal.
      Claro que não há direita: há direitas. Como há esquerdas.
      Existem mais afinidades entre certas esquerdas e certas direitas, de cariz liberal, do que entre as facções liberais e conservadoras dos mesmos quadrantes políticos.
      O PCP, por exemplo, votou contra a eutanásia – ao lado do CDS, contra o BE. E respaldou o líder húngaro Orban, pelo seu voto no Parlamento Europeu. É contra a legalização da prostituição e a favor da reposição do serviço militar obrigatório – novamente contra o BE. É contra o acordo ortográfico e preconiza o regresso ao escudo – em colisão com socialistas e bloquistas. Além disso, defende os espectáculos tauromáquicos – algo que o BE detesta, excepto em Salvaterra de Magos.
      O PCP tem, portanto, muitas afinidades com a direita mais conservadora.

      Por tudo isto, cada vez mais considero que a dicotomia esquerda/direita exprime muito pouco ou mesmo nada do que se passa na cena política contemporânea, dominada por fracturas de outro tipo (populismo/liberalismo; soberanismo/multilateralismo, etc.)

  4. É impressionante tanta gente que parece não ter nada para fazer, todos contentes aqui a discutir o “sexo dos anjos”. Ao ponto a que isto chegou! Como está na moda falar e não dizer quase nada, e como gostam de imitar os outros, fazem o mesmo. A isto chama-se comportamento em manada. O importante é fazer algo útil. Se não têm que fazer, façam voluntariado!

    1. Não sei a que você chama “sexo dos anjos”. Debater a frase do Vasco Pulido Valente sobre a inexistência da direita em Portugal é “sexo dos anjos”?

      Faço votos para que recupere rapidamente a sua assinatura, que parece ter migrado para parte incerta. Se calhar foi juntar-se a alguma “manada”.

      1. O Pedro ainda não se tinha apercebido da infestação de gente que, nada tendo para acrescentar ao debate, resolve debitar sobre quem animadamente conversa? Não se dê ao trabalho, meu caro… daqui a pouco recebe respostas sobre o que deve ou não deve fazer com o seu tempo, quiçá lhe alvitrem sobre os seus rendimentos, e depois disso talvez lhe apontem a importância do que é ou não importante.

        Já ouviu falar em gente triste? São quase, muda-se-lhes a primeira vogal et voilá…

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