Os seus pais recordam-lhe uma coisa que uma vez o poeta Gil de Biedma lhe disse no pub Tuset, de Barcelona. Uma relação íntima entre duas pessoas é um instrumento de tortura entre elas, quer sejam pessoas de sexo diferente ou do mesmo. Todo o ser humano tem dentro de si uma certa quantidade de ódio para consigo mesmo, e esse ódio, esse não conseguir aguentar-se a si mesmo, é algo que tem de ser transferido para outra pessoa, e a pessoa que se ama é aquela para quem melhor se pode transferir.
Enrique Vila-Matas, Dublinesca.
Edição Teorema, tradução de Jorge Fallorca.

Uma grande verdade. Quem não consegue aguentar-se a si mesmo, prejudica grandemente os outros, quanto maior for o ódio, mais “estragos” provocamos nos outros e nas nossas relações. Mas há maneira de superar esse ódio, pelo menos, grande parte dele. Amor-próprio e auto-estima são as palavras mágicas. Tentemos encontrá-las dentro de nós. E, se não o conseguimos sozinhos, será melhor pedir ajuda…
Inteiramente de acordo, Cristina.
Fiquei com vontade de ler o resto 🙂
Teresa: o livro, como é habitual em Vila-Matas, anda muito à volta do que é a literatura, do pepel que desempenha, de como simultaneamente reflecte a vida e é reflectida pela vida – ou seja: como cada vez mais estamos cheios de imagens e códigos ficcionais e às vezes já não sabemos se estamos a reagir de forma natural ou imitando algo que lemos ou vimos. Para quem goste destes temas e de um estilo entre a ficção pura e a divagação inteligente, é muito bom (estás aí, Leonor?*).
* http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/47 46085.html