O Henrique Raposo escreve que
Embora respeite as estatísticas que nos cita, creio que já podíamos ultrapassar a mecânica recorrente destes argumentos. É sempre idêntica: alguém à direita recorda que os portugueses trabalham pouco, e invectiva os direitos adquiridos. Alguém à esquerda retorque que os nossos gestores são os mais ineptos do mundo civilizado e que, apesar dos direitos adquiridos, este ainda é o país com mais desigualdades na distribuição da riqueza.
Em compensação, falta quem diga o seguinte:
O Estado e o seu sector empresarial não podem ter a cargo o grosso dos nossos trabalhadores qualificados, a menos que o país queira uma economia socializada. Se o país não a quiser, estas pessoas têm que ser colocadas nas empresas — ou encorajadas a formar empresas. A única maneira de fazer isso é por despedimento.
Os trabalhadores do Estado não ganham mais do que deviam; pelo contrário, ganham menos porque são comparativamente mais qualificados. Qualquer reforma do Estado eficaz, além da razia, tem que incluir um aumento dos salários da função pública.
Um Estado pequeno, com funcionários bem pagos, sob a vigilância de uma opinião pública mais educada. Um economia aberta, reanimada por gente com qualificações superiores à média nacional.
Era uma boa ideia. Mas nem a esquerda nem a direita, por razões diferentes, estão para aí viradas.

Ele há um reclame de comida para gatos que reza assim: whiskas blábláblá, whiskas blábláblá, que é só o que os miaus ouvem quando a dona lhes fala. Assim estou eu e mais o meu neurónio…
Muito bem. Dedo nas feridas. Haja quem seja lúcido e não embarque nos lugares comuns do costume acerca da administração pública.
Uma boa percentagem dos trabalhadores do Luxemburgo são portugueses. Nem sequer primam pela qualificação. No entanto, o Luxemburgo é um dos países mais produtivos do mundo e onde a qualidade de vida é maior. Para a direita reflectir.
Para a direita reflectir.
A direita e a esquerda. Em vez de reivindicar aumento de salários, devia exigir investimento, modernização do aparelho produtivo. Depois, quando a produtividade subisse, reivindicaria a parte dos trabalhadores.
O que fez/faz grande parte dos detentores do aparelho produtivo quando recebeu subsídios para essa modernização? Em que investe? Grandes carros? Off shores? Prémios chorudos a administradores?
Ah, mas a culpa da falta de investimento é dos magros salários que os nossos trabalhadores auferem… os malandrecos.
Como se vê pelo defice e dívida quem trabalha para o Estado recebe demais ou há demasiados a receber.
O HR trabalha 60 horas por semana, e eleva a média nacional. É que o gajo ainda escreve com uma máquina das antigas…
Este comentário seria interessante se não se baseasse em premissas erradas.
De facto, controlando pelas diferenças de qualificação, o sector publico tem um prémio, no salário mensal, de 15%. Quando analisado por remuneração horária, o prémio do sector publico é de 25%.
Estes números não têm origem em “sensações” nem em “impressões”, estão no boletim de verão de 2009, do BP (pgs 61 e sgs)
http://www.bportugal.pt/pt-PT/EstudosEco nomicos/Publicacoes/BoletimEconomico/BEA nteriores/Documents/bol_verao09_p.pdf
miguel
O sonho da razão produz monstros, escreveu o outro, cuja arte era a pintura. É bom nunca o esquecermos, quando julgamos que descobrimos a roda — ou a pólvora.
Que bom, para variar, ler um não-alinhado.
Não alinhado???? Isso lá existe?