Paulo Marcelo, n’ O Cachimbo de Magritte, já tinha reconhecido mérito ao novo líder do PSD: “Passos Coelho deu sinais positivos, no discurso de vitória, ao convidar os seus adversários para os órgãos nacionais do partido.” Manuel Pinheiro também: “A manutenção de António Capucho no Conselho de Estado foi um bom sinal. Cá estaremos para acompanhar o resto.” Mas alguns colegas de blogue nem perante a vitória esmagadora do sucessor de Manuela Ferreira Leite reconheceram as evidências. Fernando Martins, por exemplo, não tardou a escrever “líder” entre aspas, equiparando a nova etapa na vida dos sociais-democratas a uma “borrasca”. E Pedro Picoito, ainda antes de o novo presidente laranja entrar em funções, apressa-se a denunciar a “inércia de Passos Coelho quanto ao património de liberdade, ao debate democrático e à livre expressão”. E esclarece, como se alguém tivesse dúvidas: “Não olhem para mim. Votei Rangel.”
Tendo votado em Paulo Rangel, tal como alguns dos seus colegas de blogue, questiono-me se Pedro Picoito se congratula com a decisão, já assumida por Rangel, de aceitar encabeçar a lista ao Conselho Nacional do PSD patrocinada por Passos Coelho, que convidou outro dos derrotados, Aguiar-Branco, para presidir à comissão que vai rever o programa do partido. Confirmam-se as boas expectativas de Paulo Marcelo e Manuel Pinheiro: Passos quer congregar os militantes, começando pelos que estiveram contra ele – precisamente ao contrário do que Manuela Ferreira Leite fez, com os resultados que bem sabemos. Não por acaso, Pacheco Pereira, que foi um dos conselheiros mais próximos de Ferreira Leite, assina uma prosa apologética da líder que saiu sem mencionar sequer o nome do líder que entrou, o que é a modalidade actualizada, mais sofisticada e soft, de virar as setas do partido para baixo. Já Maria João Marques, livre dos constrangimentos de ser deputada, escreve sem papas na língua n’ O Insurgente: “Não há como negar: o passismo é uma coisa funesta.” Nem outra coisa seria de esperar de quem considera que “o aparelhismo e o caciquismo foram fundamentais para a vitória” de Passos Coelho, com 61% dos votos.
A boa notícia para José Sócrates é que a oposição interna a Passos Coelho começa já a marcar terreno em certos blogues – ainda antes de o novo líder entrar formalmente em funções. A má notícia, para o PS e para esta oposição interna, é que Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco recusam patrocinar facções, optando por colaborar com Passos Coelho. Puro bom senso, à luz dos interesses imediatos do PSD: o contrário seria retomar a marcha lenta mas cada vez mais alucinante do partido para o suicídio.
A liderança de Passos arrisca-se a ser um mero intervalo de curta ou longa duração nesta marcha. Mas, de momento, não existe alternativa, como Rangel e Aguiar-Branco bem perceberam. Mais tarde se verá quem tem razão: eles ou os bloguistas que já andam aí de espada desembainhada em nome de uma direita que nunca se confundiu nem jamais se confundirá com o PSD.


“A má notícia, para o PS e para esta oposição interna, é que Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco recusam patrocinar facções, optando por colaborar com Passos Coelho. Puro bom senso, à luz dos interesses imediatos do PSD: o contrário seria retomar a marcha lenta mas cada vez mais alucinante do partido para o suicídio.”
perante esta afirmação, sou levado a concluir que Pedro Passos Coelho, não é uma pessoa de Bom Senso, mas sim um oportunista politico( tal como Socrates…), face ao que aconteceu no periodo que antecedeu ultimas eleições … e se bem me recordo, você era um dos apoiantes da facção Pedro Passos Coelho, mas enfim…
E você é apoiante de quem? De Rangel, que agora está com Passos? De Aguiar-Branco, líder parlamentar de Manuela Ferreira Leite e que agora também está com Passos? Quando puder, esclareça-nos, por favor.
actualmente o PSD para mim é um partido dos Judeus=Jacobinos=Cãncios, tal como o PS, só mudou a roupagem…Passos Coelho é um clone do Socrates…a Mota & Companhia , até ja deve ter financiado uma parte dos dois anos, em que Passos Coelho faltou ao trabalho, para andar em campanha eleitoral…
Tric , Tric , mas que inconstância… então a sua nova bandeira é essa coisa engraçada dos Judeus=Jacobinos=Cãncios?
O que aconteceu ao nosso velho amigo Endividamento? Acha que o problema está resolvido? Nunca o vi tão optimista…
“O que aconteceu ao nosso velho amigo Endividamento? Acha que o problema está resolvido? Nunca o vi tão optimista…”
yahp
yahp?? Além de optimista, ficou monossilábico…
Fora a mania das citações, está mesmo irreconhecível, Tric!
Ó Tric, a sua mania de abrir os comentários com decalques dos ‘posts’ faz-me lembrar os “tradutores de ideias” televisivos, que são aqueles repórteres de exterior que começam por nos deixar ouvir uma personalidade qualquer e, no minuto seguinte, nos repetem as palavras que todos acabámos de ouvir da boca do outro. É o excesso de televisão que anda a fazer-lhe mal?
O pedaço de prosa que aqui repetiu está muito bem, mas foi pena ter-se esquecido do naco essencial: «Não por acaso, Pacheco Pereira, que foi um dos conselheiros mais próximos de Ferreira Leite, assina uma prosa apologética da líder que saiu sem mencionar sequer o nome do líder que entrou, o que é a modalidade actualizada, mais sofisticada e ‘soft’, de virar as setas do partido para baixo.»
O pedaço de prosa que aqui repetiu está muito bem, mas foi pena ter-se esquecido do naco essencial: «Não por acaso, Pacheco Pereira, que foi um dos conselheiros mais próximos de Ferreira Leite, assina uma prosa apologética da líder que saiu sem mencionar sequer o nome do líder que entrou, o que é a modalidade actualizada, mais sofisticada e ‘soft’, de virar as setas do partido para baixo.» – João Carvalho
Pois, mas uma discussão civilizada deste assunto não dispensa a verdade. E esta é a de que Nogueira Leite fez ataques descabelados a Pacheco Pereira antes de este escrever o seu artigo. Donde, foi Nogueira Leite quem, ao atacar JPP, deu o primeiro sinal de que a pretensa unidade que o passismo reclama é uma táctica de calimerização socretina. Os passistas podem atacar tudo e todos, mas ai de quem ameace a unidade interna do partido, fazendo críticas a PPC.
Pois, pois, a minha ideia sobre a unidade do partido é que, para Abrantes, já chegam os que escrevem no câmara corporativa. Não precisamos de patrulheiros passistas que sejam mais abrantes do que os originais…
José Barros, já lhe disseram que V. tem qualquer coisa de parecido com o Pacheco Pereira? Não sei se é por decalcar parágrafos nos seus comentários, se é por achar que quem não desanca em Passos Coelho é um indefectível ‘passista’, mas alguma coisa é.
Ainda há dois ou três dias o seu amigo Tric achava que eu estava a promover o António José Seguro e hoje (veja bem) voltei a ser um ‘passista’ (e patrulheiro, se é que li bem). Mas V. e ele estão enganados: como ainda não sei nem tive tempo de saber o que é um ‘passista’, não vou por aí. Não sou de inclusões precipitadas. Já agora: também não sou de exclusões desinteligentes. É uma questão de feitio e de escola, sabe?
Realmente, João Carvalho, não custava nada a Pacheco Pereira e só lhe ficava bem, ter escrito o nome e umas palavrinhas ao actual lider do PSD, Ângelo Correia…
Isso é lá consigo. Perdão… com ele.
Tric na sua melhor forma. Diz-nos agora que o lider de Pacheco Pereira se chama Angelo Correia.
O Tric é um pândego, compadre.
Pedro Correia,
O que eu ouvi de passistas como o Pedro Correia foi a verborreia de Nogueira Leite contra Pacheco Pereira, um ataque muito mais violento contra o partido e contra a unidade interna que qualquer post que o Pedro Picoito, o Fernando Martins ou a MJM tenham escrito. E como contra factos não há argumentos, os passistas devem enfiar a viola no saco e mais nada. Se querem pregar moral, devem, antes disso, dizer ao Nogueira Leite para estar calado. Enquanto aquele e outros (vide, Mira Amaral que também já fez declarações polémicas) continuarem a destilar ódio nos blogues e twitters e demais meios de comunicação, a teoria passista da unidade não é mais do que pura calimerização socretina.
Este é um exemplo acabado daquilo que pretende denunciar. Queixa-se do suposto ódio e dos supostos insultos de A ou de B num parágrafo que destila ódio por todo o lado.
Pedro Correia,
Percebo que queira desviar o assunto.
Mas o ponto é só este: se o Pedro Correia critica alguns bloggers do PSD por minarem a unidade do partido, com mais razão tem de atacar quem, como Nogueira Leite, e ainda antes daqueles bloggers escreverem os seus posts, atacou publicamente, de forma bem mais deselegante que aqueles, alguém do partido, Pacheco Pereira. Bastante elementar, parece-me. Mas se quiser demonstrar que eu estou errado, basta fazer uma adenda a este post, criticando Nogueira Leite pelas entrevistas que dei e em que atacou, repito, de forma deselegante, Pacheco Pereira. Digamos que lhe ficava bem.
Cumprimentos,
Permita-me uma pergunta: reside na Marmeleira?
Pedro Correia,
Percebo que não quer criticar Nogueira Leite pelas mesmas razões que escolheu para criticar o Pedro Picoito ou a Maria João Marques. E que, portanto, a preocupação demonstrada com a união do partido é uma figura de retórica, típica de um double-standard de quem continua em campanha depois da mesma terminar. Felizmente, ainda não chegou aos níveis do cinismo do seu amigo CAA que faz declarações de interesse depois de dois anos a fazer campanha a favor de Passos Coelho. É um ponto a seu favor.
E quanto às piadinhas que normalmente dedicam aos comentadores que discordam de vós, é um estilo. Abrantizado, mas não deixa de ser um estilo. Aceito e compreendo também, porque faz parte do discussão bafienta, estilo reunião de jotinhas partidárias, em que, infelizmente, se vai transformando a blogosfera.
Dito isto, como vejo que teme dizer uma palavra que seja sobre o seu amigo – presumo – Nogueira Leite e a entrevista que deu, encerro aqui os trabalhos. Votos de continuação de boa campanha e peço desculpa pela pequena interrupção desses seus trabalhos.
Cumprimentos,
Vou usar a sua norma do decalque: «E quanto às piadinhas que normalmente dedicam aos comentadores que discordam de vós, é um estilo. Abrantizado, mas não deixa de ser um estilo.»
Mas ser-lhe-á difícil encontrar outro lugar onde as mais diferentes opiniões tenham tanto espaço e aceitação (a começar por nós próprios, autores do blogue). Só que raramente deixamos de assinalar os intervenientes que têm mais piada. Mesmo quando as intervenções revelam teimosia perante os factos e quando mais apetece pôr-lhes aquelas orelhas compridas e mandá-los de castigo para o canto da sala.
“reunião de jotinhas partidárias, em que, infelizmente, se vai transformando a blogosfera”
Ora aqui está uma observação muito certeira. Excelente!
José Barros,
Lamento desiludi-lo, mas continuarei a analisar os acontecimentos políticos – como sempre o fiz – com a independência de sempre. Elogio quem entendo, critico quem entendo em função de factos, de comportamentos, de ideias e da adequação dos actos às promessas. Isto tanto vale para o campo do governo como para o campo das diversas oposições, independentemente dos nomes dos protagonistas de cada momento. Não faço críticas a pedido de ninguém, inclusive dos leitores, por mais consideração que me mereçam. Há neste blogue, ao contrário de outros, pluralismo suficiente para acolher as mais diversas opiniões sobre os mais diversos temas. Quem critica deve ter arcaboiço suficiente para receber críticas: sei bem o que isso é, e as consequências que tem num país que venera o respeitinho e os “consensos”. Jamais evito uma polémica, escudando-me atrás de segundos ou de terceiros. Entre gente crescida é assim que deve ser. Há aqui também espaço para a ironia e o humor? Claro que sim. Sempre assim foi, sempre assim será. É uma prova de vitalidade e de sanidade mental no país da seriedade de fachada e da lamúria. Quem aprecia, muito bem. Quem não aprecia, paciência.
Cumprimentos.
Pedro Correia,
Já parece o CAA no melhor estilo Clinton “fumei, mas não inalei”, “fiz campanha por Passos Coelho, mas regresso a um registo de analista político independente depois de eleito o líder que andei a defender durante meses”.
Olhe, essa é a diferença essencial entre pessoas como o Pedro Picoito ou a Maria João Marques e o Pedro Correia: aqueles defendem abertamente o seu candidato e declaram-no à partida; o Pedro Correia anda a fazer de conta de que os leitores não percebem e não identificam imediatamente os interesses que defende. Uns tratam os leitores como pessoas razoavelmente inteligentes; outros tratam-nos como parvos. Admito que com muito sucesso eleitoral.
Quanto a não fazer a adenda, não foi um pedido, porque eu não pedi, nem solicitei nada. Que o diga é demonstrativo de alguma iliteracia ou de alguma deselegância da sua parte. Prefiro pensar que a segunda hipótese é mais provável.
Para que não sobrem mal-entendidos: o facto de não fazer a adenda é a constatação evidente do double-standard deste post e por isso a sua refutação por um simples exercício prático. Tanto mais bem sucedido quanto em meia dúzia de comentários o Pedro Correia ainda não explicou por que razão o Nogueira Leite não é criticável pelas mesmas razões que as pessoas criticadas no post o são. Todos os seus comentários anteriores constituem por isso o “quoad erat demonstrandum” quanto à putativa independência de que se arroga.
Cumprimentos,
José Barros,
Não sou militante de nenhum partido, como é público e notório. Já critiquei todos os partidos, em momentos diferentes. O arquivo deste e de outros blogues comprovam isso mesmo.
Escrevo sobre qualquer partido com uma distância diferente dos militantes, nomeadamente alguns que mencionou. Os militantes têm candidatos por quem batalham e em quem votam, por vezes com uma paixão para mim incompreensível. É natural: eu não tive nem tenho candidato – nem tenho que o ter.
E também não sou porta-voz de ninguém. Você, se não é, pelo menos parece.
Quanto às alusões a iliteracia e etc: desculpe lá, mas nem vale a pena responder.
… E com cartão de eleitor na morada certa?
Já agora, Pedro Correia, diga-me, por favor: V. é tão ferozmente passos-coelhista (se é que isso significa alguma coisa…) porquê?
Sou como o outro: um animal feroz.
Esta de Passos ter convidado os adversários para os orgãos do partido só pode ter uma leitura ” fraqueza politica”,já que ele sabe que aquilo que ele fez aos outros vai cair-lhe em cima,através de hipocrisia politica que assola todo o PSD( Partido Sem Dinheiro).
Esta atitude do Passos só revela que ele não tem carisma nem competência para se impor e como tal: ” se não podes vencer o teu inimigo junta-te a ele”.
Com esta gente o PSD (Partido Sem Dinheiro)não serve o país.
Ponto final.
Os adversarios estao dentro do partido? Muito me conta. Pensava que estavam noutros partidos.
Nunca militei em nenhum partido, mas já há muitas eleições que voto PSD. Agora, e enquanto a mediocridade do Sr Passos for líder vou passar a votar em branco. E conheço muita gente que pensa assim. Porque carga de água é que o PSD deu em imitar o PS e escolher uma nulidade destas para presidente? Isto brada aos céus! De facto quem tem razão é o Medina Carreira: estes partidos já não servem! Vamos ter é que arranjar outros!
Vai votar em Branco? Chega atrasado. Essa eleiçao foi no mes passado. E Branco perdeu.
Deve ser um dos preferiram Preto.