Carlos Zorrinho diz que só «a teimosia» ou «eventual excesso de precaução» pode impedir o governo de aceitar as alterações ao orçamento propostas pelo PS. Ele devia ter mais cuidado com a questão de «a teimosia» porque todos nós, detentores de memória não selectiva, ainda nos lembramos de como o governo do Partido Socialista não era propriamente brilhante a aceitar sugestões nos tempos em que dispunha de maioria absoluta. Mas talvez o uso do artigo definido seja uma forma de Zorrinho especificar a teimosia do governo e a separar de qualquer outra. Seria brilhante, convenhamos, embora talvez um tudo-nada excessivamente subtil para o nível hermenêutico médio do espectador televisivo nacional. Seja como for, se na acusação de teimosia Zorrinho pode estar em contradição com o passado recente do PS, na parte do «excesso de precaução» (também poderíamos analisar o uso de «eventual», que me parece enfraquecer um pouco o argumento, mas fica para outro dia) ele encontra-se totalmente à vontade. Excesso de precaução é algo de que ninguém pode acusar o Partido Socialista.
Teimosia e precaução
escafandro,

Este teu título tem qualquer coisa de “amor e preconceito”, o que me parece casar muito bem com Zorrinho.
Acho que era ‘Orgulho e Preconceito’, João. Mas eu até acho o Zorrinho amoroso. E faz uma dupla fantástica com o Galamba.
Zurrinho, homem, Zurrinho…
Eu gosto da ideia de um Zorro pequenino, JSP. Um aspirante a Zorro, digamos.
Apreciei a sua análise de conteúdo às palavras do dirigente socialista, mas o que eu gostaria de ver – porque eu próprio não a sei fazer – era uma análise às políticas… perdão! aos remendos às políticas do governo. Estou convencido que até no seio da coligação há contestações mais profundas.
Tem duplamente razão, Rómulo: seria mais interessante e até no seio da coligação deve haver oposição mais profunda e estruturada. Infelizmente, a minha especialidade sempre foi o acessório…
Não menospreze a sua especialidade. Que seria do bife sem os acessórios?
Z….catrapás…onde está o silverinho?
As quedas são uma tendência natural de quem estava montado (tudo o que sobe tem de descer) e, agora, apeado, custam mais. Há que engolir a poeira do asfalto, soerguer-se e, no mínimo, assobiar para o lado.
De todo o modo, é uma figura simpática, veste o fato que o alfaiate destino-voto lhe teceu, com um ajuste ou outro. Sem se aperceber, saíu para a rua ainda com o giz branco da prova.
Fica, contudo, bem apessoado, se comparado com as vestimentas bafientas dos seus colegas da bancada de trás.
Acho que estamos de acordo, Ana, pelo menos no ponto do fato. E sempre é preferível Zorrinho a Paulo Campos…