Teimosia e precaução


escafandro,
Carlos Zorrinho diz que só «a teimosia» ou «eventual excesso de precaução» pode impedir o governo de aceitar as alterações ao orçamento propostas pelo PS. Ele devia ter mais cuidado com a questão de «a teimosia» porque todos nós, detentores de memória não selectiva, ainda nos lembramos de como o governo do Partido Socialista não era propriamente brilhante a aceitar sugestões nos tempos em que dispunha de maioria absoluta. Mas talvez o uso do artigo definido seja uma forma de Zorrinho especificar a teimosia do governo e a separar de qualquer outra. Seria brilhante, convenhamos, embora talvez um tudo-nada excessivamente subtil para o nível hermenêutico médio do espectador televisivo nacional. Seja como for, se na acusação de teimosia Zorrinho pode estar em contradição com o passado recente do PS, na parte do «excesso de precaução» (também poderíamos analisar o uso de «eventual», que me parece enfraquecer um pouco o argumento, mas fica para outro dia) ele encontra-se totalmente à vontade. Excesso de precaução é algo de que ninguém pode acusar o Partido Socialista.

9 comentários em “Teimosia e precaução”

  1. Apreciei a sua análise de conteúdo às palavras do dirigente socialista, mas o que eu gostaria de ver – porque eu próprio não a sei fazer – era uma análise às políticas… perdão! aos remendos às políticas do governo. Estou convencido que até no seio da coligação há contestações mais profundas.

    1. Tem duplamente razão, Rómulo: seria mais interessante e até no seio da coligação deve haver oposição mais profunda e estruturada. Infelizmente, a minha especialidade sempre foi o acessório…

  2. Z….catrapás…onde está o silverinho?
    As quedas são uma tendência natural de quem estava montado (tudo o que sobe tem de descer) e, agora, apeado, custam mais. Há que engolir a poeira do asfalto, soerguer-se e, no mínimo, assobiar para o lado.
    De todo o modo, é uma figura simpática, veste o fato que o alfaiate destino-voto lhe teceu, com um ajuste ou outro. Sem se aperceber, saíu para a rua ainda com o giz branco da prova.
    Fica, contudo, bem apessoado, se comparado com as vestimentas bafientas dos seus colegas da bancada de trás.

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