Táxi Marcelo.


Luís Menezes Leitão,

Os jornais de hoje revelam o que qualquer pessoa de boa memória há muito sabia: que foi Marcelo e não Stoltenberg o pioneiro da ideia do político-taxista. Tal ocorreu na campanha à Câmara de Lisboa, em Setembro de 1989, onde Marcelo teve outras edificantes ideias, entre as quais a de atirar-se ao Tejo, mas nenhuma das quais impressionou os eleitores que votaram maciçamente em Jorge Sampaio.

 

Mostrando que político sofre, Marcelo refere hoje a sua experiência na condução do táxi Marcelo: “Levou uma grávida prestes a dar à luz ao Hospital da Cruz Vermelha – “até tive medo que tivesse o bebé ali no carro” -, um senhor com uma “encomenda estranha” do antigo Casal Ventoso ao Cais do Sodré, estrangeiros para o Chiado e “muita gente atrasada para o emprego“. Nada a que os taxistas comuns não estejam habituados, como eventualmente esta empresa poderá esclarecer. O que não é comum é ver os políticos a fazer essas tarefas, pelo que Marcelo pode legitimamente reclamar a patente do político-taxista e processar Stoltenberg para lhe exigir as competentes royalties pela utilização abusiva da sua invenção. Efectivamente, não são nada comuns os políticos-taxistas, sendo esta uma invenção original, que deve ser juridicamente tutelada. Já os políticos-tachistas pelo contrário são extremamente frequentes, pelo que ninguém poderá arrogar-se a patente dessa invenção. Já é do domínio público há muitos anos.

2 comentários em “Táxi Marcelo.”

  1. não são nada comuns os políticos-taxistas?
    permito-me discordar, embora com uma ou outra “nuance” ortográfica: o que mais ele há é mesmo isso, políticos tachistas e políticos taxistas (no sentido que só sabem é aplicar taxas aos cidadãos).

  2. Tomara que o esforço intelectual que detêm (os que o têm), fosse melhor aplicado do que assim: numa manobra popularucha cujo benefício só pode reverter para os interesses do próprio.
    E no entanto há quem acredite que actos como este são verdadeiramente destinados a conhecer as dificuldades e opiniões dos eleitores!
    Aquele provérbio português: com papas e bolos se enganam os tolos, tanto serve em Portugal como na Noruega!
    (tenho pena de não saber norueguês para o traduzir correctamente).

    Cumprimentos.

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