A bancada do PS, muito tolerante com o seu vice-presidente Ricardo Rodrigues, não dá tolerância de ponto aos seus funcionários durante a visita do Papa. Em nome da laicidade do Estado. Isto apesar de o líder parlamentar socialista, Francisco de Assis, ter defendido há três semanas a decisão do Governo e da câmara de Lisboa com argumentos que pareciam sensatos: “É precisamente porque vivemos num Estado laico, e que essa característica fundamental não está em causa, que o Governo pode tomar uma posição dessa natureza.”
Nesta matéria, pelos vistos, a opinião de Miguel Vale de Almeida pesa mais do que a de Assis, o que não admira: o líder parlamentar tem nome de santo. Fico agora a aguardar uma decisão idêntica da mesmíssima bancada a 3 de Junho, feriado religioso em que se assinala o Dia do Corpo de Deus, e a 13 de Junho, Dia de Santo António, feriado municipal em Lisboa: mais religioso que este é difícil.
Haja coerência, senhores, haja coerência.
ADENDA: Ler ‘O direito à festa e as novas inquisições’, do António Marujo (via Cibertúlia).

Muito bem.
Até ver 13 de Maio não é feriado nacional e os outros são. Um bocadinho de honestidade, comparando o comparável, seria pedir muito?
E quem é que V. julga que determina anualmente as datas religiosas que são feriados nacionais?
Ó Anónimo, então os feriados religiosos – nacionais e municipais – não ferem a laicidade do Estado? Não é precisamente em nome da laicidade do Estado que a bancada do PS nega a “tolerância de ponto” aos seus funcionários?
E nem é preciso ir aos feriados… Como vai ser na véspera de Natal? E na quinta-feira santa? Está tudo reunido em plenário no parlamento? Santa hipocrisia…
Perguntas muito bem.
alguém sabe em que dia calha o feriado municipal no poceirão?
Boa pergunta.
Dizem-me que calha no mesmo dia do feriado no Caia. Mas celebram-se em anos diferentes.
Ora bem, temos o Carnaval, a Sexta-feira Santa, a Páscoa, o Corpo de Deus, o 15 de Agosto, o 8 de Dezembro. Mais o Santo António em Lisboa, o São João no Porto, e cada terrinha tem o seu próprio feriado. Não sei se o 1 de Janeiro é feriado por São Silvestre ou se é por motivos de ressaca maior, mas ainda se pode falar de outras coisas, como as tais pontes (véspera de Natal, por exemplo), e mesmo o… subsídio de Natal. Sentem a laicidade ferida por se dar tolerância de ponto durante a visita do Papa, mas receberem dinheirinho para celebrarem uma festa católica já não é nada inconveniente. Pois.
Enfim, no dia em que defenderem a abolição do que referi, terei por eles algum respeito. Até lá, vejo-os apenas como um bando de oportunistas.
O subsídio de natal é subsídio para celebrar uma festa católica? Não é nada, pá, não te iludas. É para comprar prendas e pagar dívidas. E o Santo António é uma festa católica? É mesmo? É, é isso e a Senhora da Agonia, onde minhotos e espanhóis vão em adoração mística ao Quim Barreiros e às febras assadas 😉
Essa descrição das festas da Senhora da Agonia podia aplicar-se a qualquer queima das fitas, trocando as febras pela imperial 🙂
Por falar em pontes, John: há também a Ponte de São João, que é a nova ponte ferroviária do Porto. Se não sabem o nome profissional dele, deviam chamar-lhe Ponte do Senhor João.
É a nossa ponte, então. A mim parece-me muito bem.
A mim também. Mas acho que o Vale de Almeida não concorda.
Que desmancha prazeres. Era tão bonito: “Ponte João Carvalho e João Campos” O João ficava com o tabuleiro rodiviário, que eu não tenho carta; e eu ficava com o ferroviário. Tem de ser assim por extenso porque se ficar só “JC” ainda pensam que é “Jesus Cristo” e lá vinha a laicidade novamente.
Cruzes! Credo!