José Sócrates está a ser muito criticado por ainda não ter anunciado o apoio oficial do PS à proto-candidatura de Manuel Alegre quando faltam nove meses para a eleição presidencial. Estas críticas fazem pouco sentido, por vários motivos. Desde logo porque Alegre ainda não oficializou sequer a candidatura. Depois porque isso faria apressar uma clivagem com o Presidente em funções – presumível recandidato a Belém – numa altura em que Sócrates, agora sem maioria no Parlamento, precisa mais que nunca de manter uma relação de equilíbrio institucional com Cavaco Silva. Além disso o líder socialista sabe que o assunto está longe de ser pacífico dentro do partido, onde Alegre divide opiniões: o apoio a um candidato presidencial só deve ocorrer após um debate interno aberto, franco e muito participado. Finalmente, nestas presidenciais a lógica de Sócrates é inversa à de Francisco Louçã. O líder do Bloco de Esquerda apressou-se, ainda em Janeiro, a antecipar o voto dos bloquistas ao autor de Senhora das Tempestades com a intenção exclusiva de condicionar a margem de manobra do PS: perante a opinião pública, os socialistas apareceriam a reboque do Bloco com tanto mais probabilidade quanto mais curta fosse a diferença de datas entre as duas declarações de apoio.
O silêncio de Sócrates torna-se ainda mais compreensível dada a natureza conflitual das relações entre o Governo socialista e o Bloco, como os debates quinzenais no Parlamento bem documentam. É um silêncio que incomoda Alegre mas que se justifica do ponto de vista do PS: acelerar o calendário político, no contexto actual, traz mais problemas que vantagens aos socialistas. A última coisa de que um país em crise necessita é de nove meses de campanha eleitoral. De resto, o poeta não necessita da bênção do Largo do Rato para formalizar a candidatura: como é sabido, a eleição presidencial é a única, no quadro político português, que não depende de uma lógica partidária. Isso ficou aliás bem demonstrado em 2006, quando Alegre, concorrendo sem o apoio do partido, recebeu muito mais votos do que o candidato oficial socialista.
É por isso que apetece perguntar: tanto barulho para quê?


“a eleição presidencial é a única, no quadro político português, que não depende de uma lógica partidária”
As eleições para as autarquias, especialmente para as freguesias, também não dependem. Em muitos casos, são ganhas por listas independentes. Em muitíssimos casos, até só há um ou dois partidos a concorrer.
As eleições autárquicas são dominadas pela lógica partidária, como você bem sabe. Então nos municípios mais emblemáticos isso nem se discute. Nada que se compare com as presidenciais.
“tanto barulho para quê?”
Para os jornalistas terem com que encher o papel de tinta.
Basicamente, o barulho é feito ou amplificado por jornalistas. A eles interessa o barulho. Eles alimentam-se de barulho.
Os jornalistas são como as moscas – alimentam-se de merda.
Luís, V. está na fronteira do tolerável. Ainda por cima sem necessidade, porque pode dizer o mesmo sem ser desse modo, que não vem a propósito nem se justifica.
Aproveito para lhe lembrar que deve ter presente que nem toda a gente concorda consigo, pelo que as suas posições são bem recebidas apenas quando respeitam o espaço mental dos outros (que não são todos iguais).
Já ouviu dizer “respeita para seres respeitado”?
Essa do “respeita para seres respeitado” é, precisamente, aquilo que deveria ser pedido aos jornalistas.
É que eles não respeitam ninguém, passam por cima de tudo e de todos, arrogantes, manipuladores, difamadores. Como querem depois ser respeitados?
“São todos iguais.” Esta é a frase mais vulgar e disparatada dos comentários de café em Portugal. Começo a pensar que os Lavouras são todos iguais. O que é pena, porque sempre achei que o maior bem que a liberdade nos proporciona é o confronto e debate de ideias distintas. Para si, parece que não é assim: pelo menos ao nível das classes profissionais, uns devem ser todos bons e outros são claramente todos maus.
Apraz-me registar, apesar disso, que V. dá-se bem neste blogue amplo de ideias.
Luís Lavoura mudou de profissão: agora é taxista. Produz comentários de taxista, como este. Depois de equiparar os jornalistas a “merda” resta-lhe apelar ao restabelecimento da censura e a um Salazar que ponha cobro a “isto”.
1) Não disse que os jornalistas são merda ou se equiparam a merda, disse que se alimentam de merda.
2) Nunca pedi nem sugeri pedir o restabelecimento de qualquer forma de censura.
Já tinha dito asneira. Agora limitou-se a reiterá-la.
Não disse que os jornalistas são “pins”. Mas podia dizer que o são. Na expressão tão popular da palavra “pins” ela é usada como adjectivo qualificativo depreciativo querendo dizer “fraco” ou “mauzinho”. Eu assumo que entendo que grande parte dos jornalistas são “pins”. Quando os jornais recorrem cada vez mais a mentideros e a converseta marada”, a escutas e às agendas de agências ou consultores de comunicação, estão a dar “pins” aos “pins”. Das redacções, cada vez mais pejadas de jovens pagos a recibo verde pode-se esperar muito? Talvez, mas “pins” tem certamente. O resto é cultural… eu próprio, neste comentário já estou a fazer autocensura …
(tenho um blogue que trata disto e onde “pins” significa “golpista”. Isso mesmo, informação golpista)