Sulfúricas


lauraramos,

 

Escrever, para eles, era ainda moral. Hoje, muitas vezes escrever pode parecer não significar nada. Por vezes sei disto: a partir do momento em que não for, confundidas todas as coisas, ir ao sabor da vaidade e do vento, escrever é nada. A partir do momento em que não for, sempre, todas as coisas confundidas numa única por essência inqualificável, escrever é nada mais que publicidade. Mas na maioria das vezes não tenho opinião sobre isso, vejo que todos os campos estão abertos, que não haverá mais muros, que a palavra escrita não saberá mais onde se esconder, se fazer, ser lida, que sua inconveniência fundamental não será mais respeitada. Mas nem penso mais nisso.


Marguerite Duras

9 comentários em “Sulfúricas”

  1. O barril de ácido está a ficar a meio e o produto a perder qualidades corrosivas… E a imagem tb deve ser sequela das experiências que andei a fazer com eléctrodos, nem imaginas, dei entrada imediata da unidade de queimados;) No melhor pano cai a nódoa…

  2. tão verdade, escrever não é nada e os egos mexidos que por aí andam só comprovam que a qualidade não se mede por nada a não ser mesmo pela qualidade. Uma bitola difícil. beijo

    1. É verdade, Patrícia. Eu até secundava com umas saídas da Anais Nin, quando fala do que é ser um bom ou um mau escritor (explicando porque é que a Beauvoir lhe é indiferente). A ideia é mais ou menos a de que ‘o que é bom é aquilo que nos modifica’. Chegará? Logo, a qualidade depende de quem lê e da sua exigência e/ou interesse. E talvez não seja tão objectiva assim 😉

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