Sulfúricas


lauraramos,

 

A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.

 

Sinto uma consideração quase nula pelo que, em Portugal, se publica. Desgosta-me a infinidade de romances desonestos, entendendo por desonestidade não a falta de valor intrínseco óbvio (isso existe em toda a parte) mas a rede de lucro rápido através da banalização da vida. Livros reles de autores reles.

 

Esta é a verdade em todo o mundo. As pessoas compram coisas que falam sobre o hoje e quando o hoje se tornar ontem já ninguém vai ler aquilo.

 

António Lobo Antunes

9 comentários em “Sulfúricas”

    1. Já agora, uma frase com mais de 20 anos, do tempo em que eu colaborava no «DN Jovem». Um ainda jovem Lobo Antunes dizia no suplemento, numa entrevista a um dos colaboradores, José Riço Direitinho: «Os escritores são todos uns chatos, eu se fosse mulher não ia para a cama com nenhum.»

      1. Ele adora essas frases bombásticas e chocantes 😉
        Houve um tempo em que eu engalinhava com o Lobo Antunes e o achava um poseur… Agora não. Cada vez gosto mais da escrita dele e acho-o um personagem único, autêntico, que diz o que pensa sem rebuço e sem orquestras mediáticas nos bastidores.

    2. Refuto, sem ácido, a sulfúrica refutação, Pedro.
      Os alemães não são escravos, são iluminados, e disso se fez a história dos anos 30. Tiveram (e têm) uma atitude totalmente oposta à passividade acrítica da escravidão.
      Coisa diferente seria se ALA tivesse usado o termo ‘alienação’. Mas não: foi mesmo escravidão.

        1. Claro, eu já nem quis pelos casos do ‘livro único’. O Livro Vermelho… A Bíblia e o Catecismo, para certos proprietários da moralidade universal … O “Caminho”, para os da Opus Dei… A Bola e Record, para quem não lê mais nada … as revistas cor-de-rosa … 🙂

  1. «As pessoas compram coisas que falam sobre o hoje e quando o hoje se tornar ontem já ninguém vai ler aquilo.» Certo, mas já quanto a comprar coisas que falam sobre o ontem é o diabo. Especialmente se forem sobre a Guerra Colonial e as coisas não serem boas para comprar…

  2. O ALA não subscrevo. Estaline lia muito. Não há relação de causa efeito. de qualquer modo ler é, parece-me um meio para compreender melhor o mundo e não ser escravo dele, oferece-nos distanciação. também há ler e ler… O tempo separará o trigo do joio, muita da escrita de hoje é uma escrita de vaidades, nada tem de importante a anotar. Prefiro sempre os clássicos. Continuo a preferir sempre que me aventuro nos de hoje, tirando excepções honrosas (O ALA não é uma delas, que me aborrece de morte).

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