Sugestão: um livro por dia


Pedro Correia,

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O Crepúsculo em Itália, de D. H. Lawrence

Tradução de Paulo Faria

Viagens

(edição Tinta da China, 2016)

 

8 comentários em “Sugestão: um livro por dia”

  1. Pedro, até que ponto a literatura e toda a cultura é uma forma de escapismo? Uma fuga da realidade. Da nossa. Modesta. Inútil. Insignificante e sem significado. Tornámo-nos, por ela, viciados em emoções estrangeiras. A realidade já não chega. Mas, afinal quando foi que ela nos bastou?

    A cultura, a suprema arte do esquecimento. Esquecimento das planuras. Embrulhamo-nos nela, amodorrados, e fechamos as janelas do nosso quarto. E perguntamo-nos no sobressalto de um sono acordado – É isto a Vida? Não há mais? Onde se esconde o mentiroso?

    Preferimos a melodia palavrosa e fria que nos canta o Sol e esquecemo-nos de ir lá fora espreitá-lo – recordar como ele aquece. Cuidado aos que se esconderam tapados. Ele queima!

    Deitemos os livros fora, ou agarremos apenas num, escrito a sangue e não a tinta. Decoremo-lo do principio ao fim, como antigamente (em que linha navega o barco de Ulisses? Se faz ouvir o choro de José? Em que circulo, surge Beatriz?) Saibamos pelo coração em que página está escrito : em verdade vos digo. Essa verdade velha e por isso verdadeira – O progresso será sempre pródigo nas maquilhagens da mentira.

    Façamos como o Califa Omar. Arrasemos as bibliotecas. Queimemos os livros.

    1. O dia amanheceu hoje frio para si, amigo Jeremias. Talvez para fazer jus ao seu pseudónimo.
      Não importa em que direcção sopra o Vento, importa que não nos traga mais labaredas. Bem bastam as que já andam por aí a incendiar o mundo.

          1. Aleluia! Tardou mas chegou.
            Jeremias, o purificador das almas, dissipador das Trevas e Farol Iluminador da Existência.
            A Suprema Inteligência o guarde.

    2. O problema meu caro Jeremias é que a realidade não é para todos, pelo menos a que nos não está próxima. Ainda nos fica mais barato, e por vezes mais bem criada a imagem da realidade por nós através de um texto bem escrito, do que o conhecimento da realidade no meio de uns milhares de turistas acotovelados por “sticks” de “sélfie”. Arre que isto são só estrangeirismos! Refiro-me claro ao género literário aqui citado, embora este livro não configure a viagem típica do turista actual. A massificação do turismo, ao nível da civilização que financeiramente lhe chega, tornou as zonas de visita em locais verdadeiramente insuportáveis. A massificação do turismo para a população portuguesa não existe (existe só para um sector bem específico da sociedade). Vale bem a pena seguir o senhor Lawrence por 17€, afinal sempre é um pouco menos do que um bilhete para o futebol.

    3. Nunca se deve fazer nada como um árabe ou qualquer outra criatura mono-lógica do Médio Oriente. É gente mínima que odeia a liberdade.

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