«Dado que, por contingência psico-somática, todos os naturais dessa região prezam e consideram como maior bem a solidão e a contemplação interna (zan-zan-dag), Pul-Tra, ele mesmo vendedor das mais requintadas máquinas de solidão produzidas pela sua raça, devolvera no melhor estilo a amabilidade de Crostol, libertando-o dos órgãos visuais e, assim, da presença de imagens externas e inoportunas.
A acusação (Ministério Público-Comarca de Troikalan) no entanto não aceitou esta argumentação, considerando que, como é sabido, os órgãos visuais dos indígenas de Troikalan são o elemento sustentador do equilíbrio sexual (5º sexo) dos grupos reprodutivos e a destruição desnecessária dos mesmos pode pôr em grave risco a imprescindível politização das fecundações de grupo. A ignorância deste facto, disse, não pode de forma nenhuma servir como argumento para a absolvição do restejador polipoide Pul-Tra, de Algol-7. Como fez notar, há outras maneiras de ser agradecido além de “andar por aí a vazar olhos” (sic)
A sentença (sector de Rigel – Comarca de Troikalan) foi benigna, considerando como circunstância atenuante a boa-fé com que o acto fora praticado embora a acusação tivesse protestado energicamente.»
LEIRIA, Mário Henrique – Casos de direito galático : o mundo inquietante de Josela(fragmentos). Lisboa : Editorial República,1975. pp. 13-14
A LER NOUTRA EDIÇÃO que esta tem um erro de ortografia na capa, o que inculca a ideia de ter sido o desmazelo a presidir à edição. Que mais erros haverá? O direito é galáctico. Mesmo em acordês – que não está em vigor – seria sempre “galáctico”!
É pena que o Pedro Correia deixa passar uma destas.
A peculiar escrita de MH Leiria não tem erros: tem criatividade, tenho engenho, tem inovação. Como tinha a de um Almada ou a de um O’ Neill. Nada a ver com acordês, nada mesmo.
Sei quem é o Mário Henriques-Leiria. Há mais de 40 anos.
Neste caso, encontra o título grafado dos dois modos( https://www.wook.pt/livro/casos-de-direito-galactico-e-outros-textos-esquecidos-mario-henrique-leiria/17988365). A primeira edição parece ter escrito “galático”, o que, ao tempo, de ortografia precisa e certa, remeteria, de imediato, para um jogo de palavras, que a incerteza e caos actuais da ortografia obnubilam.
De qualquer modo, agradeço que aceite as minhas desculpas.
Qual é o género de escrita do conteúdo do livro? Crónicas?
De tudo um pouco. Leiria é inclassificável.
A cidade também 🙂
Hum. O Eça que o diga.
E, caro Pedro, Mário-Henrique Leiria lido por Mário Viegas?
Fabulástico! (permita-me a palavra)
Bom a dobrar. Qualquer dia escrevo aqui sobre MHL. Vai sendo tempo.
Uma palavra, caro Pedro: Troikalan
«Dado que, por contingência psico-somática, todos os naturais dessa região prezam e consideram como maior bem a solidão e a contemplação interna (zan-zan-dag), Pul-Tra, ele mesmo vendedor das mais requintadas máquinas de solidão produzidas pela sua raça, devolvera no melhor estilo a amabilidade de Crostol, libertando-o dos órgãos visuais e, assim, da presença de imagens externas e inoportunas.
A acusação (Ministério Público-Comarca de Troikalan) no entanto não aceitou esta argumentação, considerando que, como é sabido, os órgãos visuais dos indígenas de Troikalan são o elemento sustentador do equilíbrio sexual (5º sexo) dos grupos reprodutivos e a destruição desnecessária dos mesmos pode pôr em grave risco a imprescindível politização das fecundações de grupo. A ignorância deste facto, disse, não pode de forma nenhuma servir como argumento para a absolvição do restejador polipoide Pul-Tra, de Algol-7. Como fez notar, há outras maneiras de ser agradecido além de “andar por aí a vazar olhos” (sic)
A sentença (sector de Rigel – Comarca de Troikalan) foi benigna, considerando como circunstância atenuante a boa-fé com que o acto fora praticado embora a acusação tivesse protestado energicamente.»
LEIRIA, Mário Henrique – Casos de direito galático : o mundo inquietante de Josela(fragmentos). Lisboa : Editorial República,1975. pp. 13-14
A LER NOUTRA EDIÇÃO que esta tem um erro de ortografia na capa, o que inculca a ideia de ter sido o desmazelo a presidir à edição. Que mais erros haverá?
O direito é galáctico. Mesmo em acordês – que não está em vigor – seria sempre “galáctico”!
É pena que o Pedro Correia deixa passar uma destas.
A peculiar escrita de MH Leiria não tem erros: tem criatividade, tenho engenho, tem inovação. Como tinha a de um Almada ou a de um O’ Neill.
Nada a ver com acordês, nada mesmo.
Sei quem é o Mário Henriques-Leiria. Há mais de 40 anos.
Neste caso, encontra o título grafado dos dois modos( https://www.wook.pt/livro/casos-de-direi to-galactico-e-outros-textos-esquecidos-m ario-henrique-leiria/17988365). A primeira edição parece ter escrito “galático”, o que, ao tempo, de ortografia precisa e certa, remeteria, de imediato, para um jogo de palavras, que a incerteza e caos actuais da ortografia obnubilam.
De qualquer modo, agradeço que aceite as minhas desculpas.