Em 15.07.2011 o Banco DEXIA publicou no seu site uma nota de imprensa em que deu conta do bom resultado obtido nos stress tests lançados pela União Europeia em 2011:
Dexia’s strong capital base would enable it to weather the set of assumptions of the EBA stress tests, while still maintaining strong capital ratios, even if these assumptions look very conservative, notably for sovereigns, local authorities and the potential evolution of the funding costs.
More specifically, as a result of the assumed shock under the adverse scenario, not taking into account the impact of the acceleration of deleverage announced on 27 May 2011, the estimated consolidated Core Tier 1 capital ratio of the Group would change to 10.4% in 2012 compared to 12.1% by the end of December 2010 and largely above the benchmark of 5% of Core.
Hoje de madrugada, decorridos menos de 3 meses, foi anunciado um acordo dos estados belga, francês e luxemburguês que dá cobertura a uma intervenção que tem como objectivo evitar o estouro da instituição.
Por cá, já temos experiência destas coisas e até podíamos dizer aos contribuintes locais exactamente como a coisa vai acabar. Mas, pensando bem, o melhor mesmo é continuarmos todos a dormir descansados, deitados nos nossos colchões.
Os bancos estão tesos
Nas minhas andanças profissionais de outros tempos, participei em vários estudos europeus sobre produtos e serviços bancários e, deste modo, tomei contacto com a realidade de outros países. Na altura, entre outros, o banco franco-belga Dexia destacava-se nos lugares cimeiros em diversos aspectos comparativos analisados. Passados poucos anos, a realidade mudou. Durante a semana passada, quando soube do colapso do Dexia, fiquei um pouco admirado. E fiquei curioso, igualmente, para tentar saber as respectivas razões. Sinceramente, desconfiei de algumas eventuais/potenciais causas…
Neste momento, já não tenho dúvidas: este banco tem uma exposição elevadíssima à dívida pública grega e a activos bancários e financeiros helénicos (são milhões e milhões de euros). O valor de cada acção do Dexia passou de cerca de € 2,50, em Janeiro de 2011, para pouco mais de € 0,80, em Outubro de 2011. Ou seja, cada acção perdeu cerca de 2/3 do seu valor. Mais, nos últimos testes de stress realizados a 100 bancos europeus, aproximadamente, o Dexia ficou nos lugares cimeiros. Dá vontade de escrever: claro. Embora não conheça a fundo os parâmetros analisados, sempre tive a sensação de que havia aqui muito show-off, isto é, aldrabice. Nada de muito diferente daquilo que os grandes responsáveis políticos e financeiros, portugueses e europeus, têm feito nos últimos anos: basta atentar para a anterior (des)governação socrática e do Banco de Portugal, por exemplo. Enfim…
Observando a realidade bancária nacional, a coisa não é muito mais famosa, isto é, encontra-se em pré-colapso. Catastrofista, eu?! Vejamos dois exemplos:
– BCP (ou Millenium bcp) com acções cotadas em € 0,17 (desvalorização anual de 70%, repito: setenta por cento);
– Banco BPI com acções cotadas em € 0,65 (desvalorização anual de 53%, repito: cinquenta e três por cento).
Durante esta semana, um dos analistas do FMI alertou para a possibilidade da banca europeia ruir nas próximas 2/3 semanas. De certeza absoluta, este analista terá razões para fundamentar esta opinião.
Neste fim-de-semana, li no Expresso que os grandes banqueiros portugueses pretendem criar um banco para resolver o problema de liquidez bancária, dizem eles. Para mim, querem empurrar o problema com a barriga, mais uma vez, e para cima do Zé povinho, claro. São incapazes de reconhecer erros e incompetência na gestão das suas organizações. É gente arrogante e plutocrática, da mais pura linhagem.
O colapso do Dexia consumou-se, ou seja, foi nacionalizado. Para mim, as causas são claras: má gestão bancária feita de ilusões e muitas aldrabices (principalmente, para com uma parte dos seus clientes), com certeza. Nada de novo neste mundo financeiro/bancário, os “stress tests” foram a maior falácia dos últimos tempos: o Dexia foi dos bancos com melhores resultados, imagine-se! Em Portugal, o panorama não é nada famoso. O BCP (ou Millenium bcp) encontra-se em queda livre, isto é, à beira do colapso. Depois do assalto maçónico de 2007/2008, esta instituição bancária tem vivido tempos bastante conturbados… A publicidade agressiva não foi, não é, nem será capaz de mascarar esta realidade: a solução passará, muito provavelmente, pela nacionalização através de capitais disponibilizados pelo empréstimo da “Troika”. O banco que, em tempos, foi vanguardista no sector, para o bem e para o mal, agora está na liderança do descalabro da banca nacional.
Moral da história: quem semeia ventos, colhe tempestades.
E, no fim, pagam os do costume, Gonçalo.
“Deitados nos nossos colchões”
Para quem estiver interessado instalo:
Alarme com desligação automática ao deitar…
Video- vigilância ( não recomendável a conjûge infiel)
Com cofre — abertura retardada
E outros artefactos a combinar….como, por exemplo, multibanco incorparado.
Contacto: Colchon BanK Segurity of Lisbon
Vejo aí muito potencial de negócio, CBS.
E lembras-te do furor com que vozes críticas dos métodos usados nos stress tests foram recebidas, Rui? The show must go on – só que provavelmente agora já não durante muito mais tempo.