Subscrevo sem qualquer reserva o princípio da presunção de inocência. Não me afasto um milímetro da necessidade absoluta de o processo penal ser conduzido sem cedências ao mediatismo, à tentação de judicialização da política e com respeito absoluto das regras, nomeadamente as que dizem respeito ao segredo de justiça nos termos em que, bem ou mal, está neste momento configurado na ordem jurídica portuguesa. Na ausência natural de dados objectivos sobre a investigação, o tempo mais frutuoso é o que se investe na observação de comportamentos. E aqui não pode deixar de causar estranheza o discurso dos que exigem actuação irrepreensível ao poder judicial, posição correctíssima em si mesma, mas que perante condutas de quem deteve máximas responsabilidades políticas e ostentou ao longo do tempo estilos de vida absolutamente incompatíveis com os rendimentos declarados mostram a máxima complacência.
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Rui Rocha,

É preciso ver-se que se trata de um Engenheiro Civil com uma pós-graduação em Engenharia Sanitária e autor de um importante acervo de moradias. Ora, se a CML pagou a Frank Gehry 2.9 milhões de euros por um projecto para o Parque Mayer, já se percebe que nada de incompatível se pode vislumbrar.