
Inesquecível, aquela cena em que o Conde de Almásy, interpretado por Ralph Fiennes, pede à enfermeira Hana, a personagem de Juliette Binoche, que o mate. Não falam. Ele pede-lho com o olhar e ela desaba em lágrimas. O seu paciente inglês, um destroço humano com o corpo totalmente queimado, fartara-se de tanto sofrer. Por isso, a soluçar, ela obedece e liberta-o.
Quantos dos que hoje integram os movimentos “pró vida” se terão comovido com esta cena? E quantos destes terão, no escurinho do cinema, compreendido e aceite a decisão daquela enfermeira? O cinema, porque nos torna omniscientes enquanto espectadores, é por vezes muito eficaz a desatar os nós morais que nos tolhem o raciocínio.
“O Paciente Inglês”, a obra-prima de Anthony Minghella, não passa, porém, de um filme. Falemos pois da realidade. Por exemplo, a de Ramón Sampedro, o marinheiro que ficou tetraplégico após um acidente de mergulho. A sua história é muito conhecida porque deu um outro filme: “Mar Adentro”, de Alejandro Amenábar. E deu um filme porque ele teve de lutar, durante oito anos, para conseguir fazer suicídio assistido, tendo até escrito um livro em que partilha os seus estados de alma. Chamou-lhe “Cartas desde o Inferno”.
Ramón Sampedro viveu durante 30 anos preso a uma cama e a um corpo inerte. Só de imaginar que tal me pudesse acontecer, angustia-me. Que sofrimento atroz! Enquanto faço este simples exercício, que é o de tentar colocar-me na pele do outro, penso naqueles que se sentem no direito de proibir o suicídio assistido e então pergunto-me: com que autoridade?
Instalados no conforto das suas vidinhas sem dor, dizem que o que é preciso é apostar nos cuidados paliativos, sabendo que o que não faltam são exemplos de pessoas que recebem cuidados paliativos de excelência e que mesmo assim querem morrer. Os cuidados paliativos não resolvem tudo, essa é a verdade. Mas os donos da ética preferem ignorá-lo, ocupados que estão a colocar os seus princípios humanistas acima da incómoda realidade.

A Teresa Ribeiro está ligeiramente equivocada. Os opositores da eutanásia não a recusam, de facto. Tal como os opositores do aborto não recusam, de facto, o aborto. O que eles recusam é a eutanásia (ou o aborto) institucionalizada e legalizada. Eles são a favor da eutanásia, sim, mas desde que não assumida, desde que realizada em segredo, em casa, ou num recatado hospital privado, e sem que se diga que houve eutanásia, e sempre com um medicamento legal, para dormir, ou para anestesiar, como disfarce.
Tal como os opositores ao aborto não se opõem ao aborto, somente querem que ele seja feito em Espanha, ou em Inglaterra, a coberto de uma simples viagem de turismo, de forma discreta. Uma mulher vai a Espanha passear sem barriga, volta do passeio sem barriga, ninguém nota nada, ninguém diz nada, tudo bem.
A eutanásia pratica-se correntemente em Portugal. Médicos amigos, hospitais privados, ou em casa. Um anestésico, porque o doente está de facto a sofrer, mas dado em dose um pouquinho mais alta por um médico cooperante. Ninguém nota nada, ou então finge não notar. Feita desta forma, a eutanásia está bem, porque é para gente bem. Agora, eutanásia para o povo, nos hospitais públicos, isso é que não!
Por outras palavras:
Não importa sê-lo, o importante é parecê-lo!
E por outras ainda.
Sinceridade acima de tudo. Desde que se consiga fingir-se tê-la a honra sai incólume.
E outras mais haveria.
Pois, pura hipocrisia.
Chamar “hipocrisia” a esta atitude é talvez cruel. Pode-se antes dizer que é a vontade de manter as aparências.
Suponhamos por exemplo que a Teresa é casada e que discute com o seu marido (todos os casais discutem). A Teresa discute com o seu marido em casa, com as portas fechadas. Mas na rua, anda abraçada a ele e não discutem absolutamente nada. Para manter as aparências.
Para todos nós, em certas circunstâncias, manter as aparências é muito importante. Por exemplo, para a generalidade das mulheres, manter as aparências é muitíssimo importante, por isso andam sempre muito bem com o seu marido em público. Discutem com ele, mas só no segredo da habitação.
Da mesma forma, muita gente que se diz contra a eutanásia considera-a de facto perfeitamente admissível, mas desde que as aparências sejam mantidas. Eutanasiar sim, mas desde que seja às escondidas.
Ah! manter as aparências é, de facto, muito importante…para a mulher, claro.
Então não vem nos livros? À mulher de César não basta e tal e tal.
Portanto é mais ao menos assim. Uma mulher tem de ser sempre atenciosa e saber tornar feliz a casa do seu marido. Se ele fumar não se zangue por espalhar cinza pelo chão. Sorria e seja prestável chegando-lhe sempre um cinzeiro ao lado.
E que nenhuma mulher esqueça. Saber fazer uma cama confortável é uma das tarefas mais importantes de uma mulher.
Mas pode suprimir isto tudo se não quiser viver de aparências. Numa discussão ou desalinhamento de opinião, não discuta com o seu marido e peça-lhe desculpa. Seja perfeita!
É mais ou menos assim, hem! Luís Lavoura?
Isto, claro, porque é sabido que o marido é um poço de virtudes e compreensão e todo o naufrágio de uma relação advém dos nervinhos da mulher que não se sabe controlar.
Por acaso, não gosto nem nunca gostei da mulher perfeita.
O meu ideal de mulher é aquela que sabe dizer, NÃO!!!
Confesso que neste momento ainda não consegui formar uma opinião, no entanto o primeiro impulso é aceitar a eutanásia.
Mas existem certas questões que não me largam o pensamento.
Antes de mais, compreendo quem interrogue se isto não é começar a casa pelo telhado, tal como poderá ter sido aquando do aborto.
Na questão do aborto ninguém pensou que antes de o legalizar era necessário formar, educar. E depois de termos uma sociedade bem formada e educada, a começar pelas crianças, claro, então sim, chegavamos a esse fim, o fim último, que é o aborto.
Hoje é semelhante. Um país com um serviço de saúde miserável, procura uma solução que deveria ser o último degrau. Antes de lá chegarmos deveríamos criar um serviço de saúde efetivamente eficaz e depois de o termos, colocarmos a hipótese da eutanásia. Assim saberíamos que tudo fizemos. E se fizéssemos isso, provavelmente a quantidade de eutanasiados seria menor do que aquela que poderá ser agora.
É incrível um país que não pode eutanasiar cães, poder vir a eutanasiar pessoas. É um argumento válido também.
Um país que ao mesmo tempo que debate este assunto, chumba na assembleia da república baixar o iva da comida para bebés. Isto é contra a vida, isto é dar mais um argumento a quem se manifesta contra o aborto, pois pode ser interpretado como um incentivo ao aborto.
Este é um país em que um partido vota contra a descida do iva para a comida de bebés, mas vem exigir a descida do iva para a comida de animais.
Parece um país desnorteado, uma classe política desequilibrada, com prioridades ao contrário. Políticos que apenas querem chocar, sem ter a mínima noção das contradições, das prioridades, sem planos e sem rumo.
Uma questão como esta deve ser referendada.
Decidir isto na assembleia, com jogos de bastidores e de favores, e sem liberdade de voto, é de terceiro mundo.
Pelo menos a liberdade de voto aos deputados… no mínimo isso.
E mesmo assim, antes de decidir seja o que for, ouvir aqueles que estarão sempre ligados a este fenómeno… os médicos. Alguém os consultou, alguém os ouviu na assembleia?
Parem com a necessidade juvenil de chocar e tenham a humildade de consultar o povo. Se o fizeram no aborto, onde uma parte defendia que o feto não é vida, não o fazem agora?
Mas permitam ao povo ouvir todas as opiniões, obriguem os media a, pelo menos neste assunto, a serem isentos, a darem voz a todas as opiniões e não fazerem como é habitual, debates onde são todos do mesmo clube.
Permitam-me ouvir para poder decidir, porque neste momento ainda não o consegui fazer. Argumentem para me convencer, seja para o sim, seja para o não, mas argumentem.
Nem de propósito. Este mês fiquei a saber que o meu cão, que já tem 16 anos, tem um problema no intestino. Borra-se todo e não se controla. Não há tratamento e eu com um bebé de 14 meses em casa, não tive alternativa a não ser colocar a hipótese da eutanásia. Mas não posso. Ninguém o faz. Nem no canil municipal, nem no veterinário. O motivo é que é proibido, a não ser que o animal esteja a sofrer. Não, pelos vistos, a qualidade de vida do animal não é tida em conta, se se borra, limpe-se… palavras ouvidas no canil.
Pasme-se que o animal não se pode eutanasiar, mas uma pessoa já se pode…. e eu a já a pensar na minha sogra.
Já para não falar no canil, a transbordar de animais, sem o mínimo de condições… mas não se pose eutanasiar, portanto é deixa-los viver naquelas condições.
E depois a parvoíce das touradas… o touro até passa as passas do algarve durante meia hora… mas vive o resto da vida ao ar livre… a comer, a beber e a….
Pois do cavalo ninguém tira as dores, passa uma vida a olhar para uma parede e quando não está a olhar para a parede, está a levar com um gajo de 80 kilos em cima, que o pica na barriga e lhe dá chicotadas, e ainda lhe enche a boca de ferros.
Que país deficiente, dava uma comédia negra.
Ninguém que defende a despenalização da morte assistida ou faz contra o investimento em cuidados continuados de saúde.
Errata: o faz
Não querendo entrar em polémicas, até porque concordo inteiramente com o que escreveu, deixo uma contribuição extremamente literal e talvez um pouco mais alegre do que defende a múmia de boliqueime e o seu sócio da tecnoforma. https://www.youtube.com/watch?v=Sa3PYqcC-S 8
Exactamente!
Que presunção de direito lhes assiste para decidirem sobre as decisões de seres pensantes que pelos motivos apresentados no seu post, e outros de não menor dramatismo e angústia, decidem pelo suicídio assistido, condenando-os a uma existência de dor e dependência roubando-lhes a dignidade com que escolheram terminar?
Concordo em pleno consigo Teresa.
Tem que se dar a permissão às pessoas de ter um meio legal de acabar com o seu próprio sofrimento, de não querer continuar uma luta inglória, de poder partir deste mundo com o menor sofrimento possível!
Considero que se deve dar esta escolha a todos.
Os donos da ética…
Mas que ética?!
Só tem donos a ética relacionada com a conceção essencialista do mundo.
Para esses, a ética é algo imutável, porque foi inoculada no homem que deus criou tal qual é e há de ser.
Para esses, Darwin não existiu!
Nem sequer T. de Chardin!
Para esses, em caso de incompatibilidade da fé com a ciência, prevalece a fé.
E como a fé não se discute, para esses, a questão da eutanásia, mais que tudo, é uma cruzada.
João de Brito
Pois…
Porque é que apresentam sempre casos extremos de dor e vêm com a lengalenga que a eutanásia só será para esses casos ? Sabemos bem o que aconteceu na Bélgica, tb só era para os velhinhos e agora até os adolescentes e adultos com saúde estão no menu. Basta usar a desculpa ” estou farto de viver”.
Se até agora nos hospitais se dizia às famílias de pessoas em dificuldades ” leve a sua mãe daqui o mais rápido possível pq aqui ela vai morrer – aconteceu comigo com uma mãe com 76 anos e uma pneumonia, que tive que levar para um hospital privado-, Imaginem daqui para a frente como será ? e daqui a uns anos até poderá acontecer-me que com 70 anos( longe de estar acabado e com vontade de viver) mas se tiver uma doença incapacitante , no hospital os ilustres burocratas-médicos me proponham a injecção milagrosa que me acabe o sofrimento. Mas eu não quero morrer, só preciso de apoio temporário aqui e depois lá fora num lar ou numa IPSS que me acolha !. Amigo, aqui você não pode ficar, estamos a abarrotar, não seja egoísta, nos lares já não aceitam pessoas com incapacidade motora , a sua família tb já não o aceita, você que toda a vida contribuiu com os seus impostos para a segurança social tem de compreender que os tempos mudaram. Além do mais, é preciso salvar o planeta, já viu quanto é que a sua pegada de carbono custa ?
Salve-se quem puder que a loucura colectiva da eugenização forçada está de volta. Só os novos e esbeltos se safam, desde que sejam produtivos e vegetarianos. Boa sorte.
É isso que estão a preparar.
Bem explicado.
Quem quer mstar-se que se mate, qual o problema?
O Estado (,os contribuintes) não têm de estar a financiar mortes vegans e com velas de cheiro, isso é uma questão para privados.
Descriminalização do suicídio mas fora do SNS, já agora acabava-se, também, com o aborto pago pelos contribuintes. Recordo-me de ter lido há alguns anos uma “senhora” que já tinha feito mais de 10 abortos pagos por todos nós, nesse aspecto a eutanásia é mais econômica.
Não é lengalenga. É o que está na lei em apreciação.
Assim como não é fácil um homem opinar sobre os meandros íntimos da interrupção, ou não, da uma gestação, por ser algo que é vivência exclusiva feminina
-também não será fácil para alguém estando com boa saúde física e mental, opinar sobre a interrupção de um estado de vivência que realmente não vive.
Talvez certos técnicos de saúde, mas …
Teresa, tens ainda o exemplo do Terry Pratchett, que fez uma longa campanha no Reino Unido pela eutanásia após ter visto o diagnóstico de Alzheimer precoce confirmado (e também fez donativos generosos e campanhas para a investigação médica desta doença). Deixou um documentário interessante, que pode ser visto na íntegra no youtube (Choosing to Die).
O teu último parágrafo é mesmo muito certeiro. É mesmo muito fácil ser-se “pró-vida” (termo abominável) quando se trata das vidas dos outros.
João, há exemplos absolutamente tocantes, que a meu ver são poderosos o suficiente para deitar abaixo qualquer dúvida que se tenha em relação a este procedimento, que para mim não é mais que um acto de solidariedade e misericórdia. Mas não sei se já reparaste, quem argumenta contra, foge destes casos conhecidos como o diabo da cruz. É bem mais fácil defender a interdição da morte assistida em abstracto.
Sou o favor de que quem ajuda um suicida não sofra penalização.
É o que estava em equação nos casos que relata.
A eutanásia com o auxílio e a custas do Estado/contribuintes é outra coisa.
Já vi que não lhe interessa discutir a questão económica.
É mais fácil falar de floreados que de questões concretas.
Se acha que a apresentação de casos dramáticos como exemplo das situações que cabem no que agora se pretende regulamentar são floreados, está tudo dito.
Não me choca nada que o dinheiro dos meus impostos seja usado para aliviar a dor – sem remédio – de quem está farto de sofrer.
Penso que estamos, basicamente, de acordo.
Ambos defendemos que quem ajuda um suicida a suicidar-se (passo o pleonasmo)não deve ser penalizado.
A Teresa quer umas mortes muito bonitas com as enfermeiras de bata branca e os médicos com um ar compugido mas sereno a darem injecções letais acompanhadas de música clássica e velinhas com cheiro, tudo financiado com o dinheiro dos nossos impostos, desviando recursos que podiam evitar que morressem pessoas nas urgências , aí já não estamos de acordo.
Penso que os hospitais devem servir para salvar vidas e não para provocar mortes.
Nada tenho contra à abertura para a iniciativa privada desse ramo de negócio.
“Portugal, um país lindo de morrer” podia ser o slogan.
Aurélio: Viver condenado ao sofrimento extremo até ao fim dos dias será vida? Ajudar a pôr fim a um martírio é um acto indigno? Se não é, porque não haverá esse serviço de ser proporcionado pelo Estado?
Se o não for, só os mais abonados poderão recorrer à eutanásia. Parece-lhe justo?
Olá livros !
Ninguém duvida de que uma lei feita em cima do joelho, sem ter em conta os aproveitamentos perversos a que pode dar lugar, é um perigo em geral e, em especial numa situação desta natureza. Infelizmente, nas últimas décadas, todos sabemos que leis feitas à pressa são o pão nosso de quase todos os dias. Quando comecei a trabalhar as leis sobre problemas de semelhante importância eram claras, não permitiam dezenas de interpretações porque tinham sido feitas por grupos de profissionais competentes e, apesar disso, nos casos mais complexos, após anos de estudo e reflexão. Não por escritórios de advogados mas antes por professores universitários de reconhecimento incontestável.
Se não forem acautelados devidamente todos e quaisquer abusos que possam escapar entre as malhas da lei e previstas penas severas para quem os cometer, então será melhor deixar o tratamento das situações terminais tal como está.
A lei ainda está em discussão. O que a leva a partir do princípio que está a ser feita em cima do joelho?
Quem conhece o texto da lei que está em discussão? Quem são os grandes especialistas que a discutem? Filósofos, sociólogos, psicólogos etc? Todos estes especialistas e outros com experiência nas consequências que estas matérias implicam nas consciências humanas a longo prazo, e nas suas decisões precipitadas a curto prazo deveriam dar o seu contributo ao debate público. Que não é o mesmo nem tem a mesma função que uma discussão aprofundada de peritos.
As várias leis que logo que são publicadas já precisam de correcções, como tantas vezes acontece, que nos levam a concluir? Que foram bem estudadas ou que foram feitas em cima do joelho?
Os nossos deputados não vão propriamente inventar a roda, vão discutir a adopção de um quadro legal inspirado no que já se pratica noutros países e para tanto é claro que contam com a assessoria tanto de médicos, como de juristas.
Claro, trata-se de um problema como outro qualquer, resolvido pelo copy e paste. Desculpe eu não ter entendido isso antes. Burrice minha, é óbvio.
Não sei, Teresa. Incomoda-me referendar /legalizar a eutanásia num país sem cuidados paliativos “de jeito” (praticamente ausentes nas cidades do interior), e onde doentes oncológicos estão à espera, para lá do razoável e do medicamente recomendado, de determinados exames.
Vorph, o que está em causa são casos em que comprovadamente a medicina não pode fazer mais para tornar o sofrimento tolerável. E em que os doentes estão de posse de todas as suas faculdades para tomar a decisão. É claro que só concordo com o recurso à morte assistida em casos extremos.
Eu sei, Teresa. Sou, em teoria, também a favor. Contudo, num país que tem graves carências nos cuidados de saúde paliativos e primários, faz-me alguma confusão discutir-se a Eutanásia, com um “afinco”, que não vejo em outras situações (atrasos nas TAC/RM,etc em doentes oncológicos, atrasos inadmissíveis em cirúrgicas oncológicas/ortopédicas /neurocirurgias….acabam por ser realizadas mas o seu atraso prejudica, irreversívelmente, o prognóstico).
Não se tem discutido outra coisa, se não as insuficiências do SNS! Mas essas polémicas não tem de impedir que se debata este tema.
Quem relaciona estes dois temas pretende insinuar que a lei que despenaliza a morte assistida vai criar condições para se poder desatar a matar velhinhos sem dó.Mas não acredito que o Vorph embarque nessa falácia!
Há coisas que se sabem, pensando e outras que se sabem, sentindo. E há ainda outras que sentidas de uma forma se pensam de outra. Eu ando, assim.
Não tenho posição porque penso como a Teresa, mas sinto doutra.
Bjs
” o que está em causa são casos em que comprovadamente a medicina não pode fazer mais para tornar o sofrimento tolerável”
Quem quantifica o sofrimento e se o mesmo é tolerável?
E, já agora, porquê só nesses casos? Se eu quiser morrer “assistidamente”, o que interessa a um terceiro (médico, Estado ou outrém) se estou em sofrimento? Sou um ser menor por não sofrer?
É possível medir parâmetros de dor.
A eutanásia é uma prática entendida como uma solução extrema apenas admissível em situações extremas.
É mesmo isso , muito bem.
Não quis fazer suicídio não assistido…
Pode-se ter sido a favor da despenalização do aborto e agora ser-se contra a despenalização da eutanásia. Atente-se nas posições do PCP e do MRPP.
No meu entender há pressupostos nos projectos de lei que visam a despenalização da eutanásia que são inaceitáveis. Tèm a ver com a competència dos médicos (alopatas/convencionais).
Acho fundamental haver parecer médico neste processo, para atestar a capacidade mental do doente para tomar a decisão de pôr termo à sua vida e a irreversibilidade do seu sofrimento.
Quer dizer que esta lei visa proibir o suicídio?!
Excelente texto,Teresa.
Belo e esmagador, ao mesmo tempo.
Obrigada, Cristina.