Sorte, sorte


eventhorizon,

Passei o fim-de-semana a hibernar, apesar do bom tempo. Nem aos blogues dediquei muita atenção. Já hoje não consigo não ler textos sobre a vitória de Passos Coelho nas directas do PSD. Sobre isso, portanto: se eu fosse militante, o meu voto não teria caído em Passos Coelho. A sua vitória parece-me porém inequívoca (sê-lo-ia mesmo que tivesse sido por uma margem menor), e há que dar os parabéns ao vencedor. Contudo, não creio que a vitória de Passos Coelho tenha inaugurado uma nova era na política portuguesa, como alguns comentadores parecem dizer. Resolveu, pelo menos por enquanto, o “problema” da liderança laranja. Mas só isso. Por isso, e para dar um exemplo, textos como este de Vasco Campilho parecem-me um tanto ou quanto prematuros. O entusiasmo eu percebo; mas, “élites” à parte, dizer “sobrepondo estes três estratos de significado, o que vemos? Um partido clarificado nas suas opções, desempoeirado nas suas ideias, modernizado nas suas estruturas, aberto à sociedade, e posicionado para a conquista de uma maioria. Fazia falta um PSD assim” logo após a vitória do novo líder é francamente exagerado. Não discuto que “faça falta” um PSD “assim”. E até pode ser que Passos Coelho venha a significar tudo aquilo para o PSD (mantenho-me céptico). Mas por enquanto, não creio que todas as “opções” estejam já “clarificadas”. Que o partido tenha as suas ideias “desempoeiradas” e as suas estruturas “modernizadas”. Que se “abra” à “sociedade”. Enfim, que conquiste uma maioria. Mas isso é o que aí vem, não o que já é dado assente; dito de outra forma, tudo isso será o trabalho de Passos Coelho daqui para a frente. Não estava a “torcer” por ele, mas desejo-lhe agora muita sorte. Vendo aquilo que o PSD tem sido nos últimos anos – uma autêntica máquina de triturar líderes -, diria que Passos Coelho vai precisar de toda a que conseguir.

2 comentários em “Sorte, sorte”

  1. “Resolveu, pelo menos por enquanto, o “problema” da liderança laranja. Mas só isso.”

    Infelizmente acho que em pouco tempo constataremos que não resolveu nada…
    Aquilo é um saco de gatos…
    Como disse o Adalberto João…
    Esse é que resolvia. Ou ele ou o Pinto da costa(mas não é o das barbas)…

    1. Isso também eu penso, meu caro – e creio que continuaria a ser um problema com qualquer outro dos candidatos. Jardim? Para ser sincero, acredito que nem o Marcelo (ou Rio) conseguiria a proeza de unir o partido. Mas há-de acalmar, assim que o poder cair no colo do líder do partido, seja ele qual for quando isso acontecer. É que acontecerá. Como alguém dizia (quem mesmo?), o poder em Portugal não se ganha…

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