Há 70 anos, uma jovem cantora chamada Vera Lynn cativava milhões de britânicos que a escutavam na telefonia com dois dos maiores sucessos de sempre no mundo da canção. Esses temas, que perduram na memória de muitos, ajudaram o Reino Unido a resistir à tirania nazi, fazendo frente às legiões armadas de Hitler. Chamavam-se We’ll Meet Again e The White Cliffs of Dover: na voz de Vera Lynn ganhavam uma vibração semelhante aos discursos de Churchill, tornando-se autênticos hinos de resistência. Nesses tempos de trevas, ela contribuiu como poucos para manter bem elevado o moral britânico.
Vera Lynn retirou-se cedo do mundo do espectáculo: durante muitos anos, não se voltou a ouvir falar dela. Até agora. O revivalismo da II Guerra Mundial, a propósito da passagem do 70º aniversário da invasão da Polónia pela Alemanha, permitiu recuperar aquelas duas canções – a tal ponto que acaba de ser editada uma colectânea de êxitos de Vera Lynn com entrada directa no top discográfico do Reino Unido. E ela ganha um novo título: o da cantora britânica mais idosa desde sempre representada na exigente lista das melhores vendas. Hoje com 92 anos, confessa-se orgulhosa com a proeza, totalmente inesperada, e vai adiantando que nem lhe passa pela cabeça regressar aos estúdios de gravação. Mas gosto de saber que as gerações mais jovens aprendem a amar também We’ll Meet Again e The White Cliffs of Dover. Por serem belíssimas canções. E por todo o significado histórico que encerram.


Pink Floyd – Vera (Album The Wall)
Does anybody here remember Vera Lynn?
Remember how she said that
We would meet again
Some sunny day?
Vera! Vera!
What has become of you?
Does anybody else in here
Feel the way I do?
Os Pink Floyd não a esqueceram.
Pois não, João. Nem Stanley Kubrick, que encerra com ‘We’lll Meet Again’ o seu fabuloso filme ‘Doctor Strangelove’.
agradeço-lhe este post.
E eu agradeço a sua simpatia.
É bonito que uma nação não esqueça quem ajudou a mantâ-la unida e forte em tempos difíceis. Vera Lynn merece bem o título de Dame e a homenagem em vida.
Os ingleses dão-nos boas lições nesta matéria, Ana.
Muito merecida a sua “homenagem” a esta artista Vera Lynn, gostei também de a recordar, obrigada, Pedro, zc
O cinema encarregou-se de divulgar a sua belíssima voz ( foi assim que a conheci) em excelentes interpretações, sobretudo nessa mítica canção “We’ll Meet Again ” – pelo menos em dois filmes de Kubrick – no fabuloso – Dr.Strange Love …”,na cena final a voz e a belíssima interpretação de Vera Lynn atribui-lhe uma força extraordinária e em “Laranja Mecânica”. No filme e album dos PinK Floyd “The Wall” a canção “Vera” é em sua homenagem.
http://www.youtube.com/watch?v=5-ecL2DGs
Obrigado pelas suas palavras, Maria. É bom que os artistas ‘populares’ não sejam esquecidos. Em Portugal, infelizmente, isso acontece vezes de mais.
Já vi que o meu comentário está ultrapassado, paciência, escrevi-o e ainda ninguém tinha comentado – fui interrompida pelo meu filho – vale para agradecer a lembrança do Pedro.
Os seus comentários nunca estão ultrapassados, Maria. Comente sempre.
Pelos vistos não foi só a Vera Lynn que foi recuperada.
O João Gonçalves também se “auto-rejuvenesceu” depois da débacle eleitoral, mas sempre pelos piores motivos. Como é useiro e vezeiro…
Já o João Gonçalves Zarco não teve a mesma sorte: quis rejuvenescer a Madeira e não conseguiu…
:))
Não admira, desde logo, porque vozes com esta qualidade, que era requerida até há umas décadas, andam muito arredadas da música ligeira. Cantar e escrever livros passaram a ser coisas vulgares. Parecia que ninguém se importava com isso, mas é bom saber que há sinais de que não é bem assim, a julgar pelo imediato sucesso da feliz revisita de Vera Lynn.
Não podemos ser tão conservadores e revivalistas.
Temos que dar o lugar aos “novos” talentos, de outro modo seremos acusados de inveja, intriga e dor de cotovelo…
É essa a “nova” política editorial e discográfica.
E radiofónica também.
Excelente Pedro. Adorei voltar a ouvir Vera Lynn. Isto é que era uma voz e pêras.
Pois era, Ariel. E é fantástico chegar ao Top tantos anos depois. A melhor homenagem que pode ser feita a uma grande senhora do mundo da canção que também foi (é) uma cidadã exemplar.
Excelente post, Pedro.
Os povos com memória fazem a diferença.
Um abraço
Os povos sem memória também fazem a diferença. Para pior. Hehe…
Pois fazem, António. Os britânicos dão-nos um bom exemplo. Vera Lynn acaba de receber a melhor das homenagens – a homenagem do público que a escuta, 70 anos depois – ainda em vida. Por cá, em regra, os artistas são esquecidos cedo de mais. E depois recebem os habituais elogios hipócritas quando morrem.
Um grande abraço.
Meu caro Pedro
Fiquei emocionado pela canção e pela tua lembrança, porque a nossa memória colectiva começa a assemelhar-se à dos peixes. Foi bom ouvir de novo a Vera Lynn , o que já não me sucedia desde 1983, quando na RTP 1 passou uma série sobre a II Guerra Mundial cujo nome era precisamente We’ll meet again . A intérprete era a belíssima Susannah York, uma inglesa que se travava de amores com um major americano, papel interpretado por Michael Shannon . O genérico era acompanhado pela belíssima canção de Vera Lynn .
Cumprimentos, meu caro.
Belíssima série essa, meu caro. Ainda esta tarde alguém ma lembrou também. Há-de aparecer aqui, também na rubrica ‘Passado Presente’.
Abração.
Gosto da sua escrita, mas sobretudo do seu cavalheirismo. Tem sempre uma palavra amável para os seus leitores, sobretudo para as suas leitoras, e isso leva-me a vir aqui muitas vezes, embora raramente comente. Este seu cavalheirismo, tão característico das pessoas da sua idade, infelizmente quase não existe entre os homens de 20, 30 e até 40 anos. Tem muito a ensinar aos mais jovens, caro Pedro Correia. Bem haja.
Obrigado eu pelas suas palavras.