Dez segundos em televisão são preciosos, dizem todos os especialistas. Pois hoje a TVI gastou cinco minutos do seu noticiário das 13 horas – entre as 13.19.45 e as 13.24.33 – com a não-notícia da presença de José Sócrates numa bicha de eleitores num stand de automóveis.
A jornalista, enchendo chouriços em sistema de piloto automático, ia debitando frases que constituíam apelos subliminares (e certamente involuntários) numa certa força política enquanto decorria o processo de votação em todo o País: “Durante a campanha eleitoral, ainda antes de começar a campanha oficial, José Sócrates manifestou apoio a António Costa. Recordo que na véspera do primeiro debate entre António Costa e Pedro Passos Coelho, José Sócrates, por escrito, disse que estava ao lado do PS e ao lado de António Costa pela vitória eleitoral. Depois, no próprio dia do primeiro debate televisivo, e único, entre os dois maiores adversários destas eleições, José Sócrates reuniu um grupo de amigos em casa e depois esses amigos, à porta da casa onde se encontra em prisão domiciliária, deram conta de que estava muito entusiasmado com a prestação de António Costa.”
Valeu o facto de o Presidente da República votar a essa mesma hora, noutro local, para pôr fim ao arrazoado da não-notícia. Mas Sócrates não esteve muito tempo longe dos focos da TVI: voltaria ao telediário entre as 13.26.14 e as 13.28.02.
Balanço global: quase sete minutos de espaço noticioso em sinal aberto num dia com tantos protagonistas da cena política nacional. É obra.

Uma frustração não ter aparecido o rapaz da pizza.
Nem ao menos uma chamuça.
O que facto é que a não notícia, também aqui fez eco.
Já dizia o outro Eco. Umberto Eco.
Não diga mal destas pérolas informativas.
Não existe outro modo de saber que o PR foi á missa antes de ir votar. Ficaríamos completamente ignorantes sobre o assunto.
Sócrates bem que podia ter comido uma fatia de piza enquanto esperava, sempre dava assunto.
Não acredito que ele coma piza: é prosaico de mais. Além disso iria causar-lhe inevitável nódoa na gravata monocromática de seda italiana e até talvez besuntar-lhe o fatinho de bom corte que utilizou para “parecer bem” durante aqueles sete minutos de tempo de antena em sinal aberto. As coincidências são como a sorte: dão muito trabalho a conseguir.
Já antes tinham filmado a porta de alumínio do 33A até à exaustão e com ela fizeram chouriços, salames e muita mortadela (ou mortandela como eles próprios diriam).
São tão tristes estes tri(a)stes.
Abraço Pedro. Boas eleições.
Caro Luís, você tinha razão. E de que maneira. Tenho pensado bastante nisso nestas últimas semanas.
Um forte abraço.
Ainda assim não me alegra.
A vida continua.
Parabéns. A minha projecção falhou. Foi uma vitória da participação, saiu fora do que se podia imaginar.
Mas o futuro trás outros contornos.