O PS tem encarado esta campanha eleitoral como se de um leilão se tratasse. A cada imaginado “quem dá mais?” responde Sócrates com um longo enunciado de propostas: subsídios para todos os grupos sociais, internacionalização de empresas, bolsas para estudantes, passes para transportes, emprego para quem não trabalha, obras farónicas, baixas médicas suportadas pelo Estado – não há área da actividade social e económica que não receba chorudos incentivos financeiros.
Restam dois problemas, claro. Um é de índole pragmática: com a receita a diminuir brutalmente, e a despesa a crescer, apetece perguntar como é que o Estado vai pagar tudo isto. Não sou perito em economia, mas a resposta – todos o sabemos – passará ou pelo aumento significativo dos impostos ou pelo crescimento de uma já assustadora dívida externa. Convinha que quando Sócrates promete o bolo esclarecesse de onde vem a farinha.
O segundo problema é, obviamente, a questão da credibilidade. Depois de fazer vista grossa ao seu próprio programa eleitoral, desde o tema da (não)subida de impostos ao (putativo) controlo do défice, estas propostas de Sócrates equivalem a um punhado cheio de nada, uma espécie de divagação política que ninguém pode levar a sério.
[também aqui].

O problema, José, é que muitas memórias ainda são curtas e há sempre quem leve isso tudo a sério. E até se dão ares.
Uma mão cheia de nada,
noutra cheia de promessas,
nesta política iluminada
por candeias às avessas.
Numa catarse licitadora
de verborreia eleitoral,
a técnica maquilhadora
da demagogia imoral!
Na verdade, José, tal como V. diz, ‘convinha que quando Sócrates promete o bolo esclarecesse de onde vem a farinha’… Mas não só, porque os bolos além de farinha, levam também açúcar, ovos, manteiga, fermento, água e outras coisas, e tudo isto se paga. A receita não será problema, pois essa já ele a tem há quatro anos, ou seja, iria fazê-la mais uma vez toda aldrabada, sem quase nenhum dos ingredientes essenciais anunciados.
Mas provavelmente, existe gente que vai aceitar o dito leilão e licitar muitas vezes as ditas promessas.