Sócrates


Patrícia Reis,

Sócrates parou o país. Literalmente. O telejornal foi um preview da entrevista e pouco mais, como se nada de interessante se passasse no mundo (Obama entregou as secretas a uma mulher? Será notícia? Sismo nas Caraíbas? Adiante…). José Rodrigues dos Santos fez uma espécie de crónica/comentário. A grande reportagem eram os contra e os a favor do ex primeiro-ministro às portas da RTP. Até no Japão, Paulo Portas foi incomodado com a entrevista – o fim do silêncio! – de Sócrates. Respondeu inteligentemente, como é seu timbre, e foi à vidinha e fez muito bem. Os dois entrevistadores, um deles sub director de informação, especialista em economia, não acertaram nos números e não tinham capacidade para… bom, para entrevistar um homem que, para todos os efeitos, anda há muitos anos a virar frangos nesta coisa da política e que, tendo repetido a palavra “narrativa” até à exaustão, arrasou o Presidente da República e nem mencionou o nome do primeiro-ministro (leia-se: não lhe deu importância, simplesmente, o que só prova a falta de carisma que o primeiro-ministro em funções exala). Citou Dante. O meu filho comentou: ena pá, o homem é cultural.

A seguir juntaram-se não sei quantos comentadores – não sei se pro bono, mas que importa isso depois do Sócrates ter dito que “tomava a palavra” a convite e sem receber um tostão? – para falar e analisar a entrevista. Portanto, mais uma vez, Sócrates parou o país. Só conheço outra situação similar: um jogo Benfica-Porto ou Benfica-Sporting.

16 comentários em “Sócrates”

  1. Deixe lá; o futebol pára o país dia sim dia não e a gente acha normal. A vantagem de Sócrates é que fala de coisas que nos interessam – cabe-nos fazer o nosso próprio trabalho crítico. Espectáculo por espectáculo, antes a discussão política (por muito controlada que seja pelo poder dominante) do que a discussão sobre o número de cantos, de cartões amarelos ou de escarradelas que um jogador produziu em 1949, 59 ou 69.

  2. Patricia acha mesmo que o Sócrates parou o país? não conheço as audiências, mas seria preciso ter muita paciência para ouvir aquela “narrativa” mais de cinco minutos.

    1. Alexandre, onde estou parou, onde está não parou? Pois seja. Talvez as pessoas queiram ouvir as “narrativas” do ex PM para ver se lhe continuam a bater, se o louvam ou nem por isso. Não faço ideia. Boa Páscoa:)

  3. Obama entregou as secretas a uma mulher

    Isso é verdade? Olha, não sabia.

    Também, não vejo qual a importância de as ter entregue a uma mulher (ou seja, não vejo qual a importância do sexo da pessoa que comanda as secretas).

    1. Importância, Luís, não tem, as coisas de género não deveriam ter. Infelizmente, se olhar para a história verá que é um facto importante, quer a malta queira ou não. Como é importante e curioso saber que as secretas angolanas estão na mão de uma mulher. Não é tão evidente quanto isso e não, não ando a queimar soutiens por aí com um discurso do “ai as mulheres”, nada disso, mas trabalho há 26 anos e sei que ter uma mulher nas secretas dos EUA é relevante e notícia. Que o seja por a senhora ter uma vagina e não um pénis é chocante em pleno século XXI? Infelizmente, mas é o que temos, basta olhar atentamente para a História (mesmo a mais recente, para não maçar muito). Uma boa Páscoa, Luís.

      1. Eu o que francamente não entendo é por que é que isso (o facto de a chefe das secretas ser do sexo feminino, ou de o presidente ser mulato – “negro”, na ótica deles), que eventualmente será importante e significativo para os americanos, o deva ser para nós, a pontos de ser noticiado cá.
        Que raio devemos ter nós a ver com as taras culturais dos americanos?
        Boa páscoa também para si.

        1. Luís, eu compreendo e respeito que tenha pouca paciência para as coisas que se passam na América, há muita coisa que me faz confusão para aquelas bandas. O facto do presidente ser mestiço levava-nos a muito e é sexta-feira Santa, não tenho como ir por aí, tenho de ir com o meu marido – igualmente mestiço – às coisas da família. O facto de não se importar com quem é quem nas secretas, eu respeito igualmente. Em ambos os casos, teremos de concordar, de forma gentil, que concordamos que discordamos. O facto de alguém novo, independentemente do género, que está nas secretas americanas há mais de 20 anos, ser mulher, passar a chefiá-las tem influência no que se passa no país, no nosso país e em outros. Chamam-se secretas, não é suposto sabermos o que fazem? Pois. Uma boa Páscoa, Luís, com a família ou com as pessoas que mais gosta. Bj

  4. Aquela ‘narrativa’ da criatura, bolçando mentira em cima de mentira, negando a pés juntos qualquer culpa sobre o estado da bancarrota, de que ele foi de longe o principal responsável, deixou-me à beira da náusea e, não sendo eu masoquista, mudei logo de canal.
    Ter de levar com com uma criatura destas, um mentiroso compulsivo, era o que faltava.

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